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Bolsas da Europa fecham em queda com aumento de casos de covid-19

André Mizutani e Rafael Vazquez

O índice Stoxx Europe 600 fechou em queda de 0,71%, a referência da bolsa de Londres, o FTS-100, caiu 0,47% e o DAX alemão perdeu 0,81% As bolsas da Europa fecharam em queda nesta quinta-feira (18), com o aumento de infecções pelo novo coronavírus nos Estados Unidos e na China elevando as preocupações em torno de uma segunda onda da doença, que inviabiliza a recuperação econômica global.

Os dados seguem indicando uma aceleração da taxa de contaminação em mais de uma dúzia de Estados americanos, de acordo com dados do Johns Hopkins Center. O número total de casos nos EUA já ultrapassa os 2,16 milhões e, nesta semana, os estados do Texas, Arizona e Carolina do Norte registraram recordes de hospitalizações diárias relacionadas à covid-19.

Além dos problemas enfrentados com a reabertura econômica dos EUA, um novo surto do novo coronavírus em Pequim levou as autoridades chinesas a cancelar centenas de voos dentro e fora da capital, contribuindo com a cautela.

O índice Stoxx Europe 600 fechou em queda de 0,71%, aos 363,41 pontos, com destaque para a queda de ações de empresas de viagens e lazer. Já o DAX alemão perdeu 0,81%, com 12.281,53 pontos, e o francês CAC-40 cedeu 0,75%, aos 4.958,75 pontos. As bolsas de Madri (-1,18%) e de Milão (-0,51%) também fecharam em queda.

Na Bolsa de Londres, o índice de referência FTSE 100 fechou em queda de 0,47%, a 6.224,07 pontos, depois que o Banco da Inglaterra (BoE) manteve a taxa de juros em 0,1%, adiando, ao menos por enquanto, a inciativa de levar a taxa para território negativo, e elevou o programa de compra de ativos (QE) em mais 100 bilhões de libras, para 745 bilhões de libras, em um sinal de que os esforços para impulsionar a recuperação econômica após o impacto avassalador da pandemia da covid-19 ainda não terminaram.

Apesar da elevação do QE britânico, participantes do mercado ficaram desapontados, pois esperavam um aumento maior no programa de compra de ativos do BoE. Outros elementos observados pelos investidores é que o economista-chefe da instituição, Andy Haldane, votou pela manutenção da quantia total anterior, de 645 bilhões de libras, além do sinal de que as compras serão mais lentas, com previsão de serem completadas na virada do ano, enquanto a economia do Reino Unido ainda agoniza na tentativa de se recuperar dos impactos severos da covid-19.

As ações do setor bancário, de maior peso no Stoxx 600, tiveram uma das piores performances do dia, recuando 1,13% no dia. As ações de mídia fecharam na lanterna do índice pan-europeu, com queda de 1,24%.

Outros bancos centrais do continente também movimentaram o dia. O Norges Bank, banco central da Noruega, manteve a taxa de juros de referência em zero, como esperado, depois de realizar três cortes no início do ano para dar força à economia durante a pandemia. O BC norueguês também sinalizou que precisará mantê-la em níveis baixos por vários anos.

Na Suíça o SNB (Swiss National Bank, o BC do país) também não mexeu na taxa, deixando-a em -0,75% ao ano, nesta quinta, também conforme amplamente esperado. O banco central "permanece disposto a intervir mais fortemente no mercado de câmbio", disse o comunicado da decisão, enfatizando que a política monetária expansionista "permanece necessária".

Ainda nessa área, foi divulgado na manhã desta quinta que os bancos da zona do euro emprestaram 1,3 trilhão de euros (US$ 1,46 trilhão) do Banco Central Europeu (BCE) por meio de um mecanismo de empréstimos de longo prazo que os paga para manter os empréstimos fluindo.

O BCE apostou fortemente em seu programa de empréstimos de longo prazo para ajudar empresas e famílias a lidar com as consequências econômicas da pandemia da covid-19, que deve enviar a união monetária à sua recessão mais profunda em décadas.

Entre os destaques dos pregões do dia no bloco, as ações da Wirecard caíram 61,82%, depois que a empresa de pagamentos alemã disse que seu auditor levantou questões sobre saldos em dinheiro no valor de 1,9 bilhão de euros. Também o grupo espanhol-alemão de energia renovável Siemens Gamesa perdeu 7,51% depois que o executivo-chefe Markus Tacke deixou o cargo.