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Bolsas de NY fecham pior semana desde 2008 com pânico sobre coronavírus

André Mizutani

O Dow Jones fechou a semana com recuo de 12,36%, já o S&P 500 caiu 11,49%, de segunda a sexta; o Nasdaq acumulou perdas semanais de 10,54% Os índices acionários de Nova York fecharam, nesta sexta-feira (28), a pior semana desde a crise financeira de 2008, entrando em território de correção — caracterizado por uma queda de mais de 10% desde o pico recente —, após o pânico causado pela disseminação do coronavírus (Covid-19) fora da China contaminar os mercados globais.

O Dow Jones fechou o pregão do dia em queda de 1,39%, a 25.409,36 pontos, estendendo as perdas da semana a 12,36%, enquanto o S&P 500 recuou 0,82%, a 2.954,22 pontos, com perdas acumuladas de 11,49%, de segunda a sexta. O Nasdaq conseguiu devolver as perdas do dia nos instantes finais da sessão, fechando em alta de 0,01%, a 8.567,36 pontos, mas recuou 10,54% na semana.

Os índices ainda conseguiram devolver parte das perdas do dia no fim da tarde, depois que o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, disse que o BC americano irá "agira como for apropriado para dar suporte à economia", alimentando as expectativas de um corte de juros na sua próxima reunião, em março.

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De acordo com dados do CME Group, os futuros dos Fed Funds passaram a indicar, nesta sexta, uma probabilidade implícita de 65% de um corte de juros de 0,5 ponto percentual em março e de 35% para um corte de 0,25 ponto. As apostas na manutenção dos juros nos níveis atuais — que estavam em quase 90% há uma semana — foram apagadas.

Rápido, profundo e inacreditável

Ainda assim, as perdas na semana foram amplas e a velocidade das quedas chama atenção, com o S&P 500 caindo da máxima histórica a terreno de correção em apenas seis sessões. A queda "foi muito rápida, muito profunda e, em alguns aspectos, inacreditável", disse Mark Stoeckle, executivo chefe da Adams Funds, à Dow Jones Newswires. "Eu acredito que o sell-off dos mercados continuará."

Mesmo o final combinado de semana e de mês no mesmo dia — que poderia motivar algum ajuste de posições no fechamento de balanços — não proporcionou nenhum alívio ao mercado acionário. "Não sabemos se teremos capitulação, com as pessoas que têm segurado ativos durante toda a semana entrando em pânico e vendendo na tarde desta sexta-feira", disse Paul Brain, chefe de renda fixa da Newton Investment Management.

Termômetro do medo

A volatilidade continua subindo, com o índice de volatilidade VIX do Cboe, conhecido como o "termômetro do medo" de Wall Street, estendendo um pouco a disparada da semana e fechando em alta de 2,43%, a 40,11 pontos, depois de tocar a máxima intradiária de 49,48 pontos, em nova máxima desde a crise financeira de 2008.

Três dos 11 setores do S&P 500, tecnologia, serviços de comunicação e energia, conseguiram se recuperar no fim da sessão, mas o "sell-off" da semana jogou todos os índices setoriais em terreno negativo no acumulado do ano.