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Bolsonaro acusa Witzel de manipular a Polícia Civil do Rio para atacá-lo

Fabio Murakawa e Matheus Schuch

O presidente falou que o governador do Rio de Janeiro "botou na cabeça que tem que destruir a família Bolsonaro" O presidente Jair Bolsonaro voltou a atacar o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC). Ao lançar seu partido, o Aliança pelo Brasil, nesta quinta-feira, o presidente disse que Witzel não teria sido eleito sem o apoio da família Bolsonaro e que o governador está usando a Polícia Civil do Rio no caso da investigação do assassinato da vereadora Marielle Franco (Psol) para atacá-lo.

"Se não fosse meu filho Flávio Bolsonaro, o governador Witzel não teria sido eleito. É um direito dele, mas ele também botou na cabeça que tem que destruir a família Bolsonaro. Tenta fazer isso usando a Polícia Civil do Rio de Janeiro", afirmou.

Marcos Corrêa/Presidência da República/Arquivo

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Bolsonaro já havia culpado Witzel pelo vazamento do depoimento à Polícia Civil do porteiro do condomínio do presidente, que dizia ter falado com "seu Jair" para autorizar a entrada na propriedade de um dos suspeitos de assassinar a vereadora e o motorista Anderson Gomes. "Dizem alguns que [Witzel] em seu gabinete usa a faixa presidencial", falou o presidente.

Mais cedo, Bolsonaro atacou os partidos de esquerda, afirmando que seus integrantes não se interessam em resolver o caso Marielle, porque querem usar o fato em "causa própria".

Na última quarta-feira, o porteiro do condomínio onde o presidente tem casa mudou o depoimento dado à Polícia Civil do Rio de Janeiro. Anteriormente, o funcionário havia dito que autorizou a entrada de um dos suspeitos de assassinar a vereadora após falar com "o seu Jair" pelo interfone.

No novo depoimento, o porteiro disse à Polícia Federal (PF) que primeiro errou na anotação do número da casa. Depois, afirmou que, ao ser chamado pela Polícia Civil, ficou nervoso e passou a dizer que ouviu a voz de "seu Jair". A PF e a Defensoria confirmaram a oitiva do porteiro, mas não revelaram oficialmente seu teor.

O depoimento do porteiro à PF foi colhido em inquérito aberto a pedido do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro. Nesta quinta, o ministro defendeu a federalização das investigações, em uma em uma entrevista concedida à rádio CBN. Para Moro, a mudança de versão do porteiro do indica uma fraude contra Bolsonaro no processo. "Vendo esse novo episódio em que se busca politizar a investigação indevidamente, a minha avaliação [...] é que o melhor caminho é a federalização", afirmou.

A citação ao nome do presidente na investigação do caso Marielle levou Ministério Público do Rio de Janeiro a consultar o Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a possibilidade de seguir com a investigação no Rio de Janeiro, em razão do foro especial. A PGR afirmou que não havia indícios de envolvimento de Bolsonaro em razão dos fatos que contradiziam o depoimento.

Além disso, o procurador-geral da República, Augusto Aras, determinou, por solicitação de Moro, que ele fosse investigado por possível prática dos crimes de obstrução de Justiça, falso testemunho, denunciação caluniosa e violação a um artigo da Lei da Lei de Segurança Nacional, promulgada durante a ditadura militar.