Mercado fechado

Bolsas da Europa recuam com incertezas sobre a pandemia e estímulos fiscais

Rafael Vazquez
·4 minutos de leitura

A aversão ao risco é atribuída às chances reduzidas de um novo pacote fiscal nos EUA, antes das eleições presidenciais de novembro, e o efeito disso na economia americana As bolsas europeias encerraram a quinta-feira (24) com perdas consistentes, diante do sentimento de cautela que predomina entre os investidores globais. A aversão ao risco é atribuída às chances reduzidas de um novo pacote fiscal nos Estados Unidos, antes das eleições presidenciais de novembro, e o efeito que essa demora pode ter na recuperação da economia americana. Além disso, o crescimento de casos de covid-19 na Europa e o temor de novas medidas de restrição no continente pesam no sentimento dos agentes financeiros. O índice pan-europeu Stoxx Europe 600 encerrou o dia em queda de 1,02%, a 355,85 pontos. Entre os índices nacionais, o DAX, referência da Bolsa de Frankfurt, recuou 0,29%, a 12.606,57 pontos, mesmo com a melhora nos índices de confiança do país. Mais cedo, o índice de clima de negócios do instituto Ifo, que mede a confiança dos empresários alemães, subiu para 93,4 pontos neste mês, de 92,5 pontos em agosto. É o quinto mês consecutivo de melhora no indicador, apesar de novos surtos da pandemia de covid-19 em regiões da Europa. "A economia alemã está se estabilizando, apesar do aumento do número de infecções", disse o Ifo, em comunicado. Em Londres, o FTSE 100, recuou 1,30%, a 5.822,78 pontos, e, em Paris, o CAC 40 perdeu 0,83%, terminando do dia aos 4.762,62 pontos. A referência da Bolsa de Milão recuou 0,12%, a 18.906,83 pontos, enquanto o Ibex 35, de Madri, cedeu 0,16%, a 6.643,40 pontos. Há duas preocupações principais que rondam a cabeça dos investidores globais, e uma delas é o aumento de casos de covid-19 na Europa, à medida que as temperaturas vão caindo após o término do verão no hemisfério norte. A tendência já provocou restrições à circulação social na Espanha, no Reino Unido e na França e leva a temores de que provoque confinamentos mais restritivos novamente, como ocorreu em março e abril, no auge da pandemia. Destaques O temor pressiona as ações de turismo e lazer, que foram um dos destaques negativos dentro do Stoxx 600 hoje, em queda de 1,20%. Os papéis da Carnival recuaram 5,61%, da IAG desvalorizaram 5,33% e da Lufthansa fecharam em queda de 3,65%. A outra fonte de incerteza dos agentes vem dos EUA, onde congressistas republicanos e democratas parecem distantes de um acordo para um novo pacote de estímulos fiscais, que ajudaria a sustentar a recuperação da economia americana. A morte de uma juíza da Suprema Corte e as divergências sobre a sua substituição reduziram bastante as probabilidades de que novos incentivos sejam aprovados antes da eleição presidencial americana, marcada para 3 de novembro. O impasse já começa a causar revisões nas expectativas sobre o desempenho da economia americana, a maior do mundo. Em relatório divulgado nesta quinta, economistas do Goldman Sachs diminuíram a previsão de crescimento dos EUA no quarto trimestre pela metade, de 6% para 3%. “Achamos que, agora, está claro que o Congresso não vai anexar estímulos fiscais adicionais à resolução contínua”, afirmaram Jan Hatzius, Alec Phillips e David Mericle, do Goldman. Também entrou no radar dos agentes financeiros os rumores de que a agência de classificação de risco Moody’s considera rebaixar o rating da França de Aa1 para Aa2. A decisão está programada para ser anunciada amanhã. Bancos Em outra rodada de financiamento a taxas subsidiadas de 1% pelo Banco Central Europeu (BCE), os bancos da zona do euro arrecadaram 174,5 bilhões de euros (US$ 203 bilhões). As ofertas para os empréstimos direcionados de três anos, conhecidos como TLTROs, vieram de 388 bancos e a aceitação pela Autoridade Monetária ficou no topo das expectativas dos economistas. A operação ficou bem abaixo do recorde de 1,3 trilhão de euros, da rodada anterior, três meses atrás, sugerindo que a maioria dos credores agora se considera bem financiada. O setor fechou o dia em queda de 0,38% dentro do Stoxx 600, mas as instituições financeiras da Itália e da Espanha, principalmente, registraram desempenho positivo. Banco Bpm, Bper Banca e UniCredit fecharam em alta de 5,80%, 5,31% e 2,28% em Milão, enquanto BBVA, Bankinter, CaixaBank e Bankia avançaram 5,30%, 1,68%, 1,61% e 1,20%, respectivamente, em Madri. Entre ações individuais, os papéis da Suez recuaram 4,50%, depois que seu conselho de diretores anunciou medidas que buscam impedir a venda de sua subsidiária de água Suez Eau France, como parte da resistência mais ampla da empresa a uma oferta de aquisição da Veolia Environnement. Já as ações da Pets At Home avançaram 27,79% em Londres. A varejista de suprimentos para animais de estimação disse que os lucros antes dos impostos ficaram acima da expectativa 73 milhões de libras. A companhia informou que teve um crescimento de vendas de dois dígitos nas oito semanas até 10 de setembro.