Bolsas de NY devem abrir em queda com impasse fiscal

As bolsas americanas devem abrir em queda nesta sexta-feira, repercutindo o cancelamento da votação do plano B dos republicanos nesta quinta-feira (20) à noite, que aumentou ainda mais a incerteza em Wall Street. O mercado aguarda agora uma nova rodada de negociações entre republicanos e democratas. Às 12h15 (de Brasília), o Dow Jones Futuro caía 1,51%, o Nasdaq perdia 1,54% e o S&P 500 tinha baixa de 1,61%.

O presidente da Câmara dos Representantes, o republicano John Boehner, disse por meio de um comunicado que faltou apoio para o projeto ser aprovado, sinalizando que mesmo entre os próprios republicanos ainda não há consenso, já que o partido tem maioria na Câmara. Boehner ressaltou ainda que está nas mãos dos democratas evitar o abismo fiscal - conjunto automático de corte de gastos públicos e alta de impostos que entrará em vigor em janeiro, caso não haja um acordo.

Logo em seguida, por meio de um comunicado da Casa Branca, o presidente Barack Obama afirmou que vai trabalhar com o Congresso para conseguir um acordo rapidamente. O democrata afirmou ainda que a sua prioridade é evitar que os impostos subam em 2013 para 98% dos americanos.

Entre os indicadores, foram divulgados na manhã desta sexta-feira números sobre o consumo e a renda dos americanos referentes a novembro que vieram melhores que o esperado por Wall Street. Mas em meio ao imbróglio do abismo fiscal, as estatísticas pouco afetaram o mercado.

A renda pessoal subiu 0,6% em novembro ante outubro, acima dos 0,4% esperados pelos economistas. Os gastos com consumo tiveram alta de 0,4%, ligeiramente acima dos 0,3% projetados. Já o índice de preços dos gastos com consumo pessoal (PCE, na sigla em inglês) caiu 0,2% no mesmo período de comparação. Esse indicador é o preferido do Federal Reserve (o banco central norte-americano) para avaliar o comportamento da inflação.

Para os analistas da gestora Standard Life Investments, mesmo com a melhora de indicadores de consumo, renda e da construção civil, a incerteza política aumentou. Por isso, o foco segue com as discussões sobre o abismo fiscal, faltando 10 dias para o término do prazo para um acordo.

Nas notícias corporativas, o papel da canadense Research in Motion (RIM), fabricante do BlackBerry, despencava 13,5% no pré-mercado. Ontem à noite, a companhia divulgou queda de 96,6% no lucro do terceiro trimestre fiscal em relação ao mesmo período do ano passado. A receita caiu 48% no mesmo período, para US$ 2,7 bilhões.

A rede de farmácias Walgreen também divulgou resultados trimestrais que desagradaram aos analistas. A empresa, que também vende alimentos e produtos de limpeza em suas lojas, anunciou na manhã de hoje queda de 25% no resultado, por conta de migração das vendas dos remédios de marca (com preços mais altos) para os genéricos (com preços mais baixos). No pré-mercado, a ação recuava 1,8%.

A Nike também reportou ontem à noite queda no lucro líquido, que baixou 18% no segundo trimestre fiscal da empresa, para US$ 384 milhões. Mas os analistas gostaram do aumento de 9% no chamado lucro líquido de operações contínuas. No pré-mercado, o papel subia 3,9%.

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