Bolsas europeias são pressionadas por tensão na Ucrânia

O mercado de ações europeu começou a sessão em queda pela quarta vez consecutiva, pressionado pelas últimas notícias sobre as tensões políticas na Ucrânia. Os investidores também adotam cautela antes do depoimento da presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, hoje no Comitê Bancário do Senado sobre o Relatório Semestral de Política Monetária. Além disso, os resultados corporativos de importantes empresas europeias divulgados nesta manhã contribuem para as perdas das principais bolsas da região.

Desde que o presidente ucraniano Viktor Yanukovich foi retirado do cargo após violentos protestos nas últimas semanas, os investidores europeus demonstraram preocupação com o futuro econômico da Ucrânia. As informações de que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, colocou em estado de alerta as Forças Armadas na fronteira com o país vizinho aumentaram ainda mais o clima de tensão na Europa.

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, alertou que a Rússia incorrerá em "um grave e imenso erro" se intervier na Ucrânia. Ao mesmo tempo, ele anunciou a concessão de um empréstimo de US$ 1 bilhão ao novo governo de Kiev - os dois maiores bancos russos congelaram ontem suas linhas de crédito para o país. O grande temor no mercado é que haja uma corrida em massa aos bancos ucranianos, o que pode diminuir a liquidez do sistema financeiro local e ser o estopim para uma crise financeira.

Há pouco, Yanukovich enviou um comunicado para agências de notícias da Rússia onde pediu que o país vizinho garantisse sua segurança pessoal e reafirmou que "ainda é presidente da Ucrânia e que as ações tomadas pelo Parlamento são ilegais".

Com relação aos Estados Unidos, os investidores esperam com atenção o depoimento de Yellen no Senado. O discurso da presidente do Fed será o mesmo realizado na Câmara norte-americana no começo do mês, mas a sessão de perguntas e respostas promete dar mais sinais sobre o futuro econômico dos EUA, além de previsões sobre quando a instituição pretende retomar o processo de elevação das taxas de juros.

O início da manhã também teve uma série de indicadores europeus - a maioria com resultados positivos. O destaque foi o índice de sentimento econômico da zona do euro, que avançou para 101,2 em fevereiro e atingiu o nível mais alto desde julho de 2011. Na Espanha, entretanto, houve decepção com o Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre do ano passado, que foi menor do que a leitura preliminar do instituto nacional de estatísticas (INE) e do governo, que apontava crescimento de 0,3% no período. O resultado pressiona a Bolsa de Madri, que registra a maior queda da sessão entre os principais mercados da região.

Logo mais, às 10h (de Brasília), a Alemanha divulga o índice de preços ao consumidor (CPI) referente ao mês de fevereiro.

No mercado corporativo, os resultados financeiros de companhias europeias vieram abaixo da expectativa. O Royal Bank of Scotland (RBS) registrou prejuízo líquido de 9,0 bilhões de libras em 2013, bem pior do que o prejuízo de 6,06 bilhões de libras do ano anterior. O banco também anunciou um plano de corte de gastos de 5 bilhões de libras para os próximos anos. O resultado negativo faz as ações da companhia despencarem na Bolsa de Londres. Às 8h09 (de Brasília), os papéis recuavam 8,53%.

Na Espanha, a Telefónica registrava queda de 2,57% após anunciar um lucro líquido de 1,448 bilhão de euros no quarto trimestre do ano passado - uma forte alta de 206,1% quando comparado aos ganhos de 473 milhões de euros do mesmo período do ano anterior. Apesar da melhora no lucro, a receita líquida da Telefónica recuou 8,9%, para 14,436 bilhões de euros nos três últimos meses do ano passado.

Em Frankfurt, na Alemanha, o impacto negativo vem da seguradora Allianz, que cai mais de 2% no pregão, mesmo com os resultados do trimestre passado em linha com as previsões. Analistas citaram uma alta saída líquida de capital do segmento de gestão de ativos como razão para a queda. Outra perda expressiva nesta manhã é da empresa de comunicação e marketing WPP, que caía 5,41%. A empresa informou que errou suas previsões para 2013 e registrou lucro de 1,66 bilhão de libras, abaixo das previsões do mercado.

No horário acima, a Bolsa de Londres recuava 0,88%; Paris estava em queda de 0,85%; Frankfurt perdia 1,54%; Madri cedia 1,57%, na mínima; Milão caía 1,13%; e Lisboa apresentava -0,74%. O euro caía para US$ 1,3656 e o dólar tinha queda para 101,79 ienes.