Mercado fechado

Bolsas de NY viram e fecham em alta após anúncio do Fed

Rafael Vazquez e André Mizutani, Com Dow Jones Newswires

O BC americano anunciou uma mudança no seu programa de crédito corporativo e incluirá, agora, a compra de títulos corporativos individuais As bolsas de Nova York reverteram as quedas vistas durante o período da manhã desta segunda-feira (15) e fecharam em alta após um novo considerável impulso do Federal Reserve (Fed). O banco central americano anunciou uma mudança no seu programa de crédito corporativo e incluirá, agora, a compra de títulos corporativos individuais para dar suporte à liquidez do mercado financeiro, ao invés de incluir apenas fundos negociados em bolsa (ETF, na sigla em inglês).

O Fed revisou a tabela de ativos no site da instituição, incluindo a compra direta de títulos, baseada em "um índice amplo e diversificado de títulos corporativos do mercado americano". Essas compras, disse a instituição, complementarão a compra de ETFs.

Com o anúncio, os principais índices acionários de Nova York, que já vinham reduzindo gradualmente as perdas ao longo da sessão, saltaram para território positivo e terminaram o dia com ganhos. O Dow Jones avançou 0,62%, a 25.763,16 pontos, o S&P 500 subiu 0,83%, a 3.066,59 pontos, e o Nasdaq valorizou 1,43%, a 9.726,02 pontos.

Entre os 11 índices setoriais do S&P 500, as ações de comunicação e serviços financeiros lideraram os ganhos com altas de 1,37% e 1,11%, respectivamente, enquanto o setor de energia foi o único que não conseguiu se recuperar completamente e terminou com leve queda de 0,08%, mesmo após os preços do petróleo terem tido a sua própria virada ao fecharem em alta acima de 2%.

A American Express subiu 2,23% depois de obter a aprovação do banco central chinês para emitir cartões para pagamentos no país asiático.

Os preços do petróleo WTI, a referência americana, aumentaram 2,4%, para US $ 37,12, e o rendimento dos Treasuries de dez anos viraram e passaram a subir para 0,717%, ao invés da queda registrada mais cedo, quando os mercados ainda sentiam o clima de aversão ao risco no início do dia.

Aceleração de casos de covid-19

Apesar do fechamento positivo, a sessão em Wall Street começou negativa com os investidores globais preocupados com o ressurgimento de infecções por covid-19 na China e nos EUA.

De acordo com Michael Osterholm, diretor do Centro de Pesquisa de Doenças Infecciosas da Universidade de Minnesota, o número de casos está acelerando em 22 Estados americanos, segue estável em oito e recua em 20 Estados. Falando em entrevista à Fox News, Osterholm ressaltou que a aceleração não se deve apenas a um acesso maior à testes, dado que o número de hospitalizações também acelerou.

As infecções por covid-19 nos EUA superaram 2 milhões na semana passada, de acordo com dados do Johns Hopkins Center e se aproximam dos 2,1 milhões. O número de mortos superou os 115 mil no fim de semana.

"No geral, é possível que globalmente estejamos protegendo melhor os mais vulneráveis e, mesmo que vejamos uma segunda onda de infecções, ela pode não ser tão mortal quanto a primeira. De qualquer modo, esperamos que o mercado fique obcecado com estes Estados nesta semana", disse Jim Reid, estrategista do Deutsche Bank, à Dow Jones Newswires.

Antes mesmo do anúncio do Fed sobre a compra de títulos corporativos individuais, dezenas de ações já se recuperavam das mínimas para ajudar a afastar os principais índices das perdas mais acentuadas. Os analistas atribuíram o movimento à compra de ações em baixa de empresas de tecnologia, comunicação e industriais.

É um cabo de guerra, disseram analistas, entre investidores preocupados com um possível ressurgimento de casos de covid-19 e o impacto duradouro que as paradas econômicas terão contra aqueles que observam ações negociadas a preços mais baratos

"Muitos investidores realmente são otimistas", disse Brad Lamensdorf, gerente de portfólio do ETF AdvisorShares Ranger Equity Bear, chamando o fenômeno de "perturbador".

Os chamados índices de força relativa e outras métricas sugerem que as ações foram compradas em excesso, disse Lamensdorf. Da perspectiva dele, alguns preços das ações podem parecer atraentes por si só, mas a incerteza paira sobre quase todos os aspectos do mercado, desde como algumas indústrias, entre elas as de viagens, serão alteradas pela pandemia até como será a demanda industrial no fim deste ano.

Os indicadores do sentimento dos investidores mostram que eles estão com menos medo agora do que há um mês. Segundo uma pesquisa da Associação Americana de Investidores Individuais, a porcentagem de investidores que afirmou ter alta nas ações nos próximos seis meses subiu para 34%, neste mês, ante quase 24% no início de abril.

Esse otimismo contribuiu para as ações que estão intimamente ligadas à reabertura da economia, reduzindo suas perdas mais uma vez nesta segunda-feira, disseram analistas. As companhias aéreas, por exemplo, estavam majoritariamente no vermelho. Mas, nesta tarde, American Airlines e Delta Air Lines chegaram a ficar no positivo e, no fim, tiveram apenas quedas leves.