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Bolsa supera 106 mil pontos pela primeira vez desde março

ISABELA BOLZANI
·3 minuto de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Bolsa de Valores brasileira superou os 106 mil pontos pela primeira vez deste março. O Ibovespa, principal índice acionário do país, encerrou o pregão desta segunda-feira (16) com alta de 1,63%, aos 106.429 pontos. O volume financeiro da sessão somava R$ 51,3 bilhões. O avanço veio na esteira do maior otimismo no exterior com esperanças de que uma vacina contra o coronavírus saia em breve. Nesta segunda a farmacêutica americana Moderna anunciou que sua vacina é 94,5% eficaz contra a Covid-19. O anúncio vem uma semana depois de a concorrente, Pfizer, informar dados positivos sobre sua própria vacina. Dados de testes provisórios mostraram que a vacina experimental desenvolvida pela Pfizer e pela alemã BioNTech é 90% eficiente e já haviam despertado esperanças de um fim para a pandemia que já custou mais de um milhão de vidas e devastou as maiores economias do mundo. Supondo uma aprovação regulatória, os dois grupos esperam produzir cerca de 50 milhões de doses até o final deste ano e 1,3 bilhão de doses em 2021. Segundo Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora, além da percepção de proximidade de uma solução contra o coronavírus, outros fatores que impulsionaram a busca dos investidores por risco foram os resultados da produção industrial chinesa -que subiram 6,9% em outubro ante igual mês de 2019, acima da estimativa de 6,7% do mercado- e o avanço da agenda de reformas com o fim do primeiro turno das eleições municipais. "Caso o Ibovespa consiga manter esse patamar ao longo desta semana, irá superar uma importante resistência de curto prazo e buscar o alvo da faixa de 110 mil pontos, sacramentando a tendência de alta", afirmou. Perto das 18h30, as ações da Moderna subiam 9,58%, aos US$ 97,95 (R$ 537,29), enquanto os papéis da Pfizer caíam 3,34%, aos US$ 37,33 (R$ 204,77). As ações da CureVac subiram 13,94% na sessão, cotadas em US$ 85,68 (R$ 469,99), enquanto os papéis da AstraZeneca caíram 0,97%, aos US$ 112,74 (R$ 618,42). No exterior, os índices também refletiram o maior otimismo dos investidores. Nos Estados Unidos, S&P 500, Dow Jones e Nasdaq registraram altas de 1,16%, 1,60% e 0,80%, respectivamente. Também repercutiu positivamente a sinalização dos principais conselheiros do presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, de que não há planos de 'lockdown' nacional para controlar o contágio pela doença. Na Europa, o Euro Stoxx 50, principal índice europeu, registrou ganhos de 0,99%. O Financial Times, de Londres (Inglaterra), e o DAX, de Frankfurt (Alemanha), subiram 1,66% e 0,47%, nesta ordem. No Brasil, balanços corporativos também tiveram reflexo no índice, com a temporada de resultados se aproximando do final. Para estrategistas do BTG Pactual, citando análise preliminar, que exclui os números de Petrobras e Vale, a temporada mostrou desempenho surpreendente em relação ao mesmo período do ano anterior. O dólar, por sua vez, encerrou a sessão com queda de 0,69%, cotado em R$ 5,4360. A moeda também foi influenciada pelo maior otimismo em relação às vacinas, o que trouxe um aumento generalizado de apetite por risco. O real figurou entre as moedas de melhor desempenho do dia, em lista liderada por rublo russo (+1,8%), rand sul-africano (+1,4%) e coroa norueguesa (+1,1%). Em relatório nesta segunda-feira, o Citi afirmou que a ampla distribuição de vacinas para combater a pandemia do coronavírus e o afrouxamento monetário em curso podem fazer com que o dólar norte-americano enfraqueça até 20% no próximo ano em âmbito global. (Com Reuters)