Bolsas de NY terminam mistas em dia de agenda cheia

As Bolsas de Nova York fecharam em direções divergentes nesta quarta-feira, com pequenas variações. Os mercadores foram pressionados pela projeção desanimadora do Banco Mundial para a economia global este ano e os receios com a discussão sobre o teto da dívida dos Estados Unidos. Nem mesmo alguns indicadores positivos e balanços surpreendentes de bancos foram suficientes para elevar o ânimo dos investidores.

O índice Dow Jones perdeu 23,66 pontos (0,17%) e fechou a 13.511,23 pontos. O S&P 500 ganhou 0,29 ponto (0,02%), terminando a 1.472,63 pontos. E o Nasdaq avançou 6,76 pontos (0,22%), encerrando a 3.117,54 pontos.

O Banco Mundial divulgou na noite passada seu relatório com novas projeções para a economia global, no qual estima um crescimento de apenas 2,4% este ano, pouco acima do registrado em 2012. A previsão anterior era de expansão de 3%. A instituição afirma que as batalhas orçamentárias nos EUA estão limitando o crescimento em todo o mundo, representando um risco maior para a economia global do que a crise da zona do euro.

Entre os dados macroeconômicos dos EUA, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) de dezembro ficou estável ante novembro, em linha com a expectativa dos analistas. O núcleo do CPI, que exclui os preços voláteis de energia e alimentos, subiu 0,1% no mês passado, ante previsão de acréscimo ligeiramente maior, de 0,2%. Já a produção industrial norte-americana cresceu 0,3% em dezembro, como esperado, atingindo o maior nível desde meados de 2008.

A Associação Nacional das Construtoras de Casas (NAHB) divulgou que o índice de confiança das construtoras dos EUA deixou de subir pela primeira vez em nove meses, permanecendo estável em 47 em janeiro, ainda o maior nível desde abril de 2006. O resultado ficou abaixo das expectativas dos analistas consultados pela Dow Jones, que esperavam alta para 48.

O relatório Livro Bege, divulgado pelo Federal Reserve nesta tarde, trouxe poucas novidades sobre a avaliação do banco central em relação à economia dos EUA. No estudo, a autoridade monetária diz que a economia se expandiu em dezembro e nos primeiros dias de janeiro, com a aceleração do mercado de imóveis residenciais, mas o mercado de mão de obra teve poucas mudanças.

Para Kim Forrest, estrategista sênior de ações da Fort Pitt Capital Group, a resiliência dos mercados nos últimos dias é impressionante, mas os investidores estão temerosos com as projeções para a economia global e as discussões fiscais nos EUA. "Não estou pessimista nem otimista a essa altura. Estou tentando entender melhor como navegar nesse cenário. Os volumes de negociação estão baixos, e isso mostra a falta de convicção dos investidores", comenta.

No noticiário corporativo, os destaques foram os balanços dos bancos. O lucro do JPMorgan Chase no quarto trimestre de 2012 cresceu 53%, para US$ 5,69 bilhões, ou US$ 1,39 por ação. O resultado ficou bem acima do lucro registrado no mesmo período do ano anterior, de US$ 3,73 bilhões (US$ 0,90 por ação). No ano de 2012, o banco teve um lucro líquido recorde, de US$ 21,3 bilhões, acima do lucro de US$ 19 bilhões em 2011.

O Goldman Sachs informou que teve lucro líquido de US$ 2,89 bilhões no quarto trimestre (US$ 5,60 por ação), uma alta de 186% na comparação com os últimos três meses de 2011. O lucro do U.S Bancorp avançou 5,2%, para US$ 1,42 bilhão. E o lucro do Bank of New York Mellon cresceu 23%, para US$ 622 milhões. Na quinta-feira (17), Citigroup e Bank of America liberam seus balanços.

Neste pregão, a maioria dos bancos fechou no positivo (JPMorgan +1,01%, Goldman Sachs +4,06%, Morgan Stanley +0,54% e Bank of America +1,99%), mas alguns registraram perdas (Citigroup -0,21%, BNY Mellon -2,76% e U.S. Bancorp -0,39%).

Outro destaque foram os papéis da Boeing, que recuaram 3,38%, após a notícia de que uma aeronave do novo modelo 747 Dreamliner, pertencente à companhia aérea japonesa All Nippon Airways (ANA), apresentou problema no motor e teve de fazer um pouso de emergência no Japão. Tanto a ANA quanto a concorrente Japan Airlines (JAL) decidiram suspender voos com aviões do modelo, que já se envolveu em seis incidentes apenas neste ano.

A Apple ganhou 4,15%, após perdas recentes. Ainda no setor tecnológico a Hewlett-Packard avançou 4,11%, em meio a relatos de que a companhia recebeu manifestações de interesse de potenciais compradores para suas unidades Autonomy e EDS. As informações são da Dow Jones.

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