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Bolsas em NY operam sem direção única, em dia sem catalisadores fortes

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Avanço de covid-19 segue no radar, assim como impasse sobre novo pacote de estímulos à economia; proximidade de eleição pode trazer mais volatilidade Os índices acionários em Nova York começaram a sessão de negócios desta quarta-feira sem direção única, com o Dow Jones operando em alta, o S&P 500 oscilando em torno da estabilidade e o Nasdaq apresentando um viés negativo. Os agentes financeiros buscam catalisadores positivos para dar continuidade ao rali de 2020 para as os índices acionários em Nova York. Por ora, o aumento no número de casos de covid-19 nos Estados Unidos e na Europa, os impasses políticos em Washington e a proximidade da corrida eleitoral no país têm dificultado o caminho das ações em Wall Street a novos recordes, registrados pela última vez no início do mês. Perto de 11h10, o Dow Jones operava em leve alta de 0,10%, aos 27.314,62 pontos, enquanto o S&P 500 recuava 0,28%, aos 3.306,15 pontos. O índice eletrônico Nasdaq registrava queda de 0,77%, a 10.879,28 pontos. Kearney Ferguson/NYSE "Os dados nacionais de covid-19 nos EUA nos últimos dias são inequivocamente ruins. O número de casos confirmados ontem foi apenas 1,7% maior do que há uma semana, mas seguiu-se a um salto de 55% na segunda-feira. Na semana passada, o número de novos casos confirmados diários aumentou 14,5% em comparação com a semana anterior", afirmou o economista-chefe da Pantheon Macroeconomics, Ian Shepherdson, em uma atualização diária sobre a pandemia no mundo. Segundo ele, a média móvel de sete dias de pessoas hospitalizadas nos EUA ainda está caindo, mas provavelmente a tendência não vai durar. "A tendência da taxa de declínio está desacelerando implacavelmente e as hospitalizações aumentaram acentuadamente ontem, após um pequeno aumento na segunda-feira. O número médio de mortes em sete dias ainda está caindo, mas não podemos mais ter certeza de que isso continuará assim", afirmou. Agentes financeiros temem que, a exemplo de outros países Europeus, novas medidas de restrição de atividade tenham que ser impostas nos Estados Unidos, o que dificultaria ainda mais o processo de recuperação econômica do país. A situação é ainda mais preocupante dada a resistência dos congressistas americanos em aprovar um novo pacote de estímulos à economia. Ontem, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Jerome Powell, e o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, afirmaram à Câmara dos Deputados que mais ajuda fiscal seria necessária para dar suporte à recuperação econômica. A proximidade das eleições nos EUA é um fator apontado por agentes financeiros como possível catalisador de novos eventos de volatilidade no mercado. “Faltam apenas algumas semanas para a eleição presidencial dos EUA e a disputa acirrada, combinada com preocupações sobre fraudes de votação por correspondência, gerou rumores de que quem perder contestará o resultado, levando a um período potencialmente prolongado de incerteza”, disse Raffi Boyadjian, analista-sênior da corretora XM, em nota. Após terem sofrido um forte movimento de vendas na segunda-feira, as ações do segmento da indústria, que têm forte correlação com as perspectivas de crescimento econômico dos EUA, se recuperam nesta quarta-feira. Há pouco, o segmento subia cerca de 1%, na maior alta entre os 11 setores do S&P 500. Outros segmentos de destaque eram financeiro e o de consumo discricionário, também ligados aos fundamentos da economia. Entre as ações individuais, os papéis da Nike disparam mais de 9%, puxando os ganhos do índice Dow Jones, após a companhia ter divulgado que suas vendas se recuperaram durante o verão do hemisfério norte. Já a Tesla deve ter outro pregão difícil. As ações da fabricante de carros elétricos caem mais de 5%, após perdas de 5% na sessão de ontem. Os investidores se desapontaram depois que o CEO Elon Musk disse que pode levar três anos para que as inovações apresentadas no evento “Dia da Bateria”, ontem, reduzam significativamente os custos desses componentes. A meta de Musk de produzir 20 milhões de veículos por ano também veio sem um cronograma ou orçamento precisos.