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Bolsonaro ataca MP e juiz que autorizou operação contra Flávio

Matheus Schuch

Bolsonaro também criticou o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel O presidente Jair Bolsonaro atacou nesta sexta-feira o juiz Flávio Itabaiana, magistrado que autorizou operação para investigar desvios no gabinete do senador Flávio Bolsonaro (sem-partido), em um suposto esquema de “rachadinha” quando o filho do presidente era deputado estadual. Bolsonaro também criticou o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, sugerindo que ele tem apoiado ações para prejudicar sua família.

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Antonio Cruz/ Agência Brasil/Arquivo

“Você já viu o Ministério Público do Rio de Janeiro investigar qualquer pessoa, qualquer ato de corrupção qualquer deslize de um agente público do Estado? Olha que é o Estado mais corrupto do Brasil. Vocês já perguntaram para o governador Wilson Witzel por que a filha do juiz Itabaiana está empregada com ele? Pelo que parece, não vou atestar aqui, é [funcionária] fantasma”, insinuou, fazendo referência a declarações do filho na quinta-feira, em vídeo publicado para se defender das suspeitas apontadas pelo MP.

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Em nota, a Associação dos Magistrados do Estado do Rio de Janeiro (Amaerj) manifestou repúdio aos ataques feitos por Flávio Bolsonaro.

O presidente disse que as franquias de lojas – como é o caso da revendedora de chocolates da qual seu filho é sócio e que foi alvo da operação policial – são acompanhadas pela sede da empresa. “Ninguém lava dinheiro em franquia”, afirmou. Para o presidente, a operação contra Flávio é uma perseguição política. “Vários parlamentares [da Alerj] tinham movimentações atípicas, já fizeram matéria dos outros?”.

Em frente ao Palácio da Alvorada, ao lado de apoiadores, o presidente evitou afirmar se considera o filho inocente. Questionado pela imprensa, afirmou: “Eu não sou juiz”.

Bolsonaro lembrou que tem ligação antiga com Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio apontado nas investigações como o responsável por recolher dinheiro de assessores e repassar ao filho do presidente. Reafirmou que emprestou R$ 40 mil a ele, explicação de Bolsonaro para justificar um cheque repassado depois pelo então assessor à primeira-dama, Michelle. “Emprestei para ele o dinheiro, conheço ele desde 85”. Segundo o presidente, se Queiroz estiver envolvido em irregularidades, ele é quem deve responder.

O presidente ainda voltou a dizer que Witzel influenciou a Polícia Civil para implica-lo na investigação sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco (Psol). “A Polícia Civil [do Rio de Janeiro] armou para o porteiro do meu condomínio”, afirmou. “O governador [Witzel] quer ser presidente, é direito dele. Mas não com este jogo sujo”.