Mercado fechado

Bolsas europeias caem perto de 3% com avanço de covid e acusações contra bancos

Rafael Vazquez
·3 minutos de leitura

Instituições de grande porte ignoraram seus próprios alertas e têm sido lenientes em relação à lavagem de dinheiro, aponta investigação As bolsas europeias operam em forte queda nesta segunda-feira, com os investidores preocupados com o aumento de casos de covid-19 na Europa e atentos à revelação de um grupo de jornalistas investigativos mostrando que documentos secretos do governo dos EUA apontam que grandes bancos como JP Morgan Chase e o HSBC ignoraram seus próprios alertas e têm sido lenientes em relação à lavagem de dinheiro. Por volta de 8h20, o índice pan-europeu Stoxx Europe 600 tinha forte queda de 2,77%, a 358,56 pontos, com o setor bancário despencando quase 6%. As ações do HSBC, mais uma vez envolvido em alegações de permissividade em relação à lavagem de dinheiro de seus clientes, caíam mais de 6%. O Deutsche Bank, outro banco europeu envolvido diretamente no caso, perdia mais de 8%. Os papéis do Standard Chatered recuavam mais de 5%. Francisco Seco/AP Os registros se referem a clientes de bancos em mais de 170 países. A investigação, coordenada pelo Consórcio de Jornalistas Investigativos (ICIJ), contou com uma rede de 400 jornalistas de 110 veículos em 88 países para investigar as operações suspeitas. O DAX, índice de referência da Bolsa de Frankfurt, operava em queda de 3,24%, a 12.690,81 pontos; o FTSE 100, da Bolsa de Londres, recuava 3,26%, a 5.811,48 pontos; e o CAC 40, de Paris, cedia 3,19%, a 4.819,62 pontos. Em Milão, o FTSE MIB caía 3,20%, a 18.899,61 pontos, e em Madri, o Ibex 35 perdia 3,33%, a 6.698,70 pontos. No fim da última semana, a Espanha voltou a impor medidas de restrição na região da capital diante de uma nova onda de aumento de casos de covid-19. “O apetite ao risco está bastante sombrio em meio ao aumento de novos casos de covid-19 em toda a Europa”, escreveu em nota a clientes o estrategista-chefe da AxiCorp, Stephen Innes. “Ficou feio rapidamente, pois os ativos de risco estão sendo martelados quase como se o mercado estivesse finalmente acordando para a percepção de que o vírus se espalha mais rápido com a chegada do tempo frio no hemisfério norte”, acrescentou. Os analistas ainda destacam que a ausência de novos estímulos dos bancos centrais nas decisões mais recentes de política monetária deixa os mercados à sua própria sorte pelo menos até o fim do ano. “Como os bancos centrais provavelmente não entrarão em ação de novo até dezembro, isso está deixando o sentimento do mercado flutuando por conta própria”, afirmou Innes. Amanhã e quarta-feira, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Jerome Powell, prestará depoimentos no Congresso americano. O texto do discurso de abertura deve ser divulgado ainda hoje, às 11h. Mas, após a reunião da semana passada em que o banco central americano se manteve em modo de espera, há poucas esperanças de que alguma declaração leve alívio aos mercados no dia.