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Bolsa sobe 1,5% e vai ao maior patamar desde janeiro com aprovação da LDO

JÚLIA MOURA
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***ARQUIVO***SÃO PAULO: Vista de painéis de indicadores econômicos na sede da Bovespa, em São Paulo. (Foto: Alessandro Shinoda/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO: Vista de painéis de indicadores econômicos na sede da Bovespa, em São Paulo. (Foto: Alessandro Shinoda/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Bolsa brasileira foi ao patamar mais alto desde janeiro nesta quarta-feira (16), com a aprovação da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2021, que dá os rumos do Orçamento no próximo ano, pelo Congresso.

A proposta agora vai à sanção. Sem sua aprovação, o governo poderia ficar sem autorização para realizar qualquer despesa, mesmo as obrigatórias, como salários e aposentadorias.

A proposta prevê uma meta de déficit público de R$ 247,1 bilhões para o governo federal. Essa estimativa de rombo é maior do que as projeções anteriores, que estavam em torno de R$ 230 bilhões.

"O que trouxe um alívio para os mercados e que ajudou o Ibovespa foi a confirmação desta meta fiscal. Uma meta flexível, como chegou a ser especulado pelo governo, seria um retrocesso no discurso de austeridade fiscal", diz Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora.

O Ibovespa fechou em alta de 1,47%, a 117.857 pontos, maior valor desde 23 de janeiro.

Durante o pregão, o índice superou a marca de 118 mil pontos, encostando em sua máxima histórica. A pontuação recorde de fechamento do Ibovespa é de 23 de janeiro, quando terminou a 119.527,63 pontos. A máxima intradia é do dia 23, quando chegou a 119.593,10 pontos, mas fechou a 118.376,36 pontos, segundo dados da CMA.

Agora, em 2020, o Ibovespa acumula acréscimo de 1,9%.

Um dos fatores que contribuiram para a recuperação da Bolsa é a volta dos estrangeiros. Dados da B3 mostram um saldo positivo de R$ 8,35 bilhões em dezembro, até esta segunda (14), no investimento estrangeiro.

Outro contribuinte foi o Fed (banco central americano), que injetou valores recordes no mercado. Nesta quarta, o banco prometeu continuar dando liquidez de forma contínua contra a recessão, o que tende a aumentar o fluxo estrangeiro para a Bolsa brasileira.

"A manutenção dos estímulos pelo Fed não foi novidade, sendo que o mais importante foi que o BC dos EUA manteve seu viés extremamente dovish, ou seja, não vai medir esforços para alavancar a economia americana via seus programas de estímulos", afirma Ribeiro.

Em Wall Street, o índice S&P 500 fechou em alta de 0,18%. Dow Jones teve queda de 0,15% e Nasdaq subiu 0,5%.

A alta de 2% das ações da Vale também favoreceu o Ibovespa. A empresa renovou o recorde de fechamento a R$ 86,22 por papel e a R$ 455,6 bilhões em valor de mercado.

A companhia foi impulsionada pela valorização do minério de ferro na China. O contrato mais negociado do minério na Bolsa de Dalian, para entrega em maio, fechou em alta de 2,9%, a 1.007,50 iuanes por tonelada (US$ 154,10).

Além disso, o instituto brasileiro de aço divulgou dados mostrando crescimento de dois dígitos nas vendas de aços planos e longos, em novos sinais positivos para as empresas do setor.

Já o dólar fechou em alta de 0,41%, a R$ 5,1070, nesta quarta-feira (16), após o Fed manter os juros perto de zero, como esperado pelo mercado. O dólar turismo está a R$ 5,283.

As fortes injeções de recursos pelo Fed têm ajudado a baixar o dólar no mundo e no Brasil. Mas, desde a última quinta, quando fechou em torno de R$ 5,04, mínima em seis meses, a moeda tem tido mais dificuldade de atrair vendas, conforme muitos agentes financeiros preveem que a cotação feche o ano mais perto de R$ 5,10.

Além disso, o índice de força relativa (IFR) de 14 dias do dólar/real - uma medida de excesso de altas ou baixas no preço de um ativo-- tocou 30 nas últimas sessões, linha abaixo da qual um ativo (no caso, o dólar) é considerado excessivamente fraco, percepção que pode estimular recomposição de posições via compras.

O IFR de 14 dias ainda está em 37,4, mais próximo de 30 do que de 70 -patamar acima do qual o preço de um ativo é considerado excessivamente alto.

Ainda assim, o real segue com desvalorização de 21,4% em 2020, uma das mais fortes entre seus pares, o que, para analistas, pode significar espaço para valorização da divisa brasileira. Nas contas do Bradesco, com base em movimentos de pares emergentes o real deveria estar em R$ 4,07 por dólar.

"O Brasil recuperou apenas US$ 6 bilhões dos US$ 5 bilhões de saída de estrangeiros no ano. Caso toda a saída de recursos fosse revertida, poderíamos ter um influxo relevante para o país", disse o Bradesco em nota, ponderando que a principal fragilidade do Brasil, de ordem fiscal, foi acentuada durante a pandemia.

A maior alta do Ibovespa na sessão foi da Braskem, que avançou 5,6% após reportagem do Valor Econômico afirmar que a sua controladora, a Odebrecht, retomará processo de venda da sua participação na petroquímica no primeiro trimestre de 2021. Em agosto, o grupo deu início às preparações para vender sua participação na Braskem.

Já a Minerva se valorizou 4,26%, em sessão de alta no setor de proteínas, com JBS subindo 3,24% e Marfrig encerrando em alta de 3,26%. A Minerva também anunciou nesta quarta nova plataforma de comércio eletrônico para clientes e parceiros (B2B).

A B3 teve elevação de 2,84%, após seu presidente-executivo, Gilson Finkelsztain, afirmar nesta quarta que esperar manutenção do forte ciclo de IPOs no Brasil em 2021, após 27 estreias neste ano.

A Eletrobras cedeu 3,36%, conforme o papel segue volátil ao noticiário relacionado à privatização da elétrica. A associação empregados da Eletrobras (Aeel) pediu na véspera criação de comissão mista no Congresso para investigar o processo.