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Bolsa fecha em queda de 3,05% com mercados afundando nos EUA

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***ARQUIVO***SÃO PAULO: Gráfico com os índices de indicadores econômicos na sede da Bolsa de Valores de São Paulo. (Foto: Diego Padgurshi/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO: Gráfico com os índices de indicadores econômicos na sede da Bolsa de Valores de São Paulo. (Foto: Diego Padgurshi/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Bolsa de Valores brasileira caiu 3,05%, a 110.123 pontos, e o dólar subiu 0,87%, a R$ 5,4260 nesta terça-feira (28), em um dia marcado por fortes baixas nos mercados de ações do exterior devido à expectativa de inflação e consequente elevação de juros nos Estados Unidos.

Em Wall Street, Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq fecharam com quedas de 1,63%, 2,04% e 2,83%, respectivamente.

A tempestade nas bolsas está relacionada à busca dos investidores por ganhos com títulos do Tesouro dos Estados Unidos devido à expectativa de confirmação de que o Fed (Federal Reverve, o banco central dos EUA) elevará os juros básicos e reduzirá suas compras de ativos realizadas para estimular a economia no período mais grave da pandemia.

Os títulos do Tesouro dos Estados Unidos atingiram o maior valor em meses e estão atraindo investidores que passaram a abandonar o mercado de ações, principalmente quanto aos papéis de empresas de tecnologia que compõem o Nasdaq, segundo o Wall Street Journal.

A inflação é uma preocupação mundial devido a um cenário de elevação do preço das commodities.

O petróleo está no centro do problema. O barril do Brent, referência para o setor petrolífero, atingiu US$ 80,75 (R$ 437,71) na abertura do mercado, o maior valor desde 16 de outubro de 2018, segundo dados da Bloomberg. Ao final do dia, a commodity recuou 1,19%, a US$ 78,58 (R$ 425,95), após cinco altas consecutivas.

A elevação da commodity é um dos fatores de inflação global e, no caso específico dos Estados Unidos, a alta no custo de vida pode confirmar a elevação dos juros básicos a partir de 2022. Um dos reflexos disso para o Brasil é a valorização do dólar frente ao real, com reflexos na inflação e nos juros brasileiros.

“Estamos vendo esse aumento da expectativa de juros por lá muito por conta de um

dólar se fortalecendo frente a moedas emergentes e pela alta das commodities”, diz Pietra Guerra, especialista em ações da Clear Corretora.

“Esses dois fatores combinados refletem na subida da inflação e, com isso, pode ser que o Fed tenha que subir os juros da taxa básica para contê-la”, analisa.

No Brasil, que tem na Petrobras uma das mais importantes empresas do seu mercado de ações, a alta tem efeito ambíguo.

À primeira vista, a elevação da commodity beneficia o mercado acionário brasileiro porque impulsiona as ações da Petrobras. Mas a alta também pressiona os preços dos combustíveis, com reflexos na inflação e na pressão política para que o governo interfira nos preços praticados pela estatal.

Nesta terça (28), a Petrobras anunciou aumento de 8,9% no preço do diesel em suas refinarias, após 85 dias sem reajuste. O anúncio ocorre um dia depois de mais uma sequência de ruídos entre o governo e a estatal em relação aos preços dos combustíveis.

Nesta segunda-feira (27), a as ações da Petrobras, que tinham iniciado o dia subindo quase 2% impulsionadas pela alta do petróleo, passaram a devolver os ganhos após o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmar ter se reunido com o ministro Bento Albuquerque (Minas e Energia) para discutir formas de "diminuir o preço" de combustíveis "na ponta da linha".

Horas depois, a diretoria da estatal anunciou uma entrevista à imprensa para tratar do tema, o que inicialmente reforçou a preocupação do mercado sobre eventuais intervenções do governo.

O temor se dissipou ao início da entrevista, com a Petrobras reafirmando a política de preços ao explicar que os combustíveis podem sofrer novos reajustes.

Desde 2017, a Petrobras adota o PPI (preço de paridade de importação), sistema que vincula os preços praticados pela companhia à cotação internacional do petróleo.

Neste momento, diversos fatores colaboram para o aumento da demanda e a alta do petróleo, como a crise energética na China, a redução da produção no Golfo do México após a passagem do furacão Ida, a proximidade do inverno na Europa e a expectativa de aumento da demanda com a retomada econômica global no pós-pandemia.

“Há sinais de que a demanda está ultrapassando a oferta e esgotando os estoques”, diz Júlia Aquino, especialista em investimentos da Rico.

“O gás natural atingiu uma nova máxima de sete anos nos Estados Unidos e na Europa, devido às preocupações com a oferta reduzida no inverno. Isso também impacta por aqui, e o preço da gasolina para o brasileiro está subindo”, afirma Aquino.

A divulgação da ata do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central indica que o país está a caminho de um longo ciclo de elevações da taxa básica de juros (Selic) para conter a inflação, segundo Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos.

“A autoridade reforçou a mensagem que o ciclo poderá ser longo o suficiente para que haja a convergência das expectativas de inflação para o horizonte relevante”, diz. “Assim, reforçamos nossa perspectiva de que a Selic será conduzida até 9,25% na primeira reunião de 2022”.

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