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Bolsas têm forte alta com vacina da Pfizer e vitória de Biden

JÚLIA MOURA
·6 minuto de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - As principais Bolsas globais tiveram um pregão de forte alta nesta segunda-feira (9), após o anúncio de eficácia de mais de 90% da vacina da Pfizer em parceria com a BioNTech e a vitória do democrata Joe Biden na corrida presidencial dos Estados Unidos. O Ibovespa fechou em alta de 2,57%, a 103.515 pontos, maior patamar desde 6 de agosto. Durante o pregão, o maior índice acionário do Brasil chegou a subir 4,18%, operando acima dos 105 mil pontos. Nos EUA, Dow Jones subiu 2,95% e S&P 500, 1,17%. Ambos atingiram recordes de pontuação durante o pregão, mas fecharam abaixo de suas máximas históricas. Aa duas novidades acalmam preocupações de longa data dos investidores: a pandemia de Covid-19, que bate recordes de casos nos EUA e na Europa, e as eleições da maior economia do mundo. “O pregão de hoje não é para se traçar tendência, é um solavanco com o choque da vacina e do Biden. A vacina ainda depende de muitos processos. Ainda não podemos pra dizer até onde essa alta tem fundamento”, diz Michael Viriato, professor do Insper. Apesar da vacina ainda não ter data para ser aplicada em massa, o indicativo de um tratamento eficaz leva investidores a apostarem em uma retomada das economias no próximo ano, o que se traduz na revisão de carteiras e compra de ações. Além disso, a americana Pfizer e a alemã BioNTech são bem conceituadas no mercado, o que dá mais credibilidade, aos olhos do mercado, à análise preliminar dos testes de fase 3 divulgada nesta segunda. As ações da Pfizer subiram 7,7% e as da Biotech, 13,9%. Da mesma forma, as sinalizações de que devem ser falhas as novas contestações na Justiça da campanha de Donald Trump contra o resultado das eleições dão mais segurança ao mercado, que temia uma judicialização que atrasasse a posse do novo presidente. “Essa resistência [de Trump] já estava sendo esperada. Só a aparição algum fundamento jurídico pode pesar sobre o sentimento do mercado com esta disputa agora e pelo que foi divulgado até agora, não há nada que comprometa o resultado”, afirmou Victor Beyruti, economista Guide Investimentos. Com a vitória de Biden, o dólar perdeu força internacionalmente. Analistas veem o governo do democrata como mais propenso a aumentar os gastos estatais, endividando os EUA e enfraquecendo sua moeda. Fora que a expectativa é de uma política de comércio exterior menos conturbada, o que deixa investidores menos avessos a risco. Neste movimento, o ouro caiu 4,4% e o dólar perdeu 1,9% de seu valor ante as principais moedas globais na semana passada, de acordo com o índice DXY. Nesta segunda, a tendência se repetiu até o meio da manhã, quando o dólar ganhou força. Ao fim do dia, o índice DXY subiu 0,7%. O real também refletiu estas oscilações. Por aqui, a moeda brasileira ainda foi afetada por declarações do vice-presidente Hamilton Mourão no fim da manhã desta segunda. Segundo ele, tudo indica que o Congresso não vai votar o Orçamento de 2021 ainda este ano e isso poderá afetar a nota de crédito do Brasil nas agências de classificação de risco. Em uma live organizada pelo banco Itaú, Mourão disse ainda que não existe planos por parte do governo de prorrogar a situação de emergência no país, que permitiria a continuidade de programas como o auxílio emergencial, porque isso obrigaria a um aumento da dívida do país e a deterioração da situação fiscal. Em outubro, a Moody’s sinalizou que poderia cortar o rating do Brasil caso o teto de gastos não fosse respeitado. Depois de oscilar entre R$ 5,23 pela manhã e R$ 5,43 ao fim da tarde, o dólar fechou estável nesta segunda, a R$ 5,386. O turismo está a R$ 5,54. “O Brasil ainda está estacionado no risco fiscal, apesar da euforia do mercado.O real já estava se beneficiando desse movimento na semana passada e hoje foi mais um ajuste. Com a nossa situação, é difícil ter dólar a R$ 5,20. Sem definição sobre o Renda Cidadã e Orçamento de 2021”, disse Beyruti. “Como estamos há algum tempo com o dólar em um patamar alto, quando se tem uma queda substancial quem precisa da moeda americana aproveita a janela e gera essa correção no câmbio”, afirmou Fabrizio Velloni, economista-chefe da Frente Corretora de Câmbio. Com a notícia de uma vacina cada ve mais próxima, papéis ligados ao turismo, um dos setores mais impactados pela pandemia, saltaram no pregçai desta segunda. As ações da Gol e da Azul avançaram 19,9% e 18,4%, respectivamente, entre as maiores altas do Ibovespa. A CVC se valorizou 10,46% e a Embraer saltou 13%, antes do balanço da empresa no começo da terça (10). Com a perspectiva de uma demanda maior por combustíveis, o barril de petróleo subiu mais de 10% na sessão. Ao fim do pregão, o barril de Brent (referência interncaional) sobe 6,7%, a US$ 42,08. As ações preferenciais (sem direiro a voto e mais negociadas) da Petrobras dispararam 9,42% e as ordinárias (com direiro a voto), 10,2%. As administradoras de shopping Multriplan, BR Malls e Iguatemi subiram 14%, 12% e 12,3%, respectivamente. Os bancos também saltaram. O Itaú ganhou 8,1% e as ações peferenciais do Bradesco tiveram acréscimo de 9,5%. Banco do Brasil teve alta de 7,25% e Santander, de 7,6%. A exceção entre os papéis de bancos foi o BTG Pactual, que caiu 2%, antes do balanço do terceiro trimestre, esperado para a terça (10), antes da abertura da Bolsa. O papel da Enjoei caiu 4,8% em sua estreia na B3 após precificar o IPO (oferta inicial de ações) na semana passada a R$ 10,25 por ação, no piso da faixa estimada, levantando R$ 1,1 bilhão. O volume financeiro na Bolsa brasileira totalizou R$ 49,1 bilhões, bem acima da média diária de 2020 de R$ 29,9 bilhões. O giro recorde segue o de 18 de dezembro de 2019, quando movimentou R$ 54,9 bilhões líquidos do exercício sobre o Ibovespa que aconteceu no mesmo dia, com o total da sessão ficando em R$ 79,6. Nos Estados Unidos, a Boeing subiu 13,7%, a American Express 21,4% e a companhia de cruzeiros Carnival, 39,3%. Enquanto alguns papéis se beneficiam com o que pode ser o início do fim da pandemia, empresas que se valorizaram com o distanciamento social operaram em forte queda nesta segunda, levando a Bolsa de tecnologia Nasdaq a cair 1,5%. A Netflix recuou 8,6% e a empresa de videoconferências Zoom cedeu 17,4%. A Mercado Livre, negociada em Nova York, perdeu 10,4% e a Amazon, 5%. O setor de comércio eletrônico é um dos que mais têm se beneficiado das medidas de distanciamento social para evitar a disseminação de Covid-19.