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Bolsas americanas têm uma das piores semanas da história

JÚLIA MOURA
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 08.08.2011: MERCADO-FINANCEIRO: Vista interna da sede da Bovespa, em São Paulo. (Foto: Alessandro Shinoda/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A crise deflagrada pelo avanço do coronavírus está levando as Bolsas americanas a amargarem uma das piores semanas da história, com perdas semelhantes às duas maiores crises financeiras já registradas -1929 e 2008.

Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq despencaram mais de 10% cada uma desde segunda-feira (24). Apenas nesta quinta (27), a queda foi de mais de 4%. Se a retração se mantiver nesta sexta (28), será a pior semana desde a crise financeira de 2008.

A velocidade da queda, porém, já é um novo recorde negativo. Segundo o Financial Times, os seis dias de queda do índice S&P 500, que reúne as maiores companhias americanas, é a mais rápida correção -queda de mais de 10% do seu pico recente- desde 1933, período marcado pela Grande Depressão.

A queda desta quinta foi impulsionada pela divulgação de que o estado da Califórnia, Vale do Silício, monitora 8.400 casos suspeitos do coronavírus. Outras 33 pessoas testaram positivo.

Segundo o Goldman Sachs, empresas americanas não terão crescimento dos lucros em 2020 com relação a 2019 se o coronavírus continuar a crescer.

​"A revisão em baixa de nossas previsões reflete o forte declínio da atividade econômica chinesa no primeiro trimestre, o declínio na demanda para os exportadores americanos, a interrupção da cadeia de suprimentos, a desaceleração da atividade econômica americana e maior incerteza", diz o banco, em relatório.

Nesta quinta, o S&P teve a pior queda diária desde 2011, com recuo de 4,4%, a 2.978 pontos, o menor patamar desde outubro de 2019. Dow Jones também caiu 4,4%, indo ao menor valor desde agosto de 2019. Já a queda de 4,6% do índice Nasdaq, o levou ao menor patamar de dezembro.​

A Bolsa brasileira caiu 2,6%, a 102.983 pontos. Na semana, acumula queda de 9,6%, o maior recuo semanal desde 2011.

"Quanto mais contágios de coronavírus houver, mais risco temos de permanecer em zona de correção", afirma Maris Ogg, da Tower Bridge Advisors.

Um sinal da aversão ao risco de mercado, a taxa de 10 anos dos títulos do Tesouro americano continua perto da mínimo histórico, em 1,259%.

No entanto, de acordo com Art Hogan, da National, esse nível não é "um indicador de uma recessão, mas o sinal de uma corrida por ativos mais seguros, como ouro, dólar ou ações que geram altos dividendos".

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quis expressar confiança na quarta à noite, dizendo que uma disseminação em larga escala do novo coronavírus nos Estados Unidos não é inevitável.

Mas o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) anunciou um primeiro caso de "exposição desconhecida" na Califórnia. Essa pessoa não viajou para as áreas de risco nem entrou em contato com outro paciente.

Até agora, mais de 78.000 pessoas foram infectadas na China, incluindo cerca de 2.800 fatalmente. O coronavírus também afeta dezenas de outros países, com uma estimativa de 3.600 infecções e mais de 50 mortes.

Grandes empresas americanas, como Apple Procter & Gamble e Royal Caribbean Cruises, têm sinalizado a investidores que não vão conseguir entregar os resultados projetados para o primeiro trimestre de 2020 por conta de reduções na produção e vendas em decorrência do vírus.

Na quarta, a Microsoft indicou que não alcançaria suas metas de vendas trimestrais para o Windows e sua gama de computadores Surface devido aos atrasos na produção causados pelo coronavírus. As ações da empresa despencaram 7% nesta quinta.