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Bolsas de NY têm novo dia de alta e Nasdaq anota mais uma máxima histórica

Victor Rezende

Diante dos sinais cada vez mais fortes de uma retomada da atividade econômica mais acelerada do que o antecipado pelos mercados, os investidores foram novamente às compras em Nova York e os principais indicadores acionários americanos encerraram o pregão desta terça-feira em alta firme. O índice Nasdaq, inclusive, voltou a atingir máxima histórica, com suporte dos papéis da Apple, enquanto a perspectiva dos agentes para as bolsas nova-iorquinas se mantém no trilho positivo.

Na Bolsa de Valores de Nova York (Nyse), o índice Dow Jones encerrou o pregão em alta de 0,50%, aos 26.156,10 pontos, enquanto o S&P 500 terminou o dia com 3.131,29 pontos (+0,43%). Já o Nasdaq fechou em alta de 0,74%, com 10.131,37 pontos, após ter alcançado o recorde intradiário aos 10.221,85 pontos.

O desempenho surpreendente do índice eletrônico tem revelado a força das empresas de tecnologia para o mercado de ações nos Estados Unidos. A Apple voltou a ser o destaque do dia, após sua ação dar prosseguimento à tendência de máximas históricas consecutivas. Hoje, a ação da companhia fechou o dia em alta de 2,13%, negociada a US$ 366,53, ainda colhendo os bons frutos da edição de 2020 do WWDC, que ocorreu ontem, onde a fabricante de iPhones anunciou novidades para seu sistema operacional. Os analistas do UBS, após o evento, elevaram o preço alvo da ação da Apple de US$ 325 para US$ 400.

É preciso ressaltar, porém, que o bom humor do mercado veio na esteira do forte resultado dos índices de gerentes de compras (PMIs) de junho na zona do euro, que superaram a expectativa dos agentes do mercado. “No geral, acreditamos que os PMIs de junho são indicativos de uma recuperação contínua da atividade econômica em toda a zona do euro, dada a natureza de sua relação empírica com medidas de atividade como o PIB”, afirma o economista Nikola Dacic, do Goldman Sachs.

Em solo americano, porém, a IHS Markit informou que o PMI industrial americano avançou para 49,6 pontos na leitura preliminar de junho, enquanto o consenso do mercado apontava para o índice ligeiramente maior, a 50,0 pontos. Já no setor de serviços, o PMI subiu para 46,7 este mês, também abaixo do projetado pelos agentes (48,0 pontos). Em compensação, as vendas de moradias novas exibiram alta expressiva na passagem de abril para maio e o índice de atividade manufatureira da distrital de Richmond do Federal Reserve (Fed) teve desempenho acima do esperado.

Com os estímulos monetário e fiscal sem precedentes, inclusive, os estrategistas do Morgan Stanley acreditam que o desempenho forte do mercado acionário americano veio para ficar. “À medida que o ciclo é atualizado, a aceleração do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), aumento da inflação, dos rendimentos, dos PMIs e da confiança do consumidor tendem a favorecer o desempenho cíclico”, afirmam os estrategistas.

Já os temores relacionados a uma segunda onda de infecções pelo novo coronavírus nos EUA permaneceram no radar, no momento em que o aumento de casos da covid-19 em alguns estados americanos chama atenção. Para o economista-chefe para EUA do Royal Bank of Canada, Tom Porcelli, embora estados como Texas, Arizona, Flórida e Carolina do Sul tenham registrado aumento no número de infecções, “o comportamento do consumidor não respondeu negativamente até agora”.

Em relatório enviado a clientes, Porcelli nota que, ao observar as reservas em restaurantes, o Arizona é o único caso dos quatro estados em que o número saiu das máximas recentes, enquanto Flórida, Carolina do Sul e Texas continuam a ver uma tendência de alta nas reservas para jantar em restaurantes. “Achamos que os consumidores têm maior probabilidade de reagir negativamente se o aumento no número de casos se traduzir em uma alta expressiva no número de mortes diárias. O avanço nas infecções representa um ruído. O sinal seria se essa alta realmente se traduzisse em mortes. E esse aspecto precisa ser observado de perto”, diz Porcelli.