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Bolsas europeias operam em queda com realização de lucros antes do Fed

Rafael Vazquez

Expectativa é que BC dos EUA mantenha taxas de juros, mas anuncie novos estímulos para apoiar recuperação econômica As bolsas europeias operam em queda nesta terça-feira diante da ausência de um novo catalisador que ajude a estender os altos ganhos da semana passada. Os investidores aproveitam o dia para realizar lucros antes da aguardada reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), na qual a taxa de juros americana deve ser mantida, mas novos estímulos para dar suporte à recuperação econômica podem ser anunciados.

Por volta de 9h20, o índice pan-europeu Stoxx Europe 600 caía 1,22%, a 369,57 pontos, com o setor bancário em queda de mais de 3%. As ações do setor automotivo recuavam cerca de 2% depois que o escritório de estatísticas da Alemanha (Destatis) informou que as exportações do país, no geral, caíram 24% em abril ante março no auge das paralisações pelo coronavírus, numa queda recorde.

Boris Roessler/AP

"O setor de exportação é provavelmente o mais exposto à crise, sofrendo tanto as medidas de bloqueio doméstico quanto as do mundo todo e as interrupções da cadeia de suprimentos", disse Carsten Brzeski, economista-chefe da zona do euro no ING. "Uma recuperação aqui nos próximos meses não será a mesma coisa que um retorno à normalidade."

O Eurostat, escritório de estatísticas da União Europeia, também informou que revisou a queda do PIB da zona do euro no primeiro trimestre de 3,8% para 3,6%. Apesar da contração menos acentuada, ainda é a maior queda da história.

Embora os dados ruins já estivessem no radar dos investidores, acabaram não fornecendo nenhum impulso para a retomada dos ganhos na bolsas europeias. Em Londres, o índice acionário de referência FTSE 100 caía 1,75% por volta de 9h20, a 6.359,37 pontos, enquanto em Paris o CAC 40 recuava 1,47%, a 5.099,63, e o FTSE MIB, de Milão, cedia 1,70%, a 19.887,49. Na Bolsa de Madri, o Ibex 35 perdia 1,89%, a 7.747,00 pontos.

Ontem, depois do fechamento dos mercados do continente, a presidente do Banco Central Europeu (BCE) Christine Lagarde, defendeu o enorme pacote de estímulos da entidade. Na semana passada, o programa emergencial de compras de títulos (PEPP) subiu de 750 bilhões de euros para 1,35 trilhão de euros.

Lagarde foi criticada por alguns legisladores da UE que temem pelo aumento dos níveis de dívida de muitos países da zona do euro. Em resposta, ela afirmou que o pacote é proporcional ao tamanho da crise que o bloco monetário enfrenta.