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Bolsas europeias operam em forte queda com volta de restrições por covid-19

Rafael Vazquez
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Redução das esperanças com a possibilidade de um novo pacote de estímulo fiscal nos EUA antes da eleição americana também colabora para aversão ao risco As bolsas europeias operam em forte queda na manhã desta quinta-feira. A redução das esperanças com a possibilidade de um novo pacote de estímulo fiscal nos EUA antes da eleição americana de 3 de novembro e o retorno das restrições ao redor da Europa diante do aumento de casos de covid-19 causam aversão ao risco generalizada na sessão. Por volta de 8h15, o índice pan-europeu Stoxx Europe 600 caía 2,09%, a 362,88 pontos, puxado para baixo pelos setores automobilístico, em queda de mais de 3%, e bancário, que recuava mais de 2%. O DAX, referência da Bolsa de Frankfurt, cedia 2,73%; o FTSE 100, de Londres, caía 1,94%; e o CAC 40, de Paris, perdia 2,16%. Em Milão, o FTSE MIB caía 2,58% e, em Madri, o Ibex 35 recuava 1,73%. Boris Roessler/AP Os mercados europeus estão seguindo o tom estabelecido nos EUA durante a noite, com os futuros de ações mais baixos, já que os investidores continuaram a pesar as perspectivas de um acordo de combate aos efeitos do coronavírus antes da eleição de 3 de novembro. O secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, disse na quarta-feira que chegar a um acordo sobre o novo pacote fiscal antes da eleição será difícil, já que democratas e republicanos permanecem distantes em certas questões. Mas as bolsas europeias também sofrem forte pressão com a segunda onda do coronavírus se consolidando no continente e forçando a volta de restrições. O governo francês declarou estado de emergência de saúde pública ontem, quando o país viu as hospitalizações por covid-19 saltarem acima do limite de 9.100 pela primeira vez desde 25 de junho. Novos casos confirmados de coronavírus na França atingiram 22.591 em 24 horas, superando o número do dia anterior em cerca de 10 mil casos. O estado de emergência dá às autoridades mais poder para lidar com a disseminação da covid-19 e o presidente Emmanuel Macron anunciou um toque de recolher no país das 21h às 6h a partir de sábado. “Agora nos encontramos em um cenário em que a pandemia está de volta ao centro das atenções, enquanto as perspectivas de um pacote de ajuda aos EUA antes da eleição presidencial parecem muito baixas. Os investidores estão descartando as ações com medo de que a atividade econômica diminua devido às restrições mais rígidas em várias partes da Europa”, afirmou em nota o analista de mercado da CMC Markets, David Madden. Entre os movimentos das ações europeias, destaque para a Roche. Os papéis caíam mais de 3% após a companhia decepcionar no terceiro trimestre, embora a perspectiva para o fim de 2020 tenha sido mantido. Companhias áreas voltam a sofrer diante do avanço da covid-19 e do retorno de restrições mais fortes. As ações da Deutsche Lufthansa recuavam mais de 6%, as da International Airlines Group (IAG) caíam mais de 4% e Air France KLM desvalorizava 3%. Operadoras de hotel também vivem mais um dia amargo no mercado financeiro. Os papeis da Accor, por exemplo, caem mais de 5%.