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Bolsas globais derretem com segunda onda de coronavírus

·3 minuto de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Bolsa brasileira tombou 4,25% nesta quarta-feira (28), a 95.368 pontos, com a segunda onda de coronavírus na Europa. Esta é a maior queda diária do Ibovespa desde abril. O dólar subiu 1,44%, a R$ 5,7650, maior valor desde maio, quando foi ao recorde de R$ 5,90. O turismo está a R$ 5,903. A moeda chegou a R$ 5,7930 na máxima do dia, mas perdeu força com atuação do Banco Central, que vendeu US$ 1,04 bilhões à vista. As Bolsas no exterior também caíram com o aumento de casos de coronavírus na Europa e as novas medidas de restrição adotadas por países como Alemanha e França. Londres caiu 2,55%, Paris, 3,37%, e Frankfurt, 4,17%. Nos Estados Unidos, Dow Jones tombou 3,43%, S&P500, 3,53%, e Nasdaq, 3,73% Alexandre Espírito Santo, economista da Órama, diz que não espera um tombo da economia global tão grande quanto no segundo trimestre, marcado por lockdowns e restrições, mas diz que a nova onda de infecções pode gerar uma nova desaceleração econômica. “Isso mostra que sem vacina não vai adiantar e o mercado volta a ficar dependente disso”, diz. Segundo Espírito Santo, uma das explicações para a alta do dólar e queda da Bolsa brasileira é a saída de estrangeiros do país. Além da pandemia, o país enfrenta problemas locais, com o atraso na agenda de reformas e aumento do risco fiscal. Investidores veem risco de quebra do teto fiscal e aguardam a definição do Orçamento de 2021, que pode sair só ano que vem. “Risco fiscal paira sobre nós há muito tempo e, em momentos de incerteza, o investidor coloca o lucro no bolso”, diz Espírito Santo. Nesta quarta o mercado local refletiu a aversão a risco no exterior, com o aumento de casos de coronavírus na Europa. A Alemanha anunciou que terá um lockdown emergencial de um mês que inclui o fechamento de restaurantes, academias de ginástica e teatros para reverter um pico de casos de coronavírus que pode sobrecarregar os hospitais. A partir de 2 de novembro, reuniões particulares serão limitadas a dez pessoas de no máximo duas casas. Restaurantes, bares, teatros, cinemas, piscinas e academias de ginástica serão fechadas, e shows serão cancelados. Mas escolas e creches permanecerão abertas, assim como lojas, contanto que respeitem o distanciamento social e regras de higiene. Para tornar as medidas mais palatáveis, especialmente para empresas menores, a Alemanha oferecerá ajuda financeira para aqueles que forem prejudicados pelas novas restrições. Conforme um novo pacote de ajuda equivalente a US$ 11,82 bilhões, empresas com até 50 funcionários receberão no mês de novembro 75% da sua renda do mesmo período do ano anterior. Além disso, trabalhadores autônomos, como artistas e assistentes de palco, terão acesso a empréstimos de emergência, e o governo ampliará um programa de liquidação existente para dar às pequenas empresas com menos de 10 funcionários acesso a empréstimos muito baratos. No país, os casos aumentaram em 14.964 e chegaram a 464.239 nas últimas 24 horas, segundo a agência de doenças infecciosas alemã. As mortes aumentaram em 85 e chegaram a 10.183. A França também anunciou novas restrições nesta quarta, com um novo lockdown nacional, que se inicia na sexta (30), irá permanecer em vigor até 1º de dezembro para frear a disseminação exponencial do coronavírus. Segundo o governo local, se dentro de duas semanas a situação de saúde tiver melhorado, o governo vai reavaliar a possibilidade de reabrir algumas lojas consideradas não essenciais.

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