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Bolsonaro agiu e economia implodiu: entenda a segunda-feira caótica no mercado

·4 minuto de leitura
o presidente Jair Bolsonaro está ao centro da imagem, de camisa branca, ajeitando sua calça preta a puxando para cima. Ao fundo, está a primeira-dama Michelle Bolsonaro com a mesma camisa branca e o mesmo adesivo azul, mas de máscara branca. Ao fundo de ambos está uma parede azul clara.
(AP Photo/Eraldo Peres)

O dia 22 de fevereiro de 2021 vai ficar marcado negativamente na história do mercado econômico brasileiro. Foi nesta segunda-feira que as reações das decisões tomadas pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em relação à Petrobras e suas falas em relação à Eletrobras derreteram alguns dos principais sinalizadores do mercado local.

O Ibovespa, único pregão do país, fechou em forte queda na segunda, com Petrobras perdendo 74 bilhões de reais em valor de mercado e investidores enxergando aumento relevante de risco de interferência do governo em estatais. Banco do Brasil desabou 11,65%.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 4,87%, a 112.667,70 pontos, menor patamar de fechamento desde 3 de dezembro de 2020. Foi também a maior queda percentual diária desde 24 de abril do ano passado.

O que Bolsonaro fez?

Influenciado pelo vencimento de opções sobre ações, units e cotas de ETFs na B3 nesta sessão, o volume financeiro atingiu 84,5 bilhões de reais, superando o recorde de dezembro do ano passado, quando registrou 81,5 bilhões, em sessão marcada pelo vencimento de opções sobre o Ibovespa.

Após indicar na última sexta-feira o general Joaquim Silva e Luna para assumir o comando da Petrobras após o encerramento do mandato de Roberto Castello Branco, o presidente ainda prometeu no fim de semana mais mudanças e afirmou que irá "meter o dedo na energia elétrica".

Nesta segunda-feira, Bolsonaro afirmou a apoiadores que é possível reduzir em 10% o preço dos combustíveis intervindo na bitributação e em mudanças no ICMS.

Como o mercado reagiu?

O entendimento no mercado é o de que as declarações de Bolsonaro elevam de forma expressiva o risco político e se somam a incertezas já relevantes nas áreas da saúde e fiscal, bem como no cenário prospectivo para a agenda de reformas. Para alguns, o problema não é uma mudança na Petrobras, mas como aconteceu.

Além do efeito de curtíssimo prazo, executivos de bancos de investimento e gestores temem que a forte reversão das políticas favoráveis ao mercado do Brasil por Bolsonaro possa impactar o recente renascimento das ofertas de ações por empresas no país.

Falta de confiança externa e aumento da crise

O Morgan Stanley removeu a recomendação "like" sobre os títulos soberanos do Brasil nesta segunda-feira, citando preocupações fiscais e potenciais repercussões da troca no comando da Petrobras.

O Morgan Stanley disse que sua recomendação anterior positiva sobre a dívida soberana do Brasil dependia de o governo tratar das preocupações fiscais por meio de reformas.

"As mudanças na Petrobras são preocupantes nesse sentido, já que mostram que a tolerância a políticas impopulares é baixa, talvez direcionada por considerações eleitorais", disseram analistas do banco.

“Petróleo é nosso ou não é?”, questiona Bolsonaro

Bolsonaro afirmou que as reações à troca no comando da Petrobras significam que parte do mercado financeiro apoia uma política que só atendia a "alguns grupos”.

“Sinal que alguns do mercado financeiro estão muito felizes com a política que só tem um viés na Petrobras: atender aos interesses próprios de alguns grupos do Brasil. Nada mais além disso. Conheça as refinarias que a Petrobras decidiu vender”, afirmou o presidente.

Depois, voltou a questionar se o petróleo é de todos ou de um "pequeno grupo”.

“O petróleo é nosso ou é de um pequeno grupo no Brasil?

Quanto aos preços dos combustíveis, Bolsonaro afirmou que quer 'números concretos" da empresa, inclusive sobre o salário do presidente”, finalizou Bolsonaro.

Tiro de Bolsonaro pode ter saído pela culatra

Ao invés de resultar em queda da inflação, a medida pode levar a uma aceleração dos preços, devido à desvalorização do real frente ao dólar, como resultado do aumento da incerteza.

A taxa de câmbio influencia o preço de todas as commodities, incluindo os alimentos. Pesa ainda sobre os custos da indústria, que acabam sendo repassados ao consumidor ou prejudicando a saúde financeira das empresas.

O aumento do dólar

A moeda americana começou a semana em alta frente ao real, impulsionada pelo aumento do risco político das falas de Bolsonaro, mas a moeda desacelerou os ganhos ao longo da tarde, após atuação do Banco Central e alguma melhora no exterior.

O dólar spot subiu 1,31%, a 5,4551 reais na venda, nesta segunda-feira. A cotação variou entre 5,535 reais (+2,79%) —patamar alcançado imediatamente antes de o BC anunciar leilão de swap cambial— e 5,4316 reais (+0,87%), por volta de 16h15.

No mercado futuro da B3, o dólar bateu 5,5350 reais, máxima desde 6 de novembro do ano passado. A alta do dólar afeta, por exemplo, o preço das carnes, que já acumula alta de 23% em 12 meses até janeiro.

Descrição da imagem: o presidente Jair Bolsonaro está ao centro da imagem, de camisa branca, ajeitando sua calça preta a puxando para cima. Ao fundo, está a primeira-dama Michelle Bolsonaro com a mesma camisa branca e o mesmo adesivo azul, mas de máscara branca. Ao fundo de ambos está uma parede azul clara.