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Bolsas europeias fecham em alta com recorde na Alemanha após dados econômicos

Rafael Vazquez

Os índices do continente refletiram um ponto de vista positivo dos investidores em relação à melhora da atividade industrial na Alemanha e no Reino Unido As principais bolsas da Europa fecharam em alta consistente nesta sexta-feira (24), apesar de uma redução nos ganhos no fim da sessão depois da confirmação do segundo caso de coronavírus nos Estados Unidos. Durante a maior parte da sessão, os índices do continente refletiram um ponto de vista positivo dos investidores em relação à melhora da atividade industrial na Alemanha e no Reino Unido.

Depois de renovar sua máxima histórica intradiária ao atingir 425,36 pontos, o índice pan-europeu Stoxx Europe 600 perdeu força no fim do pregão e fechou em 423,64 pontos, com alta de 0,86%, ficando abaixo do recorde de fechamento de 424,56 do último dia 17. Já o DAX, índice de referência da Bolsa de Frankfurt, superou o recorde de fechamento ao encerrar o pregão em alta de 1,41%, aos 13,576,68 pontos — o anterior era de 23 de janeiro de 2018.

No acumulado da semana, contudo, a maioria dos índices europeus registraram perdas. O Stoxx Europe 600 perdeu 0,22%, o FTSE 100 caiu 1,15%, o CAC 40 recuou 1,25%, o FTSE MIB teve queda de 0,71% e o Ibex 35 terminou o período com uma desvalorização de 1,23%. Somente o alemão DAX acumulou alta semanal de 0,37%. A propagação do coronavírus foi o principal vetor negativo para os mercados acionários europeus e globais no período.

O desempenho desta sexta em Frankfurt veio na esteira da melhora nos dados do Índice de Gerente de Compras (PMI, na sigla em inglês) do país. O PMI da indústria, divulgado pela IHS Markit, subiu para 45,2 pontos, ante 43,7 em dezembro. A expectativa era que o índice viesse em 44,5. Apesar do aumento, o setor ainda está na zona de contração — leituras acima de 50 indicam expansão e, abaixo, contração. O PMI de serviços da Alemanha subiu para 54,2, de 52,9, e o PMI composto, que incluiu indústria e serviços, subiu para 51,1, de 50,2.

No Reino Unido, o índice FTSE 100, da Bolsa de Londres, ganhou 1,04%, a 7.585,98 pontos. O PMI composto, que inclui os setores de indústria e serviços, subiu para 52,4, de 49,3, saindo de uma tendência contracionista e atingindo o nível mais alto em 16 meses.

“Os dados da pesquisa indicam um início encorajador em 2020 para a economia do Reino Unido. A produção cresceu a uma taxa mais alta em dezesseis meses, em meio à crescente demanda por manufatura e serviços, sugerindo que os negócios estão se recuperando após os declínios observados no fim do ano passado. A intensificação da incerteza política e econômica antes das eleições gerais começou a diminuir, incentivando mais gastos e ajudando a elevar as expectativas dos negócios de crescimento futuro para o seu nível mais alto desde meados de 2015”, disse, em nota, o economista-chefe da IHS Markit, Chris Williamson.

Na Bolsa de Paris, o índice CAC 40 subiu 0,88%, aos 6.024,26 pontos, impulsionado pelo apetite ao risco e a despeito de dados locais. O PMI de serviços recuou para 51,7 em janeiro, de 52,4 da leitura anterior e abaixo da expectativa de 52,2. O setor de serviços é o principal da economia francesa. O resultado acabou afetando o PMI composto do país, que caiu para 51,5 em janeiro, abaixo da expectativa de 52,0, segundo os dados preliminares da IHS Markit.

O bom humor dos investidores, mais cedo, também contribuiu para a recuperação do índice FTSE MIB, da Bolsa de Milão, que subiu 1,11%, a 23.969,13 pontos, e do Ibex 35, da Bolsa de Madri, que encerrou em alta de 0,46%, aos 9.562 pontos.

O apetite dos investidores na Europa também foi influenciado pela leitura de que o Banco Central Europeu (BCE) adotou um tom menos favorável a uma política monetária restritiva ("hawkish") que o esperado depois da reunião de quinta (23) da autoridade monetária do bloco, na qual manteve as taxas de juros inalteradas.

Destaques

No noticiário corporativo, a Ipsen caiu mais de 23% na Bolsa de Paris depois que a empresa biofarmacêutica francesa interrompeu os testes de um medicamento para doenças ósseas e disse que está avaliando as implicações em suas perspectivas financeiras para 2022. A Rémy Cointreau recuou 11,65% em Paris depois que a fabricante de bebidas registrou lucros decepcionantes no último trimestre do ano passado.

As ações da Ericsson perderam 5,75% na Bolsa de Estocolmo, depois que os custos mais altos pesaram sobre os últimos ganhos da empresa de equipamentos de telecomunicações. A companhia ainda reconheceu que as despesas continuarão subindo este ano.

Já o Carrefour avançou 4,58%, depois que superou as expectativas dos investidores em seu balanço de lucros no fim de 2019.