Bolsas de NY devem abrir em alta à espera do Fed

As bolsas de Nova York devem abrir em leve alta nesta quarta-feira, à espera dos resultados da reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). Wall Street espera que as medidas de estímulo do Fed para a economia norte-americana continuem em 2013. No pré-mercado, às 12h15 (de Brasília) o Dow Jones futuro subia 0,15%, o Nasdaq ganhava 0,34% e o S&P 500 avança 0,20%.

As decisões da reunião do Fomc devem ser anunciadas às 15h30, mas desde a semana passada os economistas vêm especulando sobre o que pode ser decidido. O consenso é que o governo americano vai continuar com seu programa de compras de ativos para estimular a economia. O Fed deve anunciar ainda que os juros básicos da economia vão continuar "excepcionalmente baixos" pelo menos até meados de 2015.

Os economistas do HSBC para os Estados Unidos, Kevin Logan e Ryan Wang, avaliam que, além de manter o programa de compra de ativos, anunciado em setembro (chamado de Q3E), o Fed deve lançar outro programa para substituir a "Operação Twist" (mecanismo pelo qual o governo norte-americano compra títulos de longo prazo e vende papéis de curto prazo), que vence no final deste mês. Há ainda a opção de prorrogar essa operação, destacam os dois economistas em um relatório a clientes. As compras totais de ativos no mercado devem ficar em US$ 85 bilhões por mês.

O Fed também vai divulgar projeções para a economia americana. O HSBC não prevê mudanças substanciais. A previsão da taxa de crescimento para 2012 deve ser reduzida um pouco, para acomodar os efeitos do furacão Sandy, avaliam Logan e Ryan no relatório. Também para 2013, o banco inglês não descarta uma pequena redução na projeção de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA.

Além dos resultados da reunião do Fomc, o presidente do Fed, Ben Bernanke, fala à imprensa a partir das 17h15. Para a entrevista, a maior expectativa dos economistas é que ele fale sobre o abismo fiscal, inclusive de possíveis impactos na economia e na política do Fed para 2013 caso um acordo não seja alcançado entre democratas e republicanos no Congresso. Caso não haja acordo, um conjunto automático de aumento de tributos e corte de gastos públicos entra em vigor a partir de janeiro.

Faltando 19 dias para o término do prazo para um acordo, ontem o presidente Barack Obama e o líder da Câmara dos Representantes dos EUA, o republicano John Boehner, voltaram a se falar, desta vez por telefone. Um porta-voz de Boehner disse que os republicanos fizeram uma contraproposta a Obama, de acordo com reportagem do Wall Street Journal. A reportagem diz ainda que o democrata teria aceito um aumento menor de impostos, que geraria receitas de US$ 1,4 trilhão em dez anos (e não US$ 1,6 trilhão da proposta anterior).

Em público, o presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, o republicano John Boehner, se disse "esperançoso e otimista" sobre um acordo e que seu partido só está esperando Obama detalhar os cortes de gastos que aceitaria como parte das negociações.

O único indicador da economia norte-americana divulgado antes da abertura do mercado nesta quarta-feira foi o índice de preço das importações de novembro. O índice caiu 0,9%, além das projeções dos economistas, que esperavam recuo de 0,5%.

No mundo corporativo, a Delta Air Lines tem uma teleconferência com investidores e analistas agendada para a manhã de hoje. A empresa está no radar depois que anunciou ontem a compra de 49% das ações da empresa aérea britânica Virgin Atlantic, por US$ 360 milhões. Com a aquisição, a Delta, segunda maior companhia área norte-americana, atrás apenas da United, amplia presença em Londres e na Europa. No pré-mercado, o papel da empresa subia estava estável às 12h15.

A 3M anunciou na manhã de hoje suas projeções de desempenho para 2013, com a expectativa de que será um ano "forte", segundo comunicado da empresa, fabricante de adesivos e produtos para uso industrial. A 3M espera crescimento de 2% a 5% nas vendas. No horário citado acima, o papel avançava 0,02% no pré-mercado.

Já o Facebook ganhava 0,11%. O papel da rede social começa hoje a fazer parte do índice Nasdaq 100, formado pelas ações mais líquidas da bolsa de tecnologia.

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