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Por que a Bolsa segue em alta, mesmo com a economia devagar?

Bolsa pode subir mais 18% com juro em queda (Foto: Getty Images)

Por Fellipe Pinheiro

A economia do Brasil segue a passos lentos, com poucos sinais de melhora. O otimismo no mercado de ações nos últimos meses, entretanto, é um dos maiores nos últimos anos. O índice iBovespa tem operado na faixa dos 104 mil pontos e a média das expectativas para o fim do ano é de 120 mil. E esse número pode crescer ainda mais.

Segundo as contas da corretora Genial Investimentos, se corrigida pela inflação, a bolsa poderia chegar ao patamar dos 135 mil pontos. Se levado em consideração o dólar, a bolsa ainda tem uma capacidade de correção de 50%. O momento de maior valorização, quando considerados dólar e inflação, foi em 2009.

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Afinal, por que o mercado está tão otimista?

A longa duração da crise econômica afeta de formas diferentes os papeis de cada empresa listada na bolsa, e é importante entender isso antes de comprar ações. É necessário levar em consideração como a economia funciona em momentos de retomada.

Os operadores do mercado trabalham com a ideia de que os preços dos papeis estão sempre um passo à frente de algum acontecimento relevante. Eles consideram que os preços das ações antecipam as previsões para o futuro – seja de dados macroeconômicos, seja de resultados na economia ou das empresas. Em outras palavras: a bolsa tenta antecipar a melhora esperada da economia.

“Quando o fato realmente acontece e é melhor que o esperado, há uma reação positiva imediata. Se é pior, há uma correção para baixo”, explica o analista Filipe Villegas, da Genial Investimentos.

Um exemplo recente foi a aprovação da reforma da Previdência na primeira votação. Bastou o texto entrar em discussão na Câmara para o pregão acumular alta após alta.

Cuidado com as falsas promessas

Acontece que o investidor pessoa física não pode confiar cegamente nas previsões do mercado financeiro. Um ditado bastante conhecido dos agentes de mercado diz que “as ações sobem no boato e descem no fato”. Cautela nunca é demais.

Quais são as primeiras ações a reagir na retomada?

Segundo Villegas, os bancos são os primeiros a reagir às mudanças nas expectativas. Atenção para essa palavra. Muitas vezes, as ações dos bancos respondem ao que se espera da economia como um todo – às expectativas – e não às condições atuais das contas públicas, do emprego e da renda.

Um dos motivos é o fato de o investidor estrangeiro perceber os papeis do setor bancário como uma boa porta de entrada para o mercado de ações brasileiro. Isso acaba impactando também o Ibovespa – o índice que reúne um número de empresas listadas que correspondem a cerca de 80% do volume de negócios na B3 –, pela participação relativa desse setor no índice.

O segundo setor a se recuperar na bolsa em momentos de retomada costuma ser o varejo. “Por característica, o brasileiro é consumista”, opina o analista da Genial Investimentos, para quem, ao lado dos bancos, o varejo é o setor que mais se recuperou na bolsa. Uma boa forma de tirar a prova dos nove, nesse caso, é estudar os balanços das empresas antes de comprar as ações.

Em uma outra frente, aparecem construção civil e indústria. Funciona assim: o mercado percebe que determinados indicadores da economia real estão se recuperando. Então os agentes especulam uma melhora no desempenho das empresas. É o caso da taxa de desemprego.

Como tanto a construção civil quanto a indústria são setores que demandam mão de obra, uma melhora nas taxas de emprego pode ser sinal de que as coisas vão bem nesses setores. Taxas de juros mais baixas, como é o caso hoje, também favorecem as empresas de construção civil.

Então o mercado vê melhora na economia do Brasil?

Para Villegas, os dois primeiros setores – bancos e varejo – já demonstraram ganhos nos últimos meses. “O grande boom do setor bancário e de varejo aconteceu no ano passado na virada de governo com a vitória do candidato que mais agradava o mercado”, ele explica. Com isso, é possível que as maiores oportunidades de lucro estejam em outros setores.

Inclusive em um quarto grupo de empresas, que o analista da Genial considera estar entre as que reagem por último: saúde e serviços educacionais. A explicação seria que, com a volta do emprego, surgem melhores condições para contratação de planos de saúde – inclusive patrocinados pelos empregadores – e maior demanda por serviços educacionais.

Para o analista, ainda há boas chances de o investidor ganhar dinheiro na bolsa. “A gente nunca vai saber quando é o melhor momento de entrada, mas a gente sabe que ainda tem espaço para a bolsa crescer”.