Mercado fechará em 5 h 58 min

Bolsa tem segundo circuit breaker na semana e fecha em queda de 7,6%

JÚLIA MOURA
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP: Painéis de indicadores econômicos na sede da Bovespa, em São Paulo. (Foto: Alessandro Shinoda/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Com a declaração da OMS (Organização Mundial de Saúde) de pandemia do coronavírus nesta quarta-feira (11), a Bolsa de Valores brasileira despencou pela segunda vez na semana. Depois de cair 12% na segunda (9) e subir 7% na terça (10), o Ibovespa recuou 7,64%, a 85.171 mil pontos, acionando o circuit breaker, quando caiu 10,11% durante o pregão.

Este é o segundo circuit breaker da semana. O primeiro aconteceu na segunda, quando Bolsas globais tiveram o pior pregão desde a crise financeira de 2008. O mecanismo é uma pausa temporária nas negociações de ativos, derivativos e títulos de renda fixa privada acionada em quedas superiores a 10% do Ibovespa. Neste caso, o pregão é interrompido por 30 minutos.

Desde a piora dos mercados financeiros com o avanço do coronavírus na China, a Bolsa de Valores brasileira perdeu quase R$ 900 bilhões em valor de mercado. As fortes quedas, que tiveram início na quarta-feira de Cinzas (26), derrubaram o Ibovespa em 25,8% nas duas últimas semanas.

A perda de valor corresponde a cerca de 12% do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil em 2019, que somou R$ 7,257 trilhões.

Nesta sessão, a Bolsa abriu em queda sob a notícia de novos casos do coronavírus no Brasil e falta de maiores detalhes de estímulos econômicos nos Estados Unidos. A desvalorização foi acentuada no início da arde pela declaração da OMS (Organização Mundial da Saúde) de que há uma pandemia do covid-19 em curso no mundo com a sua disseminação por mais de cem países, em todos os continentes.

Com a notícia, o Ibovespa acelerou perdas e, por volta das 15h15, caiu 10,11%, acionando o circuit breaker. Na retomada das negociações, o índice chegou a cair 12,4%.

A queda foi amenizada pela declaração do presidente americano, Donald Trump, de que está preparado para usar todo o poder do governo contra o coronavírus. Trump também disse que um anúncio sobre medidas econômicas e para a área de saúde será feita nesta quarta à noite.

Nos Estados Unidos, Dow Jones caiu 5,86% e entrou em território baixista, quando cai 20% abaixo do seu recorde recente. S&P 500 caiu 4,89% e Nasdaq, 4,70%. A cotação do dólar subiu 1,57%, para R$ 4,7200. O turismo está a R$ 4,9060. Em algumas casas de câmbio, é vendido acima de R$ 5.

"Esperávamos um forte queda da Bolsa hoje [quarta], o cenário está muito negativo. Pessoas começaram a sentir que o coronavírus vai atingir o Brasil, a nossa indústria. Não vamos ver mudança de tendência nos próximos dias. O medo, nesse momento, fala mais alto", afirma Henrique Esteter, analista da Guide Investimentos.

No Brasil, subiu para 52 o número de infectados pelo novo coronavírus.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que declarar pandemia não significa que a situação está fora de controle nem que o mundo deva abandonar as medidas de contenção e passar a pensar em mitigação. Ele pediu ações agressivas contra o vírus. "Seria um erro abandonar a estratégia de contenção."

"A interpretação do mercado é que agora os governos vão fazer o mundo parar, tal como a Itália, em que ninguém quase sai de casa", afirma William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue Securities.

Nesta semana, o governo italiano determinou que a circulação dentro da Itália está vetada, a não ser por motivo de saúde, trabalho ou "casos de necessidade". O mesmo vale para quem pretende sair ou entrar no país, independentemente do lugar de destino ou origem.

“A notícia da OMS levou investidores a tirar mais posições de Bolsa. A minha recomendação hoje é não fazer nada, aguardar o pânico passar e comprar ações aos poucos”, diz Rafael Panonko, chefe de análises da Toro Investimentos.

Nesta quarta, as maiores quedas da Bolsa foram de companhias aéreas, que sofrem com as restrições de viagens e alta do dólar.