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Bolsas americanas batem máximas históricas nesta quarta

JÚLIA MOURA
***ARQUIVO***São Paulo, SP, 04/01/2019: Movimentação na Bolsa de Valores de São Paulo. (Foto: Cris Faga/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Índices da Bolsa de Nova York bateram seus recordes históricos nesta quarta-feira (3) com indicações do presidente americano Donald Trump para o Fed (banco central americano) que agradaram o mercado.

Do lado europeu, a ida de Christine Lagarde, ex-diretora-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), para o comando do Banco Central Europeu (BCE) impulsionou Bolsas europeias que renovaram as máximas do ano. 

O viés positivo levou a Bolsa brasileira a uma alta de 1,42%, aos 102.043 pontos, próximo a máxima histórica. 

Via rede social, Trump anunciou que pretende nomear Christopher Walker, vice-presidente do banco central regional de St. Louis, e Judy Shelton, ex-assessora econômica do presidente e diretora americana do Banco Europeu para Reconstrução e Desenvolvimento (IBRD, na sigla em inglês) para compor a diretoria da instituição. Os nomes agradaram o mercado, já que Walker e Shelton defendem uma política monetária de estímulos, ou seja, corte de juros.

Mesmo em um dia de pregão reduzido --o mercado americano encerrou as negociações às 14h (horário de Braília), três horas mais cedo, devido ao feriado de 4 de julho nesta quinta--, Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq bateram suas máximas históricas.

O índice Dow Jones teve alta de 0,67%, a 26.966 pontos. O recorde anterior era de outubro de 2018. S&P 500 subiu 0,77% e renovou a máxima, aos 2.995 pontos. O índice de tecnologia Nasdaq subiu 0,75%, a 8.170 pontos, superando o recorde anterior de maio deste ano.

A máxima veio apesar de dados divulgados nesta quarta, que mostraram que o déficit comercial dos EUA saltou para máxima em cinco meses, enquanto o setor de serviços mostrou desacelerou. As divulgações vieram em linha com dados do setor imobiliário, industrial, de investimento empresarial e de gastos do consumidor, que apontaram para uma desaceleração na economia no trimestre.

Os números fracos reforçam a necessidade de uma política de incentivo por parte do Fed, o que pode representar juros mais baixos por mais tempo, positivo para o mercado de renda variável. 

Além das indicações de Trump, os mercados americanos foram impulsionados pela ida de  Christine Lagarde,  ex-diretora-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), para o comando do Banco Central Europeu (BCE). Investidores acreditam que Lagarde manterá a atual política monetária de incentivos, com possíveis cortes na taxa de juros.

A notícia também puxou as Bolsas europeias, que renovaram suas máximas do ano nesta quarta. Londres teve alta de 0,66%, aos 7.609 pontos. Paris subiu 0,75%, a 5.618 pontos e Frankfurt se valorizou 0,71%, a 12.616 pontos.

Já os rendimentos do tesouro americano de dez anos foi para o menor nível desde novembro de 2016, enquanto os títulos da zona do euro recuaram para mínimas históricas. 

O exterior positivo beneficiou a Bolsa brasileira, que subiu de 1,43%, apenas a 21 pontos de bater a máxima histórica. O giro financeiro foi de R$ 15,565 bilhões, dentro da média diária para o ano. 

A alta do índice também foi impulsionada pela Ambev, cujas ações valorizaram 4%, a R$ 18,87, após anúncio de IPO de uma fatia de sua controladora, a Anheuser-Busch InBev, na Bolsa de Hong Kong. A empresa vis capitalizar recursos para compensar o endividamento após a compra da SAB Miller.

A companhia, que compõe 4,8% do Ibovespa, foi a terceira mais negociada do índice nesta quarta, depois de Petrobras e Vale, que teve leve recuo de 0,2%.

O petróleo teve uma recuperação parcial após queda de 4% na véspera. O barril brent subiu 2,32%, a US$ 63,85. A valorização da commodity sustentou a alta da Petrobras. As ações preferenciais (mais negociadas) da companhia subiram 1,15%, a R$ 27,13 e as ordinárias (com direito a voto), 1%, a R$ 29,77.

Além disso, a estatal anunciou que espera levantar até R$ 9,4 bilhões com a privatização da BR Distribuidora, que ocorrerá até o final do mês.

O atraso na votação da reforma da Previdência na comissão especial, que tinha o início previsto para as 13 horas desta quarta, não afetou o mercado, que reagiu de maneira positiva à economia de R$ 1,071 trilhão em dez anos com a nova versão do projeto, apresentada na terça (2).

"Acreditamos na votação na comissão especial até amanhã, o que viabiliza a aprovação em plenário antes do recesso. O cronograma é um detalhe importante, mas é um detalhe. A reforma está encaminhando com uma potência fiscal, o que é mais importante",afirma Victor Cândido, economista-chefe da Guide Investimentos.

O dólar acompanhou o dia positivo para ativos de risco e recuou 0,720%, a R$ 3,8270.