Mercado fechado

Bolsa vai a 110 mil pontos e bate novo recorde

JÚLIA MOURA
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 29.01.2019: Números dos indicadores econômicos na B3 (Brasil, Bolsa, Balcão) em São Paulo. (Foto: Cris Faga/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Bolsa brasileira alcançou o patamar de 110 mil pontos pela primeira vez na história nesta quarta-feira (4). O Ibovespa subiu 1,23%, a 110.300 pontos.

A alta é fruto do viés positivo no exterior, após reportagem da Bloomberg apontar que um acordo comercial entre China e Estados Unidos está próximo, e ainda como reflexo do crescimento de 0,6% no PIB (Produto Interno Bruto) do terceiro trimestre, melhor que o esperado. 

O recorde anterior era de 7 de novembro, quando o Ibovespa fechou acima dos 109 mil pontos pela primeira vez. 

Segundo a Bloomberg, chineses e americanos estariam próximos de um acordo sobre quais tarifas seriam revertidas na fase 1 do acordo comercial. Na véspera, o presidente americano, Donald Trump, disse que pode deixar a primeira etapa do acordo para 2020, após eleições presidenciais.

Segundo as fontes ouvidas pela reportagem, os comentários de Trump não devem ser interpretados como uma paralisação das conversas. Ainda segundo a publicação, o apoio de Washington a Hong Kong não deve atrapalhar a fase 1, que deve se concretizar antes de 15 de dezembro, quando novas tarifas entrariam em vigor.

Em Nova York, os principais índices acionários fecharam em alta. Dow Jones e Nasdaq subiram 0,53% e  0,54%, respectivamente, e S&P 500, 0,63%. Na Europa, Frankfurt subiu 1,16%.

No Brasil, o Ibovespa também foi impulsionado por Petrobras, cujas ações preferenciais (mais negociadas) subiram 2,3%. A valorização da empresa acompanha a alta do barril de petróleo. O Brent subiu 3,6%, a US$ 63 (R$ 264,60). 

O plano de desinvestimentos da estatal também animou investidores. Nesta quarta, aconteceu a primeira apresentação do Plano Estratégico 2020-2024 da Petrobras a analistas e investidores, em Nova York.

Segundo o diretor-executivo de Exploração e Produção, Carlos Alberto Oliveira, a companhia poderá colocar à venda mais campos marítimos de petróleo em produção, como participações nos campos de Marlim e Papa-Terra, ambos na Bacia de Campos.

Os desinvestimentos totais previstos pela empresa variam de US$ 20 bilhões a US$ 30 bilhões no período do plano, sendo a maior concentração em 2020 e 2021.

Também estão nos planos a a criação de uma empresa, com usinas térmicas, que poderá ser listada em bolsa e venda de metade de sua capacidade de refino no Brasil, além de ativos de gás e em outros países.

A Petrobras poderá se desfazer de participação na BR Distribuidora, ainda em 2020, na Braskem --que levantaria de US$ 2 bilhões a US$ 3 bilhões-- e de ativos na Bolívia.

Ouras companhias que tiveram um bom desempenho na sessão foram Itaú e BTG, bancos ligados ao IPO (oferta pública inicial, na sigla em inglês), que subiram 3,60% e 4,42%, respectivamente. A expectativa é que a corretora passe a ser negociada na Bolsa de Nova York na próxima terça (10). 

O otimismo levou o volume negociado na Bolsa brasileira a superar a média diária para o ano, a R$ 18,062 bilhões.

A cotação do dólar, no entanto, fechou em leve queda de 0,07%, a R$ 4,2040. Durante o pregão, a moeda americana chegou a cair para R$ 4,1850, mas perdeu força.

Segundo Stéfany Oliveira, analista de investimentos da Toro, ainda há uma barreira dos investidores no patamar de R$ 4,20. Ou seja, o mercado não vê o dólar abaixo deste valor no momento e, quando a cotação caiu, investidores foram as compras da moeda, o que elevou seu valor.

Ela aponta ainda que o crescimento na indústria brasileira, que teve o melhor outubro desde 2012, não pesou contra e nem a favor do mercado hoje.

"A produção industrial veio ligeiramente abaixo do que o mercado esperava, mas não surpreendeu. O recorde Ibovespa hoje é, em grande parte, fruto da aproximação de China e EUA em torno de um acordo comercial e do PIB de ontem, que mostrou um aumento saudável, impulsionado pelo consumo das famílias e por investimento e não por gastos do governo", diz Stéfany.