Bolsas de NY fecham no nível mais baixo desde julho

As Bolsas de Nova York fecharam em queda nesta terça-feira, caindo para os níveis mais baixos em três meses após uma sessão volátil, influenciada pelos receios com a situação da Grécia e o chamado "abismo fiscal" nos Estados Unidos. No pregão, os índices chegaram a operar em território positivo, impulsionados pelo balanço trimestral da Home Depot, que sugere uma melhora sólida no mercado imobiliário.

O índice Dow Jones perdeu 58,90 pontos (0,46%) e fechou a 12.756,18 pontos, o nível mais baixo desde 25 de julho. O Nasdaq teve queda de 20,37 pontos (0,70%), para 2.883,89 pontos, também o menor patamar desde 25 de julho. Já o S&P 500 registrou retração de 5,50 pontos (0,40%) e terminou a 1.374,53 pontos, sua menor cotação desde 2 de agosto.

A crise da Grécia permaneceu no centro das atenções, depois do grupo de ministros das Finanças da zona do euro (Eurogrupo) fracassar em chegar a uma decisão sobre a liberação da próxima parcela de ajuda ao país. Além disso, houve divergências entre as autoridades sobre a extensão do prazo para que o governo grego cumpra as metas de reformas exigidas em troca do socorro internacional.

No meio da manhã, a informação de que a Alemanha estaria defendendo o fornecimento de um montante maior em ajuda para a Grécia animou as Bolsas europeias e levou o euro para as máximas da sessão. O jornal alemão Bild afirmou que a Alemanha está querendo fazer um grande pagamento para a Grécia, que poderia somar mais de 44 bilhões de euros. A notícia, porém, não foi confirmada.

Mais cedo, a Grécia chegou mais perto de evitar um default na sexta-feira, quando vencerão 5 bilhões de euros em títulos. O país vendeu mais de 4 bilhões de euros em um leilão de títulos e, na quinta-feira, poderá levantar mais 30% desse valor com uma nova rodada da oferta.

Também colaborou para a melhora do humor dos investidores a divulgação do balanço da norte-americana Home Depot. A empresa teve lucro e receita acima do esperado no terceiro trimestre deste ano, elevou suas projeções para o acumulado de 2012 e afirmou que pretende recomprar US$ 700 milhões em ações ordinárias no quarto trimestre. Como a Home Depot é uma varejista de produtos para o lar e construção civil, o resultado bom foi considerado um sinal de que o mercado imobiliário dos EUA - que é um dos mais prejudicados pela crise recente no país - está se recuperando.

Mas a questão do abismo fiscal não saiu do radar dos investidores. Os temores foram reforçados após o Departamento do Tesouro informar que o governo federal teve um déficit orçamentário de US$ 120 bilhões em outubro, após um déficit de US$ 98,47 bilhões no mesmo mês do ano passado. Outubro é o primeiro mês do ano fiscal do governo e economistas ouvidos pela Dow Jones previam um déficit menor, de US$ 113 bilhões.

"Estamos ficando um pouco mais defensivos. Tem o 'abismo fiscal' nos EUA, a Europa ainda não está fora de perigo e os indicadores econômicos que estamos observando recentemente indicam fragilidade global", comenta Paul Nolte, diretor-gerente da gestora Dearborn Partners.

No âmbito corporativo, as ações da Home Depot fecharam em alta de 3,63%, a US$ 63,38, o maior nível em 12 anos, após a divulgação do balanço. Já os papéis da Microsoft perderam 3,22%, depois da notícia de que a companhia afastou o presidente de sua divisão Windows, Steven Sinofsky, poucas semanas depois do lançamento do sistema operacional Windows 8, cujo desenvolvimento ele supervisionou.

A Cisco Systems, que apresentou seu balanço após o fechamento do mercado, teve queda de 0,03% no pregão tradicional, mas ganhava 6,47% por volta das 19h35 (horário de Brasília) no after-hours. A companhia divulgou que seu lucro líquido no primeiro trimestre fiscal, encerrado em 27 de outubro, subiu 18%, para US$ 2,09 bilhões. As informações são da Dow Jones.

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