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Bolsa fecha em baixa refletindo preocupações com atividade econômica no Brasil

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Bolsa fechou em queda nesta sexta-feira (13), com o aumento das preocupações com a economia brasileira, enquanto o dólar encerra a semana no menor patamar desde o início de novembro do ano passado, seguindo tendência mundial.

O Ibovespa fechou em baixa de 0,83% a 110.916 pontos. Na semana, o índice acumulou alta de 1,80%. O dólar comercial à vista fechou esta sexta em alta de 0,15%, a R$ 5,107. É o menor fechamento desde o dia 7 de novembro do ano passado, pouco depois do segundo turno das eleições presidenciais. Na semana, a queda do dólar foi de 2,5%.

Os juros passaram o dia mais próximos da estabilidade. Os contratos com vencimento em 2024 recuaram de 13,45% no fechamento desta quinta para 13,44% nesta sexta. Para 2025, a taxa subiu de 12,40% para 12,42%. Nos contratos de 2027, a taxa avançou de 12,11% para 12,20%.

Segundo Marcelo Boragini, sócio da Davos Investimentos, o dia não trouxe grandes novidades para os investidores, mas a economia brasileira ainda inspira cautela, mesmo após a divulgação do pacote fiscal pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, nesta quinta-feira (12).

Ele cita o IBC-Br, dado de atividade econômica do Banco Central, que recuou 0,55% em novembro ante outubro, ante a expectativa dos economistas de queda de 0,20%.

Sobre o pacote fiscal, economistas de grandes bancos disseram, em reunião com Haddad, que a iniciativa é positiva, mas levantaram a necessidade de medidas adicionais para garantir o controle da trajetória da dívida pública.

Fabrício Gonçalvez, CEO da Box Asset Management, destaca o recuo dos índices de Consumo e Financeiro da Bolsa nesta sexta. "As ações destes índices têm peso somado próximo de 50% no Ibovespa", explica. O Índice de Consumo caiu 1,56%, e o Financeiro recuou 0,78%.

Para a Guide Investimentos, o pacote não trouxe grandes surpresas, e as medidas estão longe de serem suficientes para garantir a saúde fiscal do país no longo prazo.

O Itaú Unibanco revisou algumas de suas projeções para a economia brasileira nesta sexta. O banco espera que o PIB de 2022 aponte crescimento de 2,8%, ante previsão anterior de 3%. Para 2023, o crescimento esperado é de 0,9%.

A inflação deve se manter, em 2023, no mesmo patamar do ano passado, fechando em 5,8%, segundo o Itaú. A previsão para déficit primário melhorou de 1,9% do PIB para 1,6%, bem acima da meta estipulada pelo Ministério da Fazenda, entre 0,5% 1,0% do PIB.

No exterior, o dia começou negativo, com o mercado reagindo a balanços de grandes bancos americanos. Mas durante a tarde, essa tendência se reverteu.

Os índices Dow Jones e S&P 500 subiram 0,33% e 0,40% nesta sexta-feira, e o Nasdaq 100 avançou 0,71%.

As ações ordinárias da Americanas subiram 15,80%, recuperando parte das perdas desta quinta, quando caíram quase 80%. A empresa anunciou na última quarta-feira (11) a descoberta preliminar de cerca de R$ 20 bilhões em "inconsistências" em seu balanço, que levou às renúncias do presidente e do diretor financeiro.

As ações ordinárias do Magazine Luiza também sobem pelo segundo dia seguido. Hoje, os papéis estão em alta de 8%.

A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) abriu três processos administrativos para investigar o caso.

A crise envolvendo a Americanas teve início da véspera, após o fechamento do mercado, com o comunicado de que Sergio Rial deixava o comando da empresa dez dias após assumir o cargo. Rial, que ficou seis anos à frente do Santander, substituiu Miguel Gutierrez, presidente da Americanas por cerca de duas décadas. O diretor financeiro Andre Covre também deixou a função na qual havia acabado de ingressar.

Em 22 de agosto de 2022, no primeiro dia de negociações após o anúncio Rial como presidente da Americana, a ação ordinária da companhia valia R$ 15,96. Nesta sexta, vale R$ 3,15.