Mercado fechado

Bolsas de NY fecham em forte queda com tombo dos preços do petróleo

André Mizutani

No acumulado da semana, no entanto, os principais índices acionários americanos conseguiram se manter em terreno positivo Os índices acionários de Nova York fecharam em forte queda, voltando a terreno negativo no acumulado da semana, com as perdas lideradas pelo tombo sofrido pelas ações do setor de energia, nesta sexta-feira (6).

O Dow Jones fechou em queda de 0,98%, a 25.864,78 pontos, o S&P 500 recuou 1,71%, a 2.972,37 pontos, e o Nasdaq caiu 1,87%, a 8.575,62 pontos. Os índices conseguiram fechar a semana com leves ganhos depois do corte emergencial de juros do Federal Reserve (Fed, o BC dos Estados Unidos) de 0,5 ponto percentual, na terça-feira (3). Mas apenas o Dow Jones segurou ganhos significativos semanais, de 1,79%. Já o S&P 500 fechou a semana com ganho acumulado de 0,61% e o Nasdaq, com 0,10%.

Grande parte dos ganhos da semana, porém, se devem a uma recuperação de mais de 4,5% na segunda-feira (2), antes do corte, em resposta à venda excessiva da semana passada. Liz Ann Sonders, estrategista-chefe de investimentos da Charles Schwab, disse que a falha do corte de juros do Fed em acalmar os mercados evidencia que os bancos centrais não têm o aparato necessário para lidar com os impactos do coronavírus.

"O Fed cortando os juros em 25 ou 50 pontos-base não cria uma vacina", disse a estrategista à Dow Jones Newswires. O corte "não impede as pessoas de cancelar as suas férias", disse.

Efeito petróleo

O setor de energia sofreu as maiores perdas hoje no S&P 500, encerrando em queda de 5,60% com a queda dos preços do petróleo. O setor liderou também as perdas na semana, com queda acumulada de 7,24%, e de mais de 30% no ano, até o momento.

Os futuros do petróleo despencaram hoje, depois que a reunião da Organização dos Países Produtores de Petróleo e seus aliados (Opep +) terminou não apenas sem um acordo para ampliar os cortes, como também sem consenso para a extensão dos cortes existentes.

Os preços do Brent para maio encerraram o dia em queda de 9,44%, negociados a US$ 45,27 o barril na ICE, em Londres. Foi a maior queda diária da referência global desde outubro de 2008. Os contratos futuros do West Texas Intermediate (WTI), a referência americana, para abril terminaram o dia em queda de 10,06%, a US$ 41,28 o barril, na Bolsa de Mercadorias de Nova York (Nymex), o que configura o maior recuo diário desde março de 2009.

"A aliança da OPEP + finalmente terminou (pelo menos por enquanto) com o ministro da energia russo [Alexander Novak] dizendo que os produtores podem produzir à vontade a partir de 1º de abril", disse, ao "MarketWatch", Marshall Steeves, analista de mercados de energia da IHS Markit.

Fora as ações de energia, o setor financeiro continuou sendo pressionado pela expectativa de cortes mais profundos dos juros pelo Fed. Os investidores já precificaram totalmente um corte de juros na reunião de março, com os futuros dos Fed Funds indicando, agora, apostas majoritárias em um corte de pelo menos 0,5 ponto percentual.

As ações do setor financeiro tiveram a segunda pior performance do dia, fechando a sessão em queda de 3,29%. Na semana, as ações do setor acumularam perdas de 4,08%.