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Bolsa fecha em queda de 3,3%, e dólar a R$ 5,59, após Bolsonaro determinar auxílio de R$ 400

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***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP: Painéis de indicadores econômicos na sede da Bolsa de Valores de São Paulo. (Foto: Alessandro Shinoda/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP: Painéis de indicadores econômicos na sede da Bolsa de Valores de São Paulo. (Foto: Alessandro Shinoda/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Bolsa de Valores brasileira fechou em forte queda e o dólar disparou nesta terça-feira (19) com o mercado temendo que as discussões em Brasília sobre o novo programa de distribuição de renda do governo resultem em aumentos de gastos acima do teto fiscal. A tensão também elevou os juros futuros e a percepção de risco do país.

O Ibovespa, índice de referência da Bolsa, caiu 3,28%, a 110.672 pontos. O indicador chegou a recuar 3,91% durante a tarde, quando atingiu a mínima de 109.947 pontos. O dólar subiu 1,35%, a R$ 5,5950, perto da máxima de R$ 5,6130.

A moeda americana manteve o viés de alta durante todo o pregão, mesmo depois do leilão realizado pelo Banco Central para venda à vista de US$ 500 milhões (R$ 2,78 bilhões), a primeira operação desse tipo desde março.

A turbulência no mercado foi gerada pela informação de que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) determinou que o Auxílio Brasil chegue a R$ 400, valor superior aos R$ 300 do auxílio emergencial. O benefício pago na pandemia acaba no próximo dia 31.

Segundo interlocutores do presidente, há espaço no orçamento do Bolsa Família para pagar os R$ 300 neste ano a 17 milhões de pessoas. O desafio, porém, é chegar ao novo valor determinado pelo presidente, de R$ 400. O gasto fora da regra fiscal deve ficar entre R$ 25 bilhões e R$ 30 bilhões.

A ordem de Bolsonaro gerou clima de derrota na equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes. O nervosismo do mercado e a pressão de Guedes levaram o Palácio do Planalto a desistir de realizar uma cerimônia nesta terça para anunciar o programa Auxílio Brasil.

O debate sobre o novo valor do Auxílio Brasil reforçou a tensão gerada na véspera pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), que havia defendido, em entrevista ao site da revista Veja, que o país não poderia priorizar a responsabilidade fiscal e o respeito ao teto de gastos em detrimento das necessidades da população mais vulnerável diante dos impactos sociais provocados no Brasil pela pandemia de Covid-19.

Embora exista consenso sobre a necessidade de combater as mazelas sociais geradas pela pandemia, o mercado digere mal a separação que parte da classe política faz entre disciplina fiscal e investimentos sociais. Essa dicotomia, presente na fala de Lira, tem aumentado ainda mais a percepção quanto ao risco fiscal do país, segundo Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos.

“Lira revela sua pretensão populista ao impor uma dualidade inexistente entre o social e a responsabilidade, como se houvesse um entrave, ou que para se fazer política social tivesse que ser irresponsável”, disse Sanchez.

De acordo com o economista, as declarações de Lira também indicam que ele poderá ser um dos principais agentes políticos a pressionar pelo aumento dos gastos públicos com a proximidade das eleições de 2022.

O mercado também operou atento à possível votação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) dos precatórios em comissão especial da Câmara. Os títulos da dívida judicial reconhecida representarão despesas de aproximadamente R$ 89 bilhões em 2022 e o parcelamento de parte desses débitos é visto como uma contrapartida para viabilizar o Auxílio Brasil.

A pressão que o cenário fiscal exerce sobre o câmbio tem feito o Banco Central intervir diariamente no mercado desde a última quarta-feira (13), quando a autoridade monetária deu início a uma série de leilões de novos contratos de swap cambial tradicional, o que na prática equivale à venda da divisa no mercado futuro. A operação é diferente da venda à vista realizada nesta terça.

Um dos principais indicadores de que a pressão sobre o câmbio reflete mais riscos internos do que as instabilidades no cenário externo, que também existem devido a um processo de inflação global gerada por escassez de produtos e por uma crise energética na Ásia, pode ser medido pela taxa de retorno do dólar à vista frente a outras moedas de países emergentes. O real figurou nesta terça-feira na última posição em uma cesta com 24 divisas, segundo dados da Bloomberg.

No mercado de juros futuros, em relação ao ajuste da véspera, a taxa DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2023 subiu de 9,35% para 9,84%.

A alta de 49 pontos-base nos juros, que tem reflexo no aumento da dívida do governo e no aperto do crédito para pessoas físicas e empresas, retira aproximadamente R$ 6 bilhões do PIB (Produto Interno Bruto), calcula Étore Sanchez, da Ativa.

“Esse montante faria diferença no social, dado que é o equivalente a 20% dos cerca de R$ 30 bilhões que o governo quer estourar do teto de gastos para pagar o novo Bolsa Família”, diz Sanchez.

Para 2025, o avanço dos juros DI foi de 10,27% para 10,89% e, em relação a 2027, passou de 10,66% para 11,19%.

A percepção do mercado sobre o risco de inadimplência do país, medido pela valorização dos contratos de CDS (Credit Default Swap) com prazo de vencimento de cinco anos, subiu 2,2%. Desde o início do ano, o risco-país acumula alta de 26%.

Em mais um sinal sobre o peso da crise fiscal doméstica, a queda acentuada da Bolsa brasileira ocorre mesmo em um dia em que os mercados globais fecharam positivos. Nos Estados Unidos, Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq subiram 0,56%, 0,74% e 0,71%, respectivamente.

"Os mercados devem ficar na defensiva, enquanto observam o desenrolar dos acontecimentos", afirmou o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa, em nota a clientes.

O petróleo Brent, referência mundial, subiu 0,75%, a US$ 84,96 (R$ 471,70). Apesar da alta da commodity, as ações da Petrobras caíram 4,89%. O clima de tensão também provocou queda de 1,15% nas ações da Vale.

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