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Bolsonaro ataca Greenpeace, que responde

Carolina Freitas e Matheus Schuch

"Quem é essa porcaria chamada Greenpeace? Isso é um lixo!", atacou ele O Greenpeace Brasil respondeu às críticas feitas hoje de manhã à organização pelo presidente da República, Jair Bolsonaro. Em fala a jornalistas ao deixar o Palácio do Alvorada, Bolsonaro afirmou pela manhã: "Quem é Greenpeace? Quem é essa porcaria chamada Greenpeace? Isso é um lixo! Isso é um lixo!”

A organização usou uma sequência de tuítes para responder no início da tarde ao questionamento retórico do presidente. “Somos uma organização que pressiona qualquer governo. Quando vemos ameaças às florestas, vamos nos manifestar”, afirma o Greenpeace. “Usamos confrontos pacíficos e criativos para expor problemas ambientais e desenvolver soluções para um futuro verde e pacífico.”

A ONG afirmou ainda ser independente de empresas, governos e partidos e formada por pessoas empenhadas em proteger o meio ambiente.

Em resposta ao xingamento de “lixo”, o Greenpeace usou de ironia. “De lixo a gente entende! Nos últimos 3 anos nossos voluntários e voluntárias coletaram mais de 90 toneladas de lixo.”

A organização propôs um debate sobre outro “lixo”, simbolizado pelo aumento do desmatamento, a flexibilização do licenciamento ambiental, a liberação de agrotóxicos e a mineração em terras indígenas — intensificados durante o governo Bolsonaro.

As críticas de Bolsonaro à ONG pela manhã foram proferidas depois de jornalistas o questionarem sobre cobranças do Greenpeace em relação ao Conselho da Amazônia, que não tem metas nem orçamento definidos. “A questão ambiental é mole. A Amazônia equivale a uma Europa Ocidental, é mole de resolver o problema lá”, disse Bolsonaro mais cedo.

Bolsonaro afirmou também que não resolveria nada incluir governadores e secretários municipais no Conselho da Amazônia. “Se você quiser que eu bote governadores, secretários de grandes cidades, vai ter 200 caras. Sabe o que vai resolver? Nada. Nada”, disse Bolsonaro.

“Tem bastante ministros. Nós não vamos tomar decisões sobre Estados da Amazônia sem conversar com governador, com a bancada do Estado. Se botar muita gente é passagem aérea, hospedagem, uma despesa enorme, não resolve nada”, complementou.

Na última terça-feira, o presidente fez críticas à “indústria da demarcação de terras indígenas” ao assinar o decreto que transferiu o conselho para vice-presidência.

Greenpeace

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