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Bolsas de NY renovam recordes mesmo com impasse sobre EUA-China

Rafael Vazquez e Gabriel Roca

Com os desempenhos desta sexta (8), o S&P 500 ainda encerrou a semana em alta de 0,85%, o Dow Jones avançou 1,22% e o Nasdaq valorizou 1,06% Novos recordes foram batidos em Wall Street nesta sexta-feira (8), embora a cautela tenha estado mais presente no pregão de hoje, diante da declaração do presidente americano, Donald Trump, de que não concordou em retirar tarifas impostas na guerra comercial contra a China, contrariando a versão de Pequim.

Depois de oscilar, o Nasdaq fechou o dia em alta de 0,48%, aos 8.475,31 pontos, renovando mais uma vez a sua máxima histórica de fechamento. Desde a sexta da semana passada (1º), o índice superou o seu recorde quatro vezes. A performance de hoje foi incentivada pela alta da Qualcomm, que se valorizou 4,50%, dando continuidade aos ganhos depois que a fabricante de chips divulgou balanço com lucros de US$ 506 milhões e sinalizou um forte ano pela frente para as vendas de telefones 5G. As ações da Microsoft, representativas dentro do índice, subiram 1,18%.

Efeito pré-sal e pressões externas fazem Ibovespa recuar e dólar disparar

O S&P 500 também renovou o recorde de fechamento pelo segundo dia consecutivo ao encerrar a jornada desta sexta em alta de 0,26%, aos 3.093,08 pontos. O índice também renovou sua máxima histórica quatro vezes desde a semana passada.

Já o Dow Jones operava em queda moderada até minutos antes do fechamento, quando virou para uma alta leve de 0,02%, aos 27.681,24, renovando também seu recorde pelo segundo dia consecutivo e pela quarta vez em uma semana.

Antes da sexta-feira passada, os recordes dos três índices de Nova York eram de julho. Com os desempenhos de hoje, o S&P 500 ainda encerrou a semana em alta de 0,85%, o Dow Jones avançou 1,22% e o Nasdaq valorizou 1,06%.

Apesar dos novos recordes, o pregão foi marcado por oscilações com a saga da guerra comercial ainda no foco. Na quinta (7), o Ministério de Comércio da China anunciou que havia sido alcançado um entendimento com os Estados Unidos para a remoção gradual de tarifas aplicadas durante a guerra comercial, que já dura seis meses. No entanto, a negativa dada por Donald Trump, hoje, confirmou os relatos de que há forte resistência na Casa Branca sobre a iniciativa, o que joga novamente incerteza sobre a chance de os dois países assinarem um acordo, mesmo que parcial, em dezembro já que a retirada das sobretaxas é uma demanda chinesa nas negociações.

“Como já estivemos aqui antes, é preciso ter cautela, apenas para descobrir que os dois lados recuaram devido a preocupações de que podem ser percebidos como flexíveis demais", disse Michael Hewson, analista-chefe de mercado na CMC Markets UK, em relatório.

"Até vermos algum tipo de acordo comercial, mas o nível de incerteza — que acabará se traduzindo em volatilidade no mercado — persistirá", reforçou Brian O'Reilly, diretor de estratégia de investimentos da Mediolanum International Funds, com sede em Dublin, à Dow Jones Newswires.

Destaques

Dos 11 setores do S&P 500, oito acabaram fechando no lado positivo, com o setor de saúde liderando os ganhos com alta de 0,80%. Em seguida, os papéis das empresas de tecnologia, que, no conjunto, obtiveram alta de 0,59%. Fecharam em queda apenas os setores de utilidades de serviços públicos (-0,38%), imobiliário (-0,23%) e energia (-0,81%), que não se recuperou a tempo de acompanhar a estabilização dos preços do petróleo na sessão. As ações da Exxon Mobil, por exemplo, caíram 1,90%.

Entre outras ações em destaque, as da Walt Disney Co. subiram 3,76%, depois que a gigante de mídia e entretenimento informou lucro de US$ 1,05 bilhão no trimestre, ou US$ 1,07 por ação, em comparação com US$ 2,32 bilhões ou US$ 1,55 por ação, no mesmo período do ano anterior, e receita de US$ 19,1 bilhões, ante US$ 14,3 bilhões no ano anterior.

Já a Gap informou, hoje, que seu CEO, Art Peck, deixará o cargo. Além disso, sinalizou que os ganhos no final do ano fiscal serão mais fracos do que o esperado, o que levou as ações da empresa a caírem 7,64%.