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Bolsa tem 8ª queda à espera de juros agressivos contra inflação

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***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 09.05.2015 - Vista interna da Bolsa de Valores de São Paulo. (Foto: Diego Padgurschi/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 09.05.2015 - Vista interna da Bolsa de Valores de São Paulo. (Foto: Diego Padgurschi/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O mercado financeiro aprofundou nesta terça-feira (14) o tombo da véspera, sendo dragado pelo sentimento cada vez mais forte de que a inflação mundial está descontrolada e provocará uma alta global de juros capaz de colocar as principais economias à beira da recessão.

Refletindo o ambiente de aversão aos investimentos de risco, o dólar comercial subiu 0,43%, a R$ 5,1350 na venda, renovando a sua maior cotação frente ao real em um mês.

Na quinta queda consecutiva da Bolsa de Nova York, o indicador de referência S&P 500 cedeu 0,38%, após ter mergulhado 3,88% na sessão anterior.

O índice Dow Jones, que acompanha empresas americanas de grande valor, recuou 0,50%. O Nasdaq, que é focado em companhias médias do setor de tecnologia, subiu 0,18%. A ligeira alta ocorreu, porém, após um tombo de quase 5% na véspera.

Os principais mercado europeus também recuaram. As Bolsas de Paris e de Frankfurt caíram 1,20% e 0,91%, nessa ordem. Londres perdeu 0,25%.

O estresse toma conta do mercado financeiro mundial desde a última sexta-feira (10), quando dados da inflação americana vieram acima do esperado, reforçando o sentimento de que autoridades monetárias em todo o mundo terão de acelerar ainda mais suas respectivas taxas de juros.

Essa situação tende a valorizar moedas fortes, sobretudo o dólar, e tirar investimentos de ações de empresas negociadas nas Bolsas.

Nesta quarta-feira (15), o Fomc (comitê de política monetária) do Fed (Federal Reserve, o banco central americano) concluirá sua reunião de dois dias e informará a sua decisão sobre o ritmo de aumento dos juros no país.

Analistas do mercado de Nova York apostam amplamente em uma elevação de 0,75 ponto percentual, segundo a agência Reuters. Se confirmada, essa será a maior elevação da taxa em uma reunião do Fed desde 1994.

Na mesma data, o Copom, comitê responsável por formular a política monetária do Banco Central do Brasil, também apresentará sua decisão sobre a taxa básica de juros do país, a Selic. O aumento no custo do crédito nos Estados Unidos tende a afetar a taxa brasileira.

"Todas as atenções estão voltadas para Copom e Fed", comentou Wagner Varejão, especialista da Valor Investimentos. "Esperava-se, nos dois casos, uma alta de 0,5 ponto percentual, mas os dados da inflação lá fora deixaram o cenário meio turvo", disse.

O aperto monetário —o que significa tornar o crédito mais caro para, assim, esfriar o consumo e desacelerar a inflação— nos Estados Unidos também aumenta o rendimento dos títulos do Tesouro americano, considerado o investimento mais seguro do planeta.

Isso leva investidores a diminuírem suas aplicações em mercados mais arriscados, como as Bolsas de Valores. É um momento em que o mercado quer tirar proveito da renda fixa mais atrativa nos EUA.

Esse aumento do fluxo de dólares em direção aos títulos soberanos nos Estados Unidos torna a moeda mais escassa e cara, provocando uma reação em cadeia no mundo dos negócios.

Em países de economia emergente, como o Brasil, a alta do dólar eleva custos de importação e faz disparar a inflação.

Bancos Centrais são forçados a elevar juros para convencer investidores de que o retorno oferecido por seus títulos soberanos compensa o risco que eles correm ao não levarem seus dólares para os EUA.

No mercado de juros futuros brasileiro, entre sexta e segunda-feira, a taxa DI (Depósitos Interbancários) com vencimento em janeiro de 2023 pulou de 13,37% para aproximadamente 13,54% ao ano.

O índice é negociado apenas entre bancos, mas reflete a expectativa do setor para os rumos da Selic, além de servir de referência para o setor de crédito.

O principal problema desse movimento é a falta de liquidez no mercado, uma vez que investidores passam a ter a chance de obter ganhos confortáveis com juros altos pagos pela renda fixa em todo o mundo. O dinheiro que sai das Bolsas faz falta para as empresas, pois elas perdem capital com a queda das suas ações e deixam de crescer e gerar empregos.

Mas a crise atual é ainda mais difícil de se enfrentar porque o aperto ao crédito não é o único remédio capaz de frear a inflação. Ainda como consequência das paralisações de atividades provocadas pela pandemia de Covid, o mundo enfrenta a falta de bens e insumos.

A alta de preços, portanto, precisaria também ser combatida com o aumento da oferta. Mas há ao menos dois grandes impedimentos para a normalização da comercialização global de mercadorias.

Em primeiro lugar, a China, que concentra boa parte da produção de bens industrializados do mundo, mantém severas restrições ao funcionamento de empresas para tentar conter as infecções pelo coronavírus.

Além disso, a guerra na Ucrânia reduziu a oferta de petróleo e fez o preço da matéria-prima disparar, uma vez que a produção russa foi banida dos Estados Unidos e de parte da Europa. Também devido ao conflito, a produção de grãos da Ucrânia enfrenta obstáculos para ser escoada, colaborando com o aumento global dos preços dos alimentos.

Além das Bolsas, outros investimentos considerados arriscados sofrem perdas quando há no mercado a percepção de um ambiente menos favorável para a chamada renda variável.

Nesta segunda, o bitcoin caiu ao menor nível em 18 meses, fechando o dia na casa dos US$ 23,5 mil ( cerca de R$ 117 mil). Nesta terça, a criptomoeda era negociada abaixo dos US$ 23 mil.

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