Mercado fechará em 1 h 17 min

Bolsas de NY fecham em alta, mesmo com impasse sobre estímulos fiscais

Gabriel Roca
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O Nasdaq encerrou o dia em alta de 1,42%, enquanto o S&P 500 subiu 0,53% e o Dow Jones teve leve avanço de 0,13% As expectativas frustradas em relação a um novo pacote de estímulos fiscais para alavancar a economia dos Estados Unidos e os temores de uma aceleração nos casos de covid-19 no país não impediram os índices acionários de Nova York de encerrarem a primeira sessão do quarto trimestre em alta, nesta quinta-feira (1º de outubro). O Nasdaq encerrou o dia com ganhos consistentes, em alta de 1,42%, aos 11.326,51 pontos, enquanto o S&P 500 subiu 0,53%, a 3.380,80 pontos. O Dow Jones terminou a sessão em leve alta de 0,13%, aos 27.816,90 pontos. As incertezas relacionadas às perspectivas de crescimento da economia, no entanto, fizeram com que os investidores apostassem em empresas menos sensíveis ao ciclo econômico hoje, em uma estratégia semelhante àquela observada durante o auge da pandemia. Todas as cinco maiores empresas por valor de mercado dos Estados Unidos tiveram ganhos sólidos na sessão, impulsionando o Nasdaq e o S&P 500 — que possuem maior sensibilidade à variação das "megacaps" — a ganhos consistentes. Os papéis da Apple subiram 0,90%, enquanto as ações da Microsoft avançaram 1,01%. A Amazon teve alta de 2,30%, enquanto Alphabet e Facebook anotaram ganhos de 1,52% e 1,81%, respectivamente. As ações do Walmart e da Zoom Communications, outras beneficiadas durante a crise sanitária, avançaram 2,27% e 2,74% hoje. Já os setores mais sensíveis às perspectivas de crescimento econômico, como o de energia (-3,13%) e da indústria (-0,30%), fecharam o pregão em queda. Pacote de estímulos A sessão foi marcada pela expectativa em torno das negociações em Washington, após, na véspera, os democratas da Câmara terem adiado a votação de seu pacote de estímulos de US$ 2,2 trilhões para que as negociações com a Casa Branca tivessem continuidade. As partes, no entanto, ainda parecem distantes de um acordo. A presidente da Câmara, Nancy Pelosi, disse estar cética sobre a possibilidade de chegar a um acordo com o secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, durante uma ligação com outros deputados democratas, segundo a “NBC News”. Enquanto a oposição insiste em um pacote de US$ 2,2 trilhões, a Casa Branca fez uma contraproposta de US$ 1,6 trilhão. Os investidores acreditam que, sem o acordo, os consumidores devem conter seus gastos e dificultar o progresso da recuperação econômica. “Em última análise, tudo se resume ao consumo. E os mercados sentem, cada vez mais, que o pacote é necessário para apoiar o consumo. Portanto, chegar à próxima fase fiscal é fundamental. Ainda assim, sabemos que está chegando, seja agora ou depois da eleição teremos mais apoio fiscal”, disse Esty Desk, chefe de estratégia macro global da Natixis Investment Managers. Avanço do vírus Também permanece no radar dos investidores as preocupações com o crescimento de casos de covid-19 nos Estados Unidos. As autoridades em Nova York registraram, nas últimas 24h, o maior número de casos da doença desde o fim de maio. No mercado de trabalho, os pedidos iniciais de seguro-desemprego nos EUA somaram 837 mil na semana passada, uma queda de 36 mil em relação às solicitações da semana imediatamente anterior, de acordo com o Departamento do Trabalho americano. Amanhã, os investidores devem acompanhar de perto o número de criação de vagas nos EUA no mês de setembro, o chamado "payroll". Os analistas consultados pelo "Wall Street Journal" esperam a criação de 800 mil vagas. Os economistas do Wells Fargo projetam uma criação de vagas nos EUA próxima ao consenso, de 820 mil, mas ressaltam os riscos para a continuidade da recuperação no mercado de trabalho, com falta de u, novo suporte fiscal. "No geral, o relatório de emprego de setembro deve mostrar que o mercado de trabalho dos EUA continuou em recuperação. Dito isso, o apoio fiscal para famílias, pequenas empresas e governos estaduais e locais está enfraquecendo e apresenta um risco de queda para as perspectivas, o que deve levar à desaceleração de contratação nos próximos meses", diz a equipe de economia da instituição.