Bolsas de NY fecham em alta após dados positivos

As Bolsas de Nova York fecharam em leve alta nesta quinta-feira, após uma sessão volátil na qual os receios com o chamado abismo fiscal quase ofuscaram uma série de indicadores econômicos positivos dos Estados Unidos. "O mercado está em um impasse da mesma forma que Washington está em um impasse", resumiu Andres Garcia-Amaya, estrategista de mercados globais da JPMorgan Asset Management.

O índice Dow Jones ganhou 59,75 pontos (0,45%) e fechou a 13.311,72 pontos. O Nasdaq avançou 6,03 pontos (0,20%), terminando a 3.050,39 pontos. E o S&P 500 teve alta de 7,88 pontos (0,55%), encerrando a sessão a 1.443,69 pontos.

Mais cedo, o Departamento de Comércio dos EUA divulgou que o Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu à taxa anual de 3,1% no terceiro trimestre, acima do crescimento de 2,7% calculado antes e mais do que a previsão dos economistas, de expansão de 2,8%. O índice de atividade industrial do Federal Reserve da Filadélfia subiu para 8,1 em dezembro, de -10,7 em novembro, também superando as estimativas, que eram de -2,1, e atingindo o maior nível desde abril. Outro destaque foram as vendas de moradias usadas, que aumentaram 5,9% em novembro, na comparação com outubro, ante a previsão de alta de 2,3%.

Os outros dois indicadores divulgados vieram em linha com o esperado. Os pedidos de auxílio-desemprego cresceram para 361 mil na última semana e o índice de preços das moradias aumentou 0,5%, ante a estimativa de alta de 0,4%. Na Europa, o dado mais relevante foi o índice de confiança do consumidor da zona do euro, que subiu para -26,6 na leitura preliminar de dezembro, de -26,9 em novembro, embora o índice para a União Europeia como um todo tenha caído para -24,1, de -23,8.

Após dias de declarações otimistas de republicanos e democratas com relação ao fechamento de um acordo sobre como reduzir o déficit orçamentário dos EUA, na quarta-feira o tom do debate havia se tornado mais duro. Depois de o presidente Barack Obama afirmar que vetaria o plano B do presidente da Câmara, o republicano John Boehner, argumentando que a proposta coloca muito encargo sobre a classe média e não cobra o suficiente dos ricos, o próprio Boehner disse que a Casa votaria o plano ainda nesta quinta-feira. A expectativa é de que a votação comece entre 22h30 e 23h (horário de Brasília).

Como a Câmara é controlada pelos republicanos, é provável que o projeto seja aprovado, mas os democratas dominam o Senado, portanto a proposta não deverá ser aceita. Nesta quinta-feira, Boehner fez um pronunciamento para explicar porque decidiu colocar em votação o projeto do seu partido para prorrogar cortes de impostos para contribuintes que ganham até US$ 1 milhão por ano. Segundo ele, o presidente Barack Obama sempre defendeu que o projeto dos democratas protege 98% da população do aumento de impostos, enquanto isso, o plano republicano "protege 99,81% dos americanos".

Boehner criticou durante Obama e os democratas, afirmando que o plano deles é levar lentamente os EUA para o abismo fiscal. Questionado se o projeto republicano chegará morto ao Senado, o presidente da Câmara afirmou que não está convencido. "Em algum ponto o Senado terá de agir". Ele comentou que Obama ainda não está "falando sério" sobre o grande problema dos gastos do governo - que precisam ser reduzidos - mas ao mesmo tempo afirmou que espera continuar a trabalhar com o presidente para resolver o problema do abismo fiscal.

"Nós tivemos indicadores econômicos positivos hoje, mas muita coisa depende do que vai acontecer em relação ao abismo fiscal", declarou Peter Jankovskis, codiretor de investimento da Oakbrook Investments.

No mundo corporativo, o destaque foram as ações da NYSE Euronext, que é dona da Bolsa de Valores de Nova York (NYSE). A bolsa concorrente Intercontinental Exchange (ICE) comprou a NYSE por US$ 8,2 bilhões, em um negócio anunciado nesta quinta-feira. Com isso, os papéis da NYSE tiveram valorização de 34,10%, enquanto as ações da ICE subiram 1,40%.

As ações do Google registraram valorização de 0,31%. Na noite passada, a empresa anunciou a venda da Motorola Home, que faz decodificadores para televisões e oferece infraestrutura para transmissão de sinais de vídeo. O comprador é a Arris Group. A operação chega a US$ 2,35 bilhões e inclui pagamento em dinheiro e novas ações.

Entre as blue chips o destaque de alta foram os bancos, como Citigroup (+1,83%), JPMorgan (+2,30%) e Bank of America (+2,95%). No campo negativo apareceram Caterpillar, com queda de 0,85%, e a farmacêutica Merck, que teve retração de 3,44%. As informações são da Dow Jones.

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