Bolsas de NY fecham em queda por 'entrave fiscal'

As Bolsas de Nova York fecharam em queda nesta quarta-feira, pressionadas por um aparente retrocesso nas negociações entre a Casa Branca e o Congresso dos Estados Unidos para evitar o chamado abismo fiscal. O presidente da Câmara, o republicano John Boehner, disse que um projeto para prorrogar cortes de impostos para contribuintes que ganham até US$ 1 milhão por ano será votado na quinta-feira (20) e deu um ultimato para o presidente Barack Obama.

O índice Dow Jones perdeu 98,99 pontos (0,74%), fechando a 13.251,97 pontos. O Nasdaq recuou 10,17 pontos (0,33%) e encerrou a 3.044,36 pontos. O S&P 500 teve retração de 10,98 pontos (0,76%), terminando a 1.435,81 pontos.

Boehner fez nesta tarde um breve pronunciamento para anunciar que a Câmara votará a proposta fiscal apresentada por seu partido, apelidada de plano B. O projeto consiste em aprovar uma prorrogação nos cortes de impostos para contribuintes que ganham até US$ 1 milhão por ano. Como a Câmara é controlada pelos republicanos, é provável que o projeto seja aprovado. Mas a Casa Branca já disse que os democratas não vão aceitar a proposta, e o partido controla o Senado.

Em seu pronunciamento, Boehner disse que se os democratas rejeitarem a proposta, o presidente Obama "pode ser responsável pelo maior aumento de impostos da história dos EUA". O líder republicano afirmou ainda que a proposta fiscal apresentada pelos democratas, que dentre outras coisas prevê o aumento de impostos para quem ganha mais de US$ 250 mil por ano, "não é equilibrada".

Mais cedo, Obama tinha ameaçado vetar o projeto dos republicanos se a medida fosse aprovada pelo Congresso. O presidente acrescentou que é "espantoso" o fato de os republicanos não terem aceito sua proposta já que, segundo ele, as propostas da Casa Branca e de Boehner são bem parecidas.

Na sessão da véspera, as Bolsas de Nova York haviam registrado fortes ganhos, em meio ao otimismo de que a Casa Branca e o Congresso chegariam a um acordo para evitar o abismo fiscal. "Eu não tenho certeza se um acordo esteve perto em algum momento. Nós ainda acreditamos que haverá um acordo, mas quando isso vai acontecer está muito mais incerto. Os dois lados disseram que o outro não está falando sério e o relógio está correndo", comentou Jason Ware, estrategista de mercado da Albion Financial Group.

Na agenda de indicadores, o Departamento do Comércio dos EUA divulgou que as construções de moradias iniciadas caíram 3,0% em novembro, na comparação com outubro, para a taxa anual sazonalmente ajustada de 861 mil. Economistas consultados pela Dow Jones previam queda para 865 mil unidades. O número de permissões para novas obras, que é uma indicação de futuras construções, subiu 3,6% em novembro, para o nível anualizado de 899 mil. Os economistas previam alta para 878 mil.

No noticiário corporativo, a mineradora Alcoa perdeu 3,03%, após a Moody's colocar o rating da companhia em revisão para possível rebaixamento, citando receios com os preços do alumínio. Entre as blue chips, também apareceram como destaque de queda a General Electric (-3,14%), Home Depot (-1,95%) e American Express (-1,78%).

Em contrapartida, a Oracle ganhou 3,68%, após divulgar seu balanço trimestral, que veio melhor do que o esperado por analistas. Já a corretora Knight Capital avançou 5,41%, depois de anunciar sua fusão com a Getco. A FedEx teve valorização de 0,91%, também após anunciar um resultado trimestral melhor do que o previsto.

Enquanto isso, as ações da General Motors registraram alta de 6,63%, para US$ 27,18. Mais cedo, o Tesouro dos EUA anunciou que planeja vender sua participação na montadora ao longo dos próximos 12 a 15 meses. A própria companhia vai comprar 200 milhões de ações ordinárias, pelo preço de US$ 27,50 cada, até o fim do ano. Os outros 300,1 milhões de ações serão vendidos por "diversas formas, de maneira ordenada", segundo o governo norte-americano. As informações são da Dow Jones.

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