Bolsas europeias caem por temor com Portugal e Egito

As Bolsas da Europa fecharam em queda nesta quarta-feira, 03, pressionadas pela crise política em Portugal e pelos receios de um golpe de Estado no Egito. Indicadores mistos nos Estados Unidos deixaram as bolsas de Nova York sem direção, o que não ajudou os mercados europeus. Além disso, há a expectativa com as reuniões do Banco Central Europeu (BCE) e do Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês), na quinta-feira. O índice pan-europeu Stoxx 600 perdeu 0,58%, fechando a 285,46 pontos.

Portugal foi lançado em uma crise política na véspera, após a renúncia do ministro de Relações Exteriores, Paulo Portas, que também é líder do Centro Democrático e Social - Partido Popular (CDS-PP), em protesto contra as medidas de austeridade adotadas pelo governo. O partido, que integra a coalizão do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, ainda vai definir se continuará a apoiar a atual administração. Caso perca esse suporte, o partido do premiê terá minoria no Parlamento, tornando extremamente difícil a aprovação das medidas duras de austeridade exigidas pelos credores internacionais.

Neste pregão, o índice PSI, da Bolsa de Lisboa, liderou as quedas na Europa, com retração de 5,31%, para 5.236,49 pontos. O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, que é português, disse mais cedo que a crise política no país ameaça prejudicar a "credibilidade financeira" que o governo construiu ao longo dos dois últimos anos. "Se isso acontecer será especialmente prejudicial para o povo português, particularmente porque havia sinais preliminares de recuperação da economia", acrescentou.

Os mercados europeus também foram pressionados pela instabilidade política no Egito. Às 11h (horário de Brasília) venceu o prazo dado pelos militares para que o presidente Mohammed Morsi resolvesse o impasse com a oposição, que pede sua renúncia. Morsi rechaçou o ultimato e propôs um "governo de consenso", sem dar mais detalhes. Enquanto isso, representantes das Forças Armadas se reuniram com Mohammed ElBaradei, porta-voz da oposição.

Na agenda de indicadores econômicos, o índice de atividade dos gerentes de compra (PMI, na sigla em inglês) do setor de serviços da zona do euro subiu para 48,3 em junho, mas ficou abaixo das expectativas, de 48,6. As vendas no varejo do bloco tiveram alta mensal de 1% em maio, bem acima do esperado pelos analistas, de 0,1%.

Em Frankfurt, o índice DAX perdeu 1,03%, fechando a 7.829,32 pontos. Os bancos lideraram as perdas, com o Commerzbank caindo 4,82% e o Deutsche Bank recuando 0,96%. Na noite passada, a agência de classificação de risco Standard & Poor's rebaixou os ratings do Deutsche Bank, Credit Suisse e Barclays, afirmando que vê crescentes riscos para algumas instituições da Europa que operam no segmento de banco de investimento. A farmacêutica Celesio recuou 6,85%, depois de o conselho demitir o executivo-chefe Markus Pinger.

Na Bolsa de Paris, o índice CAC-40 teve desvalorização de 1,08% e fechou a 3.702,01 pontos. Mais uma vez, o setor bancário teve um desempenho muito fraco (Société Générale -2,03%, BNP Paribas -2,33% e Credit Agricole -1,71%). A siderúrgica Vallourec ganhou 2,51%, após empresas dos EUA registrarem uma petição no Departamento do Comércio pedindo compensações antidumping para certos tipos de dutos de aço usados na indústria petroleira, que são importados da Índia, Arábia Saudita, Coreia do Sul, Taiwan, Turquia, Ucrânia e Vietnã.

O índice FTSE, da Bolsa de Londres, teve queda de 1,17%, encerrando a sessão a 6.229,87 pontos. Quem liderou a baixa foram as mineradoras, como Vedanta Resources (-2,89%) e Anglo American (-5,70%). A petroleira Tullow Oil ganhou 2,71%, depois de atualizar seus números de produção.

Em Milão, o índice FTSE-Mib caiu 0,54%, para 15.282,81 pontos. Na Bolsa de Madri, o índice IBEX-35 cedeu 1,56%, a 7.763,80 pontos. Fonte: Dow Jones Newswires.

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