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Bolsas de NY fecham sem direção única, com resultados fracos de varejistas

Gabriel Roca

Em dia volátil, o Nasdaq teve força para ultrapassar sua marca histórica de fechamento anotada na segunda e chegou aos 8.570,66 pontos Os índices acionários em Nova York oscilaram durante a sessão desta terça-feira (19) e terminaram o dia sem direção única, com os investidores buscando dar sequência ao rali em Wall Street. Os resultados trimestrais fracos de empresas varejistas e a queda nos preços do petróleo pressionaram as ações ao longo do dia, mas o Nasdaq teve força para ultrapassar sua marca histórica de fechamento anotada na segunda (18).

A falta de progresso nas negociações comerciais entre Estados Unidos e China, no entanto, limitou uma alta mais pronunciada dos papéis na bolsa americana. O Dow Jones terminou o dia em queda de 0,36%, aos 27.934,02 pontos, se afastando moderadamente de sua máxima histórica da véspera. O S&P 500 recuou 0,06%, fechando aos 3.120,18 pontos, enquanto o Nasdaq avançou 0,24%, aos 8.570,66 pontos.

Destaques

As ações das varejistas estiveram entre as maiores perdedoras da sessão desta terça — hoje teve início a divulgação de resultados do terceiro trimestre para o setor. Os papéis da Home Depot recuaram 5,44% — maior queda do Dow Jones — após a companhia ter reduzido sua estimativa de crescimento de vendas. Já as ações da Kohl's desvalorizaram 19,49%, após a loja de departamentos ter revisado para baixo sua projeção de lucros para o ano.

A perspectiva mais negativa de ambas as empresas para o curto prazo pesou sobre as ações de outras varejistas, com os investidores receosos sobre o vigor de um setor que tem apresentado bons resultados neste ano. A Macy's, que deve reportar ganhos no final da semana, caiu 10,90%, enquanto a Nordstrom desvalorizou 6,26%. A Gap recuou 3,01%.

Segundo Nick Reece, analista sênior da Merk Investments, uma queda nas ações em Wall Street, neste momento, não é realmente uma surpresa. "Vimos o sentimento ficar bastante otimista", disse ele. "Provavelmente está um pouco exagerado", afirmou à Dow Jones Newswires.

Pressionadas pela queda dos preços do petróleo, as ações do setor de energia recuaram em bloco na sessão. O segmento cedeu 1,47%, na maior queda do S&P 500 hoje. Os papéis da Chevron recuaram 1,77% e os da Exxon Mobil fecharam com perdas de 1,02%. Os contratos futuros do West Texas Intermediate (WTI) caíram 3,22%, a US$ 55,21 o barril na Bolsa de Mercadorias de Nova York (Nymex).

Acordo EUA-China

Sobre o noticiário envolvendo as disputas comerciais com a China, hoje, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou elevar ainda mais as tarifas comerciais sobre produtos chineses, segundo a rede CNBC, caso o país asiático não aceite firmar a primeira fase do acordo comercial.

“A China tem que fazer um acordo. Veremos o que vai acontecer. Se eles não fizerem um acordo, elevarei ainda mais as tarifas”, declarou o mandatário americano, após reunião de gabinete.

Efeito Hong Kong

A declaração de Trump não provocou grande impacto na trajetória dos ativos financeiros. No entanto, os investidores relataram temores com outra movimentação em Washington. Embora o foco principal na capital sejam as contínuas audiências de impeachment, agentes do mercado disseram que também estavam preocupados com um projeto de lei que tramita no Senado americano e é favorável aos manifestantes de Hong Kong.

Os investidores analisam como isso pode afetar a continuidade das negociações sobre o acordo comercial entre os governos americano e chinês. O projeto, se aprovado, permitiria sanções contra qualquer pessoa que viole a autonomia de Hong Kong e sua votação pode acontecer a partir desta terça.

"Alguns acham que os traders estão preocupados com o fato de uma votação no Senado sobre Hong Kong poder arruinar a chance de um acordo comercial", disse Art Cashin, que dirige as operações do UBS na Bolsa de Nova York (Nyse), à Dow Jones Newswires.