Bolsas europeias caem com temores sobre a Grécia

Os temores de que os ministros de Finanças da zona do euro possam adiar o desembolso da ajuda financeira para a Grécia pesaram sobre os mercados acionários nesta quinta-feira, neutralizando o impacto positivo dos dados semanais de auxílio-desemprego melhores do que o esperado nos Estados Unidos. Sem novas medidas nas reuniões de política monetária dos bancos centrais da Europa e Inglaterra, que decidiram manter os juros estáveis em 0,75% e 0,50%, respectivamente, o foco permaneceu nas incertezas sobre o financiamento da Grécia no curto prazo. "A votação (pelo Parlamento) da Grécia é um passo potencialmente na direção correta, mas como sempre a Grécia é uma questão que se recusa a sair da agenda", ponderou o analista de ações Keith Bowman, da Hargreaves Lansdown.

O Stoxx Europe 600, que abriu a sessão em ritmo de alta, fechou em queda de 0,2%, após ter fechado em queda de 1,4% ontem. "Por enquanto, os mercados parecem estar sem direção. O grau de incerteza (sobre a zona do euro) ainda está presente", resumiu Bowman.

Após operarem em alta durante maior parte dos negócios, as ações zeraram os ganhos após a agência Bloomberg ter divulgado, citando uma autoridade da União Europeia, que os ministros de Finanças da zona do euro poderão adiar uma decisão sobre a liberação da próxima parcela do resgate financeiro do bloco até o fim de novembro.

Em entrevista após a reunião do BCE, o presidente Mário Draghi, disse que a "fragmentação" do financiamento da zona do euro continua sendo um problema, mas afirmou que a instituição tem observado um afrouxamento nos mercados de financiamento desde que o banco central anunciou seu programa ilimitado de compra de bônus, conhecido como Transações Monetárias Completas (OMT, na sigla em inglês). Além disso, Draghi assegurou que o BCE continua pronto para implementar o programa e que cabe à Espanha e outros governos pedirem ajuda.

Em Londres, o índice FTSE fechou em queda de 0,6%, a 15.194, refletindo os temores de um potencial adiamento na próxima parcela de ajuda financeira da UE para a Grécia. Em Frankfurt, o índice DAX terminou o dia em queda 0,4%, a 7.204,96, com as ações do Deutsche Post em queda de 3% após a empresa informar um lucro líquido menor no terceiro trimestre.

Em Paris, o índice CAC-40 fechou perto da estabilidade, em ligeira queda de 0,06%, a 3.407,68, com operadores locais relatando cautela com as notícias sobre adiamento da parcela de ajuda para a Grécia. "Estão todos a postos, aguardando sem saber qual caminho tomar", relatou um operador. As ações da Alcatel-Lucent fecharam em alta superior a 11%, impulsionadas pelo entusiasmo dos investidores com a Qualcomm, parceira da empresa nos EUA, cujo lucro superou expectativas.

Em Madri, o índice IBEX-35 fechou em queda de 0,5%, a 7.624,10, após o presidente do BCE, Mário Draghi, ter feito declarações com tom baixista sobre a economia e após uma nova rodada de especulações nos mercados sobre a possibilidade de a Espanha vir a pedir um resgate à UE ainda este ano. As ações da IAG terminaram o pregão em queda de 2,1%, um dos piores desempenhos entre as ações espanholas após a empresa anunciar uma oferta pela Vueling. A Repsol tenho ganho de 0,7% após o balanço do terceiro trimestre ter superado expectativas. Nesta sexta-feira (09), devido ao feriado bancário local em Madri, há expectativa de pouco movimento no pregão espanhol. As informações são da Dow Jones.

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