Mercado fechará em 6 h 13 min

Bolsas de NY desaceleram e passam a oscilar em torno da estabilidade

Rafael Vazquez

Índices acionários abriram em alta de mais de 2% após o tombo da véspera, mas perderam força no início da tarde Depois de abrir em alta superior a 2% nesta sexta-feira após o tombo de ontem, quando os investidores promoveram um “sell-off” nas ações diante de receios de uma segunda onda da covid-19 nos EUA e o tom cauteloso do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) sobre a recuperação econômica, os índices acionários desaceleraram no início da tarde e passaram a oscilar perto da estabilidade.

O Dow Jones, que ontem caiu 6,9%, chegou a subir mais de 3% no início da sessão. Por volta de 15h10, porém, depois de entrar em terreno negativo, operava em alta de 0,46%, aos 25.242,84 pontos, enquanto o S&P 500 avançava apenas 0,18%, a 3.007,39 pontos. Os dois principais índices da Bolsa de Nova York tentaram quebrar a sequência de três quedas consecutivas, mas perderam fôlego. O Nasdaq, da bolsa homônima, também chegou a mudar de direção e, no mesmo horário, operava praticamente estável, em alta de 0,01%, a 9.493,81 pontos, distanciando-se dos 10 mil pontos, nível atingido pela primeira vez na história no início desta semana.

Colin Zimmer/Nyse/AP

“Como se ainda não estivesse claro que estamos vivendo tempos extraordinários, os investidores estão voltando a comprar ações nesta sexta-feira, após uma forte liquidação no dia anterior”, escreveu em nota o analista da Panda, Craig Erlam.

“Embora a queda de 6,9% de ontem no Dow Jones não esteja entre os três piores dias deste ano, ainda é historicamente uma queda diária bastante notável. A recuperação de hoje pode não durar e ser apenas uma redução ligeira do tombo, mas esses mercados são muito estranhos e eu não ficaria surpreso se, ao contrário, fosse percebido como uma oportunidade de 'comprar na baixa'”, acrescentou.

A preocupação de que os mercados de ações tenham subido rápido demais após as baixas de março tem sido crescente entre os investidores e o que aconteceu ontem pode intensificar o debate sobre se uma correção está se aproximando.

Com base no desempenho do Dow Jones, a queda de 6,9% de ontem foi uma das 30 maiores da história do índice. Dias como esse deveriam acontecer cerca de 0,1% do tempo. Mas desde março, dias assim acontecem cerca de 4% das vezes, segundo levantamento do ‘Wall Street Journal”. O comportamento reflete a alta volatilidade pelas incertezas provocadas pelo coronavírus.

Como frisou o ex-colunista do “Wall Street Journal” Morgan Housel em um tuíte, “uma queda de 1.862 pontos no Dow Jones, com ao de ontem, costumava ser um acontecimento muito importante. Em um mundo com covid-19, foi apenas quinta-feira”.