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Bolsas de NY reduzem ganhos após discurso de Trump; Nasdaq renova máxima

Gabriel Roca

Em seu discurso no Clube Econômico de Nova York, nesta terça-feira (12), os investidores aguardavam alguma sinalização positiva do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a respeito da assinatura do acordo comercial "de primeira fase" - que há semanas vem sustentando o rali das ações em Wall Street. No entanto, nenhuma novidade foi oferecida e o tom áspero utilizado contra a China, em algumas partes do discurso, contribuiu para a desaceleração dos índices acionários em Nova York hoje, que encerraram o dia próximos da estabilidade.

O Dow Jones terminou a sessão estável, aos 27.691,49 pontos, exatamente na mesma pontuação da véspera — a maior de fechamento da história. O S&P 500 avançou 0,16%, para 3.091,84 pontos e ficou ligeiramente abaixo de sua máxima 3.093,08 pontos. O Nasdaq avançou 0,26%, para 8.486,09 pontos, e renovou seu recorde de fechamento anotado na última sexta-feira (8).

Em meio às tratativas entre autoridades americanas e chinesas para a finalização da primeira fase do acordo comercial com a China, o presidente disse estar otimista hoje, em seu discurso no Clube Econômico de Nova York, mas fez ressalvas.

"Eles estão morrendo de vontade de fazer um acordo", afirmou Trump. "Estamos perto, mas só aceitaremos um acordo se for bom para os Estados Unidos, nossos trabalhadores e nossas grandes empresas", acrescentou.

Trump também reforçou críticas ao status de "país em desenvolvimento" da China e da Índia na Organização Mundial do Comércio (OMC) e também afirmou que "muito mais custoso do que a guerra comercial seria deixar a China à vontade e não fazer nada a respeito".

Após a fala de Trump, Hu Xijin, editor do "Global Times" — veículo considerado o porta-voz do governo chinês — fez comentários ao conteúdo do discurso do líder americano. "Muitas críticas e reclamações do presidente Trump sobre a China, em seu último discurso, mas quase nada de novo. Declarações semelhantes de altas autoridades americanas já entediaram as pessoas. Parece que esse governo dos Estados Unidos realmente acredita que uma mentira repetida mil vezes se torna verdade", escreveu ele em sua conta do Twitter.

Os índices acionários, que vinham sendo negociados bem acima de suas máximas históricas de fechamento mais cedo, passaram a oscilar em torno da estabilidade. Os investidores têm sido particularmente sensíveis às manchetes relacionadas ao comércio nos últimos meses e ampliaram a demanda por ações à medida que as tensões diminuíam nas últimas semanas. Segundo analistas, os cortes nas taxas de juros do Federal Reserve também têm sido um fator de suporte às ações.

"Ainda não acho que estamos fora de perigo", disse Matt Miskin, co-estrategista-chefe de investimentos da John Hancock Investment Management. "Não parece que um acordo comercial esteja finalizado, de forma alguma. Mas o alívio nisso tudo é o Fed cortando as taxas de juros", afirmou à Dow Jones Newswires.

Powell

Nesta quarta (13), os investidores devem monitorar o discurso do presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, que dará um depoimento no Congresso americano sobre o estado da economia do país, às 13 horas (horário de Brasília). Na quinta-feira (14), ao meio dia, Powell conversará com o Comitê do Orçamento da Câmara.

No noticiário corporativo, sete dos 11 índices setoriais do S&P 500 fecharam a sessão de hoje com ganhos, com destaque para o setor de saúde, que avançou 0,58%. Dentro do índice Dow Jones, os papéis da Disney, seguidos pelos da Merck lideraram os ganhos, com altas de 1,35% e 1,01%, respectivamente.