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Bolsas de NY recuam após Califórnia suspender reabertura da economia

Rafael Vazquez

Dos três principais índices de Nova York, somente o Dow Jones fechou em leve alta de 0,04%; S&P 500 recuou 0,94% e o Nasdaq, 2,13% As bolsas de Nova York perderam os fortes ganhos do dia na reta final do pregão desta segunda-feira (13) após eventos inesperados que surgiram durante a tarde, com destaque sobretudo para o anúncio do governo da Califórnia anunciando novo fechamento de estabelecimentos com atividades em ambientes internos, como restaurantes, bares, cinemas, academias de ginástica, salões de cabeleireiros, igrejas e museus. A decisão foi tomada diante do aumento persistente de casos de covid-19 no Estado.

Após a forte alta acima de 1% na primeira metade da sessão, estimulada pela temporada de balanços corporativos do segundo trimestre, na qual os investidores sinalizaram esperar resultados menos sombrios do que os previstos, a notícia sobre o fechamento de estabelecimentos na Califórnia varreu os ganhos. O Dow Jones terminou o dia em leve alta de 0,04%, a 26.085,80 pontos, mas os demais índices de Wall Street não resistiram. O S&P 500 fechou em queda de 0,94%, a 3.155,22 pontos, e o Nasdaq, que renovou a máxima intradiária ao atingir 10.824,78 pontos, virou completamente e fechou com perdas de 2,13%, a 10.390,84 pontos.

Pouco antes da notícia da Califórnia, a volatilidade já havia sido engatilhada depois que o presidente do Federal Reserve de Dallas, Robert Kaplan, disse que os empréstimos concedidos pelo banco central americano às empresas não serão dados por tempo indefinido, sinalizando que podem diminuir, caso a economia melhore.

Destaques

Além disso, as ações da Tesla influenciaram no primeiro movimento de correção do dia. Depois de subirem 14%, as ações da empresa oscilaram entre perdas e ganhos e fecharam em queda de 3%.

O VIX, índice que mede a volatilidade no S&P 500 conhecido como “termômetro do medo” em Wall Street, subiu 17,96% nesta segunda-feira e foi a 32,19 pontos.

Amanhã o dia também deve ser agitado em Nova York diante da abertura praticamente oficial da temporada de balanços de lucros do segundo trimestre, período em que a economia foi severamente afetada pelas paralisações causadas pela pandemia do novo coronavírus, principalmente na primeira parte do período. Estão programados balanços importantes do setor financeiro, como os do J.P. Morgan, do Citigroup e do Wells Fargo.

A Pepsico já divulgou os seus resultados nesta segunda com dados melhores do que o esperado. A companhia afirmou que ganhou US$ 1,32 por ação, uma vez que a receita caiu 3,1%, para US$ 15,95 bilhões. Analistas esperavam ganhos de US$ 1,25 por ação e receita de US $ 15,37 bilhões. A empresa, contudo, se recusou a dar uma perspectiva financeira para o ano, mas sua garantia quanto aos pagamentos dos dividendos ajudou a elevar as ações em 2,43% nas negociações de pré-mercado — os papéis da companhia fecharam o pregão de hoje em alta de 0,33%, cotados a US$ 134,91.

No geral, analistas esperam que os lucros das empresas listadas nas bolsas de Nova York caiam entre 40% e 50%, mas as projeções ajustadas para baixo podem trazer resultados surpreendentes capazes de ajudar os índices a se levantarem depois da queda de hoje.

“Mesmo que vejamos alguns números desfavoráveis, os investidores ainda podem encontrar motivos para otimismo”, explica o analista da Oanda, Craig Erlam. Porém, ele deixa um questionamento em sua nota diária enviada a clientes. “A pergunta é: A barra foi ajustada o suficiente? E o que as empresas terão a dizer sobre o que está por vir? Muitos se recusaram a oferecer orientação há três meses e todo mundo perdoou, talvez não aconteça o mesmo desta vez, especialmente acompanhando o que será um número horrível”.