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Bolsas europeias operam em queda após Trump defender tarifas a parceiros

Rafael Vazquez

Presidente dos EUA anunciou no Twitter retomada de tarifas ao aço e ao alumínio de Brasil e Argentina As principais bolsas europeias passaram a operar em terreno negativo depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou no Twitter a retomada de tarifas ao aço e ao alumínio de Brasil e Argentina. Em uma série de posts, Trump ainda argumentou que a redução no comércio global provocada por suas tarifas não tem atrapalhado os mercados acionários, que bateram sucessivos recordes em novembro nos EUA e se aproximaram de suas máximas históricas na Europa.

“Os mercados dos EUA subiram 21% desde o anúncio das tarifas em 1º de março de 2018 - e os EUA estão recebendo enormes quantias de dinheiro (e dando algum aos nossos agricultores, que foram alvo da China)”, afirmou Trump.

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As bolsas da Europa operavam em alta até os tuítes de Trump, mas viraram a partir de então. Por volta de 10h15, o índice Stoxx Europe 600 caía 0,17%, a 406,72 pontos. O DAX, índice de referência da Bolsa de Frankfurt, recuava 0,22%, a 13.207,64 pontos, enquanto o FTSE, da Bolsa de Londres, cedia 0,06%, a 7.341,93 pontos, e o CAC 40, da Bolsa de Paris, perdia 0,37%, a 5.883,09 pontos.

Na Itália, o índice FTSE MIB, da Bolsa de Milão, recuava 0,89%, a 23.053,48 pontos, e o Ibex 35, da Bolsa de Madri, perdia 0,88%, a 9.269,60 pontos.

Antes do impacto do anúncio de Trump, os mercados europeus operavam impulsionados por dados econômicos na Europa e na China.

Na Europa, a atividade manufatureira na zona do euro subiu para o patamar mais alto em três meses em novembro, apesar de se manter no terreno da contração, segundo os índices de gerentes de compras (PMI) da IHS Markit. A indústria do continente vem sendo penalizada pelos efeitos da guerra comercial, pelas incertezas relacionadas ao Brexit e pela desaceleração econômica global.

Os futuros em Nova York também avançavam no início da manhã e desaceleraram os ganhos após os tuítes de Trump. Os investidores estão à espera agora dos dados da indústria dos EUA (ISM e PMI), às 10h45 e 11h.

O avanço das ações poderia ser até maior não fosse a notícia dada pelo site Axios no domingo (1). Citando uma fonte próxima às negociações comerciais, o Axios informou que o acordo comercial entre os EUA e a China estagnou devido ao projeto de lei assinado pelo presidente Donald Trump na semana passada, apoiando os manifestantes pró-democracia de Hong Kong, e que a China precisa de tempo para permitir que a política doméstica "se acalme" - "pelo menos até o fim do ano", disse a fonte. A notícia dizia que Trump deve adiar a imposição da elevação das tarifas, prevista para entrar em vigor no dia 15 de dezembro, para manter as negociações.

Em resposta à lei americana, a China retaliou determinando a suspensão de visitas de navios e aeronaves militares dos EUA a Hong Kong.

Índices positivos sobre a indústria da China divulgados nesta segunda-feira foram bem recebidos pelos investidores. Os economistas dizem ser cedo para afirmar que a economia da China se recuperou, mas, de toda forma, os dados injetam otimismo nos agentes.

No entanto, a incerteza comercial segue influenciando o comportamento dos investidores e, após Trump voltar a vestir o traje de “homem-tarifa”, conforme ele próprio já se denominou anteriormente, a cautela deve tomar conta da sessão e notícias secundárias sobre a guerra comercial com a China podem ganhar força.