Bolsas de NY fecham em queda, mas sobem na semana

As Bolsas de Nova York fecharam em queda nesta sexta-feira, após ficar claro o impasse nas negociações entre o Congresso dos Estados Unidos e a Casa Branca para evitar o abismo fiscal, com os republicanos cancelando uma votação na Câmara. Mesmo assim, os principais índices acionários registraram ganhos na semana, depois da divulgação de diversos indicadores econômicos positivos.

O índice Dow Jones recuou 120,88 pontos (0,91%), fechando a 13.190,84 pontos. Na semana houve avanço de 0,43%. O Nasdaq perdeu 29,38 pontos (0,96%), encerrando a 3.021,01 pontos. No acumulado da semana, houve alta de 1,67%. E o S&P 500 teve queda de 13,54 pontos (0,94%) e fechou a 1.430,15 pontos. Na semana, o índice ganhou 1,17%.

Os indicadores econômicos divulgados mais cedo nos EUA foram positivos, como a alta de 0,7% nas encomendas de bens duráveis em novembro, que contrariou as expectativas dos analistas, que esperavam queda de 0,1%. Além disso, os gastos dos consumidores subiram 0,4% em novembro, enquanto a renda pessoal avançou 0,6%.

O Federal Reserve de Chicago informou que o Índice Nacional de Atividade, uma barômetro bastante observado da economia norte-americana, subiu para 0,10 em novembro, de -0,64 em outubro, enquanto a média móvel de três meses aumentou para -0,20, de -0,59. E o índice de atividade industrial do Fed de Kansas City subiu para -2 em dezembro, de -6 em novembro. Ainda foi divulgado o índice de sentimento do consumidor dos EUA, medido pela Reuters/Universidade de Michigan, que caiu para 72,9 na leitura final de dezembro, de 74,5 na leitura preliminar e 82,7 em novembro.

Mas o impasse sobre o abismo fiscal pressionou os mercados. O cancelamento da votação do plano B dos republicanos na noite passada na Câmara deixou claro que um acordo fiscal está distante. O presidente da Casa, o republicano John Boehner, disse que seu partido ainda está disposto a fechar um acordo com a Casa Branca. Mas ele comentou também que o presidente Barack Obama não leva a sério os principais desafios enfrentados pelos EUA e nada do que o governo propôs até agora resolve a questão dos gastos públicos.

Na sequência, o líder da maioria no Senado, o democrata Harry Reid, foi ao plenário da Casa nesta tarde para afirmar que o plano fiscal de John Boehner "nasceu morto" e o criticar por desperdiçar uma semana de negociações com "acrobacias políticas".

Reid avisou a Boehner que as negociações para evitar o abismo fiscal "não são um jogo" e que haverá consequências muito sérias para a economia norte-americana se os cortes de gastos e aumentos de impostos entrarem em vigor no começo do ano que vem.

"Os dois lados parecem mais distantes do que nunca. Com base nas informações públicas, parece que há um impasse, então nós provavelmente teremos turbulências pela frente", diz John Carey, vice-presidente-executivo da Pioneer Investments. "Não será um fim de ano tranquilo, como geralmente acontece", acrescenta.

Na Europa, o primeiro-ministro da Itália, Mario Monti, renunciou, após o Parlamento aprovar o Orçamento para 2013. O presidente do país, Giorgio Napolitano, deve se reunir com líderes políticos no sábado e convocar eleições gerais, provavelmente para 24 de fevereiro.

No noticiário corporativo, as ações da canadense Research in Motion despencaram 22,73%, após a fabricante do smartphone BlackBerry informar na noite passada sobre mudanças não especificadas em uma importante fonte de receita. A companhia divulgou resultados trimestrais melhores do que o esperado, mas o executivo-chefe, Thorsten Heins, disse que o modelo de receitas com base em serviços vai mudar significativamente no próximo ano.

A Dell perdeu 0,67%, após a S&P Dow Jones Indices afirmar que a fabricante de computadores deixará o índice S&P 100, em função da sua capitalização de mercado ter caído abaixo de US$ 18,5 bilhões. Já a General Electric teve queda de 0,81%, depois de chegar a um acordo para comprar a divisão de aeronáutica da italiana Avio, por 3,3 bilhões de euros.

Do outro lado, a Nike avançou 6,16%, também depois de divulgar seu balanço trimestral na noite da quinta-feira (20). Os resultados da companhia superaram as previsões dos analistas, ajudados pelo aumento das vendas nos EUA e na China. As informações são da Dow Jones.

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