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Bolsas têm forte alta em meio à apuração das eleições nos EUA

JÚLIA MOURA
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***FOTO DE ARQUIVO*** São Paulo, SP, Brasil, 24-01-2019: Cédulas de dólar. Papel Moeda. Dinheiro. (Foto Gabriel Cabral/Folhapress)
***FOTO DE ARQUIVO*** São Paulo, SP, Brasil, 24-01-2019: Cédulas de dólar. Papel Moeda. Dinheiro. (Foto Gabriel Cabral/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Apesar da indefinição e judicialização das eleições americanas, as principais Bolsas de Valores globais tiveram um pregão de forte alta nesta quarta-feira (4), levando o Ibovespa a subir 1,97%, a 97.867 pontos, e Wall Street a ter a melhor sessão desde junho.

O principal motivo para os ganhos foi a disparada das ações de gigantes de tecnologia nos Estados Unidos. Com republicanos à frente na corrida para compor maioria no Senado, as chances de um aumento de impostos a big techs ou de imposições de separação das empresas destes conglomerados diminuem.

"Nas últimas semanas, o mercado migrou de techs para bancos. Agora, temos o inverso. Além disso, as empresas de tecnologia estavam mais baratas com as fortes quedas da semana passada", diz Jorge Junqueira, sócio-gestor da Gauss Capital.

As ações do Facebook saltaram 8,3% e Amazon, 6,3%. As da Alphabet, controladora do Google, subiram 5%. Microsoft subiu 4,8% e Twitter, 2,5%. Já o Bank of America caiu 4% e JP Morgan, 3%.

A Bolsa de tecnologia Nasdaq teve forte alta de 3,85%. S&P 500 subiu 2,20% e Dow Jones, 1,34%.

Na Europa, o índice Stoxx 600, que reúne as maiores empresas da região, teve alta de 1,4%.

Na Ásia, o índice CSI 300, que reúne as maiores empresas das Bolsas chinesas de Xangai e Shenzhen, subiu 0,76%. A Bolsa de Tóquio teve elevação de 1,72% e a de Hong Kong caiu 0,21%.

Segundo Junqueira, os pregões tendem a ser de grande volatilidade, acompanhando o desenrolar da apuração nos EUA. "Os próximos dias devem ser mais ruidosos".

De acordo com William Castro Alves, estrategista chefe da Avenue Securities, o mercado vê que a vitória, independente dequal candidato, será contestada.

"Vamos ver volatilidade pelos próximos dias e, talvez, pelas próximas semanas. Mas, passando as eleições, o mercado volta a focar em um pacote fiscal e nas vacinas", diz Alves.

O real liderou os ganhos na sessão dentre as principais moedas globais, impulsionado pela queda nos juros futuros de longo prazo e dados da produção industrial brasileira acima do esperado.

Juros futuros são taxas de juros esperadas pelo mercado nos próximos meses e anos. Eles são a principal referência para os juros de empréstimos que são liberados atualmente, mas cuja quitação ocorrerá no futuro. Nesta sessão, os juros ficaram mais baratos com a aprovação da autonomia do Banco Central pelo Senado, na noite de terça (3).

Outro fator positivo para o mercado foi a produção industrial brasileira, que emendou o quinto mês consecutivo de alta em setembro após tombo recorde causado pela pandemia de Covid-19 e eliminou as perdas do pior período da crise.

O crescimento foi de 2,6% em comparação com o mês anterior, de acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Nos cinco meses de recuperação, o setor compensou a perda de 27,1% entre março e abril, quando a pandemia atingiu o país e levou ao fechamento de comércio.

O dólar fechou em queda de 1,830%, a R$ 5,6570. O turismo está a R$ 5,81.

Segundo Luciano Rostagno, estrategista-chefe do banco Mizuho, a performance superior do real em relação a seus pares emergentes se deu em razão da falta de confirmação de uma ampla vantagem do democrata Joe Biden contra o presidente republicano Donald Trump, candidato mais alinhado ao presidente do Brasil, Jair Bolsonaro (sem partido).

Já Roberto Motta, responsável pela mesa de futuros da Genial Investimentos, disse que mesmo uma vitória de Biden poderia ter resultados positivos para o Brasil.

"A plataforma do Biden será de gerar gastos de bilhões de dólares em infraestrutura, impulsionar a compra de commodities e melhorar as relações comerciais dos EUA", disse Motta, acrescentando que o fato de o Brasil ser a maior economia da América Latina seria motivo para uma aproximação de Biden, com suas divergências políticas em relação a Bolsonaro ficando em segundo plano.

Os preços do petróleo sobem 3,6%, a US$ 41,15, depois de Trump declarar vitória, apesar deestar atrás de Biden na contagem de votos. A reeleição do atual presidente é vista como altista para o setor de petróleo devido a sanções sobre o Irã e seu apoio aos cortes de oferta liderados pelos sauditas na Opep para suportar os preços.

Um resultado contestado, com incerteza prolongada, é considerado o panorama mais baixista possível para o petróleo e mercados em geral, enquanto uma vitória de Joe Biden seria baixista ou neutra, devido às suas políticas verdes e a um posicionamento mais leve em relação ao Irã.

O preço da matéria-prima ampliou os ganhos, atingindo as máximas da sessão, após dados mostrarem que os estoques de petróleo dos EUA recuaram em 8 milhões de barris na semana passada, com o furacão Zeta forçando interrupções de oferta na região do Golfo do México no período.

"Talvez a principal conclusão a ser tirada neste momento seja de que há apenas uma pequena possibilidade de que os incentivos fiscais ao setor petróleo e gás sejam removidos nos EUA - mesmo se Biden emergir como o vencedor -, dada a margem estreita da vitória e uma provável maioria republicana no Senado", disse Artem Abramov, chefe de pesquisas da Rystad Energy.