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Bolsas europeias operam em queda após Johnson gerar novo temor com Brexit

Rafael Vazquez

Premiê quer bloquear chance de extensão do período de transição após saída do Reino Unido da UE As bolsas da Europa operam em queda nesta terça-feira, com o índice pan-europeu em baixa de 0,73%, a 414,69 pontos, afastando-se do recorde da véspera. A principal notícia do dia que afeta as ações no continente é a iniciativa do primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, de bloquear a chance de que o processo de transição pós-Brexit seja estendido para além do fim de 2020, o que abre a possibilidade de que o país complete a retirada da União Europeia (UE) antes que um acordo comercial seja definido.

Por volta de 8h40, o FTSE 100, índice de referência da Bolsa de Londres, caía 0,14%, a 7.508,53 pontos, com o impacto da notícia suavizado pela queda de 1% da libra em relação ao dólar na sessão, a US$ 1,3199. O índice acionário londrino é bastante influenciado por multinacionais exportadoras, que se beneficiam quando a libra está em queda.

O impacto é mais visível ao observar as ações dos bancos e construtoras. Os papéis do Royal Bank of Scotland, por exemplo, caíam mais de 4%, e os do Lloyds Banking Group recuavam mais de 5%, no pior desempenho no setor bancário. Entre as construtoras, Berkeley Group Holdings perdia mais de 3%, Barratt Developments recuava mais de 2% e as ações da Persimmon tinham baixa de mais de 3%.

Outros mercados de ações nacionais da Europa também sentem o impacto da iniciativa de Johnson. O DAX, índice de referência da Bolsa de Frankfurt, caía 0,92%, a 13.284,72 pontos, enquanto o CAC 40, da Bolsa de Paris, perdia 0,56%, a 5.957,83 pontos, e o Ibex 35, da Bolsa de Madri, recuava 0,68%, a 9.614,80 pontos.

Entre os principais índices acionários europeus, somente o FTSE MIB, da Bolsa de Milão, sustentava uma leve alta de 0,05%, a 23.537,11 pontos.

“Qualquer um que esperasse que a eleição traçasse uma linha sob o Brexit estava tristemente enganado. Os próximos 12 meses serão outra série de negociações dolorosas, durante as quais o risco de um Brexit na OMC é regular e ferozmente debatido, tanto no Parlamento quanto nas notícias. Ainda não acabou e os investidores estão começando a se preocupar um pouco, mais uma vez”, disse o analista da corretora Oanda na Europa, Craig Erlam.