Bolsa de NY recua no dia e na semana por temor fiscal

Os principais índices da Bolsas de Nova York fecharam em queda nesta sexta-feira. Mais uma vez, os receios com o chamado abismo fiscal afastaram os investidores dos mercados acionários, mesmo em uma dia com indicadores positivos nos Estados Unidos e também na China.

O índice Dow Jones perdeu 35,71 pontos (0,27%) e fechou a 13.135,01 pontos. No acumulado da semana, a queda foi de 0,15%. O Nasdaq recuou 20,83 pontos (0,70%), terminando a 2.971,33 pontos. Na semana, a queda foi de 0,23%. O S&P 500 teve baixa de 5,87 pontos (0,41%), encerrando a 1.413,58 pontos. Na semana, a retração foi de 0,32%.

A produção industrial nos EUA subiu 1,1% em novembro ante outubro, superando as previsões de aumento de 0,2%. Outro indicador positivo sobre a economia norte-americana foi o índice de atividade dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) do setor industrial, que avançou para 54,2 na leitura preliminar de dezembro, de 52,8 em novembro, apontando expansão da atividade.

Na Europa, os indicadores divulgados não foram tão bons. O PMI composto da zona do euro subiu para 47,3 em dezembro, mas o indicador continua abaixo de 50, sugerindo uma contração da atividade pelo 11º mês seguido. O número de pessoas empregadas na zona do euro diminuiu 0,2% no terceiro trimestre deste ano, em comparação com o segundo trimestre, e o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) da zona do euro caiu 0,2% em novembro ante outubro, em linha com as previsões. Já na China o PMI industrial medido pelo HSBC subiu para 50,9 em dezembro - o nível mais alto em 14 meses.

Mas os receios com o abismo fiscal mantiveram os investidores cautelosos. Na quinta-feira (13), o presidente dos EUA, Barack Obama, e o presidente da Câmara, o republicano John Boehner, se encontraram na Casa Branca. A única informação disponível da reunião é que a conversa entre os dois líderes foi "franca".

"O mercado de ações se encontra incapaz de refletir a força dos indicadores econômicos subjacentes em função do abismo fiscal", comenta David Joy, estrategista-chefe de mercado da Ameriprise Financial.

Mais cedo, o deputado democrata Steny Hoyer afirmou que se republicanos e democratas alcançarem um acordo, mas não tiverem tempo de submetê-lo ao Congresso antes do fim do ano, os detalhes da legislação e sua aprovação podem ficar para janeiro de 2013. Em entrevista ao canal de televisão norte-americano Fox News, Hoyer afirmou que o Congresso poderia aprovar uma medida que adiaria os cortes de gastos e aumentos de impostos automáticos previstos para entrar em vigor no dia 1º de janeiro. "Podemos aprovar uma lei que adie tudo isso por 15 dias", disse.

No noticiário corporativo, o setor de tecnologia teve as maiores perdas nesta sessão. Quem liderou a queda foi a Apple, cujas ações recuaram 3,76%. O lançamento do iPhone 5 em Pequim atraiu multidões menores do que eventos similares no passado e os analistas do UBS cortaram suas projeções de lucro para a companhia no próximo ano. Além disso, um tribunal federal dos EUA decidiu que a companhia infringiu três patentes relacionadas com tecnologia de dispositivos móveis que pertencem a uma empresa que é parcialmente detida pela Nokia e pela Sony Corp.

Já os papéis da Best Buy despencarem 14,66%. A empresa de varejo chegou a um acordo com seu fundador e maior acionista, Richard Schulze, dando mais tempo para que ele faça uma oferta para comprar a rede. O Facebook perdeu 5,06%, após o fim de mais um período de "lock-up", que impedia investidores iniciais de vender seus papéis.

Em contrapartida, as ações da US Steel subiram 6,81%, impulsionadas pelo dado positivo sobre a produção industrial na China. Entre as blue chips, os destaques de alta foram os bancos e companhias do setor de energia. Na lista apareceram Alcoa (+1,75%), Dow Chemical (+1,26%), Occidental Petroleum (+0,98%), Morgan Stanley (1,40%), Citigroup (0,83%) e Bank of America (0,38%). As informações são da Dow Jones.

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