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Bolsas europeias têm queda forte com avanço da covid-19 no continente

Gabriel Roca e Rafael Vazquez
·4 minuto de leitura

O índice Stoxx 600 fechou a sessão desta quarta (28) em seu menor nível desde maio, com desvalorização de 2,95% e aos 342,17 pontos Os principais índices europeus registraram uma sessão de perdas acentuadas nesta quarta-feira (28), em meio aos temores com o avanço da covid-19 e de novas medidas de restrição à atividade econômica para conter a pandemia no continente. Com isso, o índice Stoxx 600 fechou a sessão em seu menor nível desde maio. A queda foi de 2,95%, a 342,17 pontos. Em Londres, o FTSE 100 recuou 2,55%, a 5.582,80 pontos, menor patamar desde abril. Em Frankfurt, o DAX caiu 4,17%, fechando a 11.560, 51 pontos e, em Paris, o CAC 40 recuou 3,37%, a 4.571,12 pontos. Em Milão e Madri, as referências recuaram 4,06% e 2,66%, respectivamente. O presidente francês, Emmanuel Macron, deve anunciar novas medidas para combater a disseminação do vírus no país. A média de sete dias de novos casos diários aumentou mais de 50% na semana passada, chegando a 38.278 ontem, quando o país registrou 523 novas mortes, o maior número desde abril. O governo está considerando toques de recolher e lockdowns aos finais de semana, que restringiriam os movimentos em pontos críticos, de acordo com um assessor presidencial. As autoridades também estão pensando em um bloqueio nacional mais leve do que na primavera europeia. As escolas de ensino fundamental e médio provavelmente permanecerão abertas. Universidades podem fechar temporariamente. Na Alemanha, a primeira-ministra Angela Merkel e os governadores de 16 Estados, responsáveis pela resposta à pandemia do país, também se reuniram hoje para coordenar novas medidas de confinamento, depois que novos casos atingiram o recorde diário de 14.964. Segundo informações da imprensa local, as autoridades chegaram a um acordo para estabelecer uma espécie de “lockdown light”, a partir da próxima segunda (2 de novembro), com restrições menos draconianas que as de março e abril. A medida, que valerá por um mês, prevê que restaurantes, academias e teatros fiquem fechados. Escolas e creches, no entanto, seguem abertas. A Alemanha ainda está atrás de seus maiores vizinhos em casos e mortes, mas epidemiologistas alertam que o ritmo de novos casos diários — agora dobrando a cada semana — significa que, em breve, poderá se juntar ao resto do grupo. "Com o presidente [da França, Emmanuel] Macron prestes a anunciar mais restrições à atividade econômica nesta noite e a chanceler Merkel negociando com os governos regionais para fazer o mesmo, não é surpreendente que as ações na zona do euro caiam acentuadamente hoje e em patamar mais elevado do que nos Estados Unidos", afirmou, em relatório a economista de mercados da Capital Economics, Franziska Palmas. Destaques Os bancos foram um dos destaques negativos na sessão, com os papéis do UBS fechando em queda de 3,99% e os do BNP Paribas recuando 5,18%. As ações do Deutsche Bank fecharam tiveram uma queda menor, de 1,91%, após a instituição alemã ter divulgado resultados melhores que as previsões dos analistas, que foram impulsionados pelo desempenho de seu banco de investimentos. “Um bom conjunto de resultados, mas a orientação de perspectiva sugere pouca mudança no consenso EPS (lucro por ação)”, disse uma equipe de analistas do Citi liderada por Andrew Coombs. “Continuamos sendo vendedores, pois acreditamos que o cenário da indústria do IB (banco de investimento) provavelmente não apoiará o Deutsche Bank em 2021.” As ações da Puma caíram 3,75%, após a empresa varejista de esportes alemã ter relatado maiores lucros e vendas no terceiro trimestre, mas disse que não pode dar uma orientação para o ano devido à incerteza elevada sobre as consequências do vírus. A montadora francesa de automóveis Peugeot, registrou uma queda na receita no terceiro trimestre e disse que espera que o mercado automotivo europeu caia 25% em 2020. As ações caíram 4,54%. Também na França, o Carrefour disse que as vendas cresceram no terceiro trimestre, e o grupo de supermercados apoiou as metas estabelecidas como parte de seu plano Carrefour 2022. Os papéis fecharam relativamente estáveis, em ligeira queda de 0,11%. Os preços do petróleo também pesaram sobre as principais empresas de energia, e o setor de óleo e gás do Stoxx 600 recuou 2,69%. O cenário para as bolsas europeias e os mercados globais, em geral, ainda se torna mais complexo depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse, ontem, que o novo pacote de estímulos fiscais no país ficará mesmo para depois das eleições, em meio ao aumento da incerteza sobre o resultado. Desde que Trump prometeu contestar o resultado das eleições, caso perca, boa parte dos investidores passaram a torcer, de certa forma, para uma vitória de Biden que não dê margem a um movimento que pode acentuar a agitação civil na maior economia do mundo.