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Bolsas da Europa têm forte queda, com covid nos EUA e tensão comercial

Novos dados mostram sinais de uma aceleração dos casos de covid-19 nos EUA. A média de sete dias de novos casos diários da doença aumentou mais de 30% Os principais índices europeus não tiveram força para estender os ganhos da véspera e, mesmo com a melhora nos indicadores de sentimento no continente, fecharam o dia em forte queda. A aversão ao risco é desencadeada pela alta no número de infectados pela covid-19 nos Estados Unidos e por novos episódios de disputas comerciais, dessa vez envolvendo a Casa Branca e a Europa e o Canadá.

O índice pan-europeu Stoxx 600 fechou em forte queda de 2,78%, aos 357,17 pontos, enquanto, maior queda desde o dia 11 de junho.

Em Londres, o FTSE 100 perdeu 3,11%, para 6.123,69 pontos e, em Frankfurt, o DAX recuou 3,43%, a 12.093,94 pontos. O CAC 40, de Paris, cedeu 2,92%, fechando o pregão aos 4.871,36 pontos. Em Milão e Madrid, os índices de referência recuaram 3,42% e 3,27%, respectivamente.

Novos dados mostram sinais de uma aceleração dos casos de covid-19 nos EUA. A média de sete dias de novos casos diários da doença aumentou mais de 30% em comparação com uma semana atrás, de acordo com uma análise da CNBC de dados da Universidade Johns Hopkins. Os casos de coronavírus estão aumentando no Texas, Flórida, Arizona e Califórnia, fazendo com que autoridades municipais e estaduais comecem a considerar a desaceleração ou a reversão dos planos de reabertura de negócios.

"Nosso trabalho sugere fortemente que indivíduos e empresas não são psicologicamente imunes a desenvolvimentos pandêmicos e se retrairão se o vírus começar a se espalhar novamente, independentemente das restrições oficiais do governo (ou da falta delas)", afirma a economista-chefe do Jefferies, Aneta Markowska e o economista de mercados monetários da instituição, Thomas Simons.

O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, disse na terça-feira que bares, restaurantes e cinemas reabrirão no início de julho, apesar das advertências dos cientistas de que tais medidas, juntamente com a redução da regra de distanciamento social, poderiam permitir uma disseminação mais rápida do vírus.

Em outra frente de preocupação dos investidores, uma matéria da Bloomberg apontou que os EUA estão considerando a imposição de tarifas em US$ 3,1 bilhões de mercadorias da França, Alemanha, Espanha e Reino Unido, em produtos que incluem cerveja, gim, azeitonas e caminhões. Os investidores temem que a medida possa reacender uma guerra comercial nova e enfraquecer ainda mais a retomada da economia.

"As tensões entre os europeus e os EUA estão borbulhando há algum tempo", disse Jane Foley, chefe de estratégia de câmbio do Rabobank. "Qualquer coisa que sugira que haverá tensão no comércio é ruim para a economia global".

Segundo a agência, os EUA também estavam pensando em repor tarifas sobre as importações de alumínio do Canadá a partir de 1º de julho, quando o novo USMCA, ou o Acordo EUA-Canadá-México, entrará em vigor.

Os desdobramentos ofuscaram as notícias positivas sobre expectativas no continente. O instituto Ifo informou que o índice de clima de negócios subiu de 79,7 pontos em maio para 86,2 pontos em junho, superando a estimativa dos analistas (84,3). De acordo com o instituto, “os negócios alemães veem a luz no fim do túnel”.

As ações do segmento de turismo e lazer, do setor automobilístico e de bancos foram as maiores penalizadas nesta quarta-feira, em queda de 4,70%, 4,74% e 3,61%, respectivamente.

Bloomberg